A memória da Copa do Mundo ainda está fresca na memória dos torcedores, mas o futebol de seleções na Europa, nesta data-Fifa, começa a contar outra história. Apenas 67 dias depois da final entre Espanha e Argentina, vencida pelos espanhóis, disputada em 19 de julho, em New Jersey, a Liga das Nações abre nesta quinta-feira a edição 2026/27 com um cenário curioso: metade das 16 seleções da principal divisão mudou de treinador durante o verão europeu.
Não é uma troca periférica. Alemanha, Holanda, Portugal, França, Itália, Bélgica, Croácia e República Tcheca chegam à competição com novos comandantes. E a lista reúne alguns dos nomes mais conhecidos do futebol europeu: o alemão Jürgen Klopp deixa a aposentadoria e assume a Alemanha, o espanhol Xavi Hernández inicia o trabalho na Holanda, o francês Zinedine Zidane comanda a França, o português Jorge Jesus estreia por Portugal e o italiano Roberto Mancini volta à seleção italiana. Menos badalados, completam o grupo o holandês Mark van Bommel na Bélgica, o croata Slaven Bilic na Croácia e Santi Deniano comando da República Tcheca.

Estreia com clássicos
Há histórias diferentes dentro da mesma renovação. Klopp e Van Bommel assumem pela primeira vez uma seleção como treinadores principais; Zidane volta ao banco depois de cinco anos sem comandar uma equipe; Mancini e Bilic iniciam uma segunda passagem por Itália e Croácia, respectivamente.
A própria rodada de abertura ajuda a dimensionar a mudança. Holanda e Alemanha se enfrentam em Amsterdam, nesta quinta-feira, às 15h45 (horário de Brasília), em um clássico que será também a estreia de Xavi e Klopp em seleções. Portugal, atual campeão da Liga das Nações, começa a defesa do título diante de País de Gales sob o comando de Jorge Jesus. O duelo acontece no Estádio Alvalade, em Lisboa, no mesmo horário. Na sexta-feira, Mancini reestreia pela Itália contra a Bélgica de Van Bommel, no Estádio Olímpico de Roma, às 15h45 (horário de Brasília), enquanto Zidane faz seu primeiro jogo à frente da França diante da Turquia, na cidade turca de Kocaeli, no mesmo horário. São todas seleções de peso na Fifa.
É quase um prolongamento da Copa, mas com novos rostos na área técnica. O contraste mais interessante está na seleção que chegou mais alto no Mundial. Campeã após vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, a Espanha optou pela continuidade. Luis de la Fuente permaneceu no cargo e convocou 22 dos 26 jogadores que levantaram a taça em Nova Jersey. A equipe só estreia no sábado, contra a Inglaterra, em Wembley, às 15h45 (horário de Brasília), mas será um dos principais termômetros para entender até onde a vantagem de manter uma base consolidada pode pesar diante de rivais que iniciam novos ciclos.
Elite da Europa
Essa diferença de caminhos ajuda a transformar a Liga das Nações em algo maior do que uma sequência de datas-Fifa. Para Alemanha, França, Holanda ou Portugal, os próximos jogos serão laboratório para novas ideias e novas hierarquias. Para a Espanha, a competição representa o primeiro teste depois de passar de candidata a campeã do mundo — e, consequentemente, a seleção que todos querem derrubar. Há ainda outro componente. As quatro primeiras rodadas serão disputadas entre 24 de setembro e 6 de outubro, condensando quatro jogos em menos de duas semanas para boa parte das seleções. Isso dará aos novos treinadores uma quantidade rara de jogos em sequência para acelerar experiências, mas reduzirá o tempo para correções.

No papel, a Liga das Nações segue sendo um torneio simples. As 54 seleções estão distribuídas em quatro ligas. Na Liga A, onde estão as principais forças do continente, são quatro grupos de quatro equipes, com jogos de ida e volta. Os dois primeiros de cada chave avançam às quartas de final, disputadas em março de 2027. Os quatro classificados seguirão para as finais, marcadas para junho.
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Também há acesso e rebaixamento entre as divisões. Os últimos colocados das Ligas A e B caem, enquanto campeões de grupos das divisões inferiores sobem. Outros lugares são definidos em playoffs. Além do troféu, a campanha também terá peso no caminho para a Euro 2028, já que o ranking intermediário desta Liga das Nações será usado no sorteio das Eliminatórias da Europa para a Copa do Mundo de 2030.





