Nesta segunda-feira, uma carta aberta redigida pelos presidentes e secretários-gerais das associações de futebol da Europa (a Uefa), da Ásia (a AFC) e da América do Norte e Central (Concacaf) escancarou as divisões entre elas e a atual direção da Fifa, comandada pelo suíço Gianni Infantino. Apesar de Infantino já ter anunciado que desistiu do plano de criar uma empresa comercial, a Fifa Forward, que teria a participação de alguns investidores privados (como Joshua Kushner, o irmão do genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump), em uma reunião com alguns dirigentes de sua confiança, o clima no mundo do futebol permanece em alta tensão. Dentro da própria Fifa há dissidentes.
“Essa recente reunião, na qual um grupo seleto de membros do Comitê de Gestão da Fifa — e não o Comitê inteiro — foi convocado para o exterior, em vez da liderança ir a Zurique para se dirigir ao coração da Fifa, apenas reforça essas preocupações e representa uma continuidade no mesmo padrão de comportamento que nos trouxe até aqui”, declarou o comunicado das três associações.

Em uma alusão direta a Infantino, o texto diz que “a confiança foi quebrada por meio de engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo” e prossegue quando afirma que “o futebol, a maior paixão compartilhada do mundo, não pertence a nenhum indivíduo nem a nenhuma instituição, mas aos jogadores, aos torcedores, aos clubes e às Associações Membro”.
Perda de confiança
Numa referência direta à nota divulgada por Infantino e diretores da Fifa de sua confiança, dias antes, no Marrocos, onde reconheceu que erros ocorreram na proposta de criação da Fifa Forward, a carta-aberta diz que o que foi chamado de “falha de comunicação” foi, na verdade, “uma violação fundamental de confiança para com as instituições.” Em outras palavras, a Uefa, a Concacaf e a AFC deixaram claro que não confiam na atual administração da Fifa para conduzir essa revisão. E elas desejam que este processo seja realizado por uma entidade independente.
Enquanto isso, as três confederações iniciaram discussões para tratar sobre a organização de novas competições. É um indício de que pode acontecer, de fato, o boicote ao Mundial Feminino Sub-20, previsto para acontecer na Polônia, em setembro.
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Por outro lado, Infantino recebeu apoio da Confederação Africana de Futebol e de federações influentes no esporte, como a da Argentina e do México. Considerando que o prazo para que candidatos disputem a próxima eleição da Fifa se encerra apenas no dia 18 de novembro, as próximas semanas prometem ser quentes nos bastidores da organização. Há alguma expectativa de que um nome “europeu” se apresente para concorrer com Infantino e já comece a sua campanha.





