O São Paulo tem um novo candidato para as eleições deste ano. É Rogério Caboclo, ex-presidente da CBF. O dirigente, sumido desde então, oficializou a sua candidatura e colocou mais lenha num pleito que já se prometia ser em alta temperatura. Caboclo confirmou nesta segunda-feira sua candidatura à presidência do clube para o triênio 2027 a 2029. A eleição está prevista para dezembro e deve redesenhar o poder no Morumbi depois do mandato de Julio Casares marcado por crise política, impeachment e desgaste dentro do Conselho Deliberativo. Não há santos no Morumbi nem em quem confiar.
Caboclo tenta se apresentar como nome de experiência administrativa. É sócio do São Paulo desde 1990, conselheiro vitalício desde 1998 e já ocupou cargos no clube no começo dos anos 2000, como diretor-adjunto de marketing e diretor financeiro. Também passou pela Federação Paulista de Futebol (FPF) e chegou ao cargo mais importante do futebol brasileiro ao assumir a presidência da CBF entre 2019 e 2021, antes de ser afastado por acusações de assédio.

Portanto, sua candidatura não chega limpa de ruídos. Caboclo foi afastado da CBF em 2021 depois de denúncias de assédio moral e sexual apresentadas por funcionárias da entidade. Posteriormente, processos relacionados às acusações foram arquivados sem condenação. Ainda assim, o episódio deixou marca política e será inevitavelmente lembrado na campanha deste ano. Ele nunca mais voltou a pisar na CBF. Reclamou nos bastidores de uma armação de seu antecessor, Marco Polo del Nero, caçado pela Interpol por causa do seu comando na CBF também.
Voto no Morumbi é indireto
O retorno de Caboclo ao centro da cena tricolor começou a ganhar força nos bastidores nas últimas semanas. Já era sabido que ele se armava para se candidatar nas eleições deste ano. Ele e os seus aliados entenderam que o ambiente no clube era propício para a sua volta. Os aliados de Julio Casares sumiram e ninguém gosta da gestão de Harry Massis. Caboclo e Massis se aliaram na candidatura. Ou seja: Caboclo aparece no pleito como sendo da situação. No São Paulo, quem decide eleição é o Conselho Deliberativo. Trata-se de uma escolha indireta, em que são os conselheiros a definir o escolhido. Em 2020, Casares foi eleito com 155 votos, por exemplo.
Na semana passada, Caboclo voltou a ser assunto após participar de uma reunião com conselheiros do São Paulo, incluindo o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior. Em vídeo vazado, o ex-presidente da CBF foi tratado como candidato à presidência, com a promessa de lançamento festivo da candidatura. O cenário político do clube ajuda a explicar a força da candidatura.
Massis e Caboclo juntos
O São Paulo é hoje comandado por Harry Massis Júnior, que assumiu a presidência depois do impeachment de Casares, em janeiro de 2026. Ocorre que o clube vive o problema de sempre: a eleição promete ser uma espécie de acerto de contas interno. O São Paulo chega ao processo eleitoral com grupos políticos reorganizados, antigos aliados separados, oposição tentando se unificar e situação tentando sobreviver ao desgaste de um ano traumático.
São Paulo está no fundo do poço
Caboclo aposta nesse vácuo. Sua candidatura tenta vender experiência de gestão, trânsito político e conhecimento de futebol institucional. Para parte da oposição, isso pode ser virtude. Não há ninguém pior ou melhor do que ele. Os adversários vão bater em Caboclo. Ele é um nome pesado, mas marcado demais e capaz de transformar a eleição em plebiscito sobre seu passado na CBF. O clube vive momento delicado também dentro de campo. A crise política não está isolada da bola. O Tricolor precisa recuperar estabilidade, credibilidade financeira, força esportiva e capacidade de planejamento. Em um ambiente assim, qualquer candidato que apareça com discurso de autoridade tende a ganhar atenção.
A candidatura de Caboclo tem potencial para dividir ainda mais o São Paulo. Ele conhece o clube por dentro, tem relação antiga com conselheiros e experiência em estruturas grandes, como foi na CBF. Ao mesmo tempo, carrega rejeição, resistência e um histórico recente que seus rivais não deixarão fora da campanha. O ponto central é simples: o São Paulo precisa escolher se quer virar a página com um nome de bastidor forte ou se verá em Caboclo mais uma fonte de turbulência. Depois do impeachment de Casares e da gestão de transição de Massis, o clube precisa de direção. Mas direção não é apenas ocupar a cadeira. É convencer o Conselho, a torcida e o mercado de que há um projeto.
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Caboclo, que não será candidato único, terá de provar que não é apenas o ex-presidente da CBF tentando voltar ao poder por outra porta. Terá de convencer o São Paulo de que pode comandar um clube gigante, rachado, pressionado e agonia em todos os seus setores, inclusive dentro de campo. A campanha começou. E, no Morumbi, ela promete ser tão pesada quanto qualquer jogo decisivo.





