Há empates que frustram e empates que precisam ser colocados em uma análise mais positiva. O 1 a 1 conquistado pelo São Paulo diante do Bolívar, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana, nesta terça-feira, em La Paz, pertence um pouco aos dois grupos. Para quem entrou no estádio Hernando Siles, a 3.637 metros acima do nível do mar, com a missão de sobreviver a um adversário acostumado às condições extremas da capital boliviana, o resultado pode ser considerado aceitável. Para quem chegou à Bolívia carregando uma sequência incômoda sem vitórias e voltou a sair na frente sem conseguir sustentar a vantagem, entretanto, sobrou um gosto de oportunidade perdida.

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É justamente essa contradição que melhor explica a noite são-paulina. O São Paulo fez o mais importante pensando na Copa Sul-Americana: não permitiu que o Bolívar construísse em casa a vantagem que normalmente procura estabelecer na altitude. O adversário havia eliminado o Grêmio na fase anterior vencendo tanto no Hernando Siles, por 3 a 2, quanto em Porto Alegre, por 1 a 0. Desta vez, encontrou um time disposto a diminuir espaços, suportar os momentos de pressão e, principalmente, entender que não precisava resolver a classificação em La Paz.

São Paulo Arboleda comemora gol
Após cabeceio, Arboleda comemora o gol do São Paulo; vantagem não é sustendada na etapa final em La Paz / São Paulo FC

São Paulo na frente

A recompensa apareceu aos 23 minutos. Arboleda colocou o São Paulo na frente e transformou um resultado que já seria aceitável em um cenário quase perfeito para o time de Dorival Júnior. O zagueiro, aliás, acabou personificando o espírito necessário para uma partida desse tipo: resistência, concentração e capacidade de aproveitar as poucas oportunidades que aparecem longe de casa. Não era uma noite para exigir futebol vistoso. Muito menos domínio durante 90 minutos.

A própria estratégia montada antes da partida mostrava isso. O São Paulo tentou reduzir ao máximo os efeitos da altitude e chegou a La Paz apenas poucas horas antes do jogo. Dorival ainda levou a campo uma equipe modificada, com as estreias de Domingos Duarte, Newton e Iago. Era um contexto em que administrar energia importava tanto quanto administrar a bola.

O problema é que, quando a situação parecia encaminhada para se tornar ainda melhor, reapareceu uma deficiência que acompanha o São Paulo nas últimas semanas. Tonino Melgar empatou para o Bolívar aos 18 minutos da etapa final. O time paulista, mais uma vez, havia conseguido construir uma vantagem e não conseguiu carregá-la até o fim. E aí o empate deixa de ser analisado apenas dentro das circunstâncias especiais de La Paz.

Jejum incômodo

Contra o Athletico-PR, pelo Brasileiro, o São Paulo também saiu na frente e perdeu por 2 a 1. Dias depois, diante do Flamengo, saiu atrás, mas buscou o empate, quando muitos apostavam em uma derrota no Maracanã. No último sábado, após 13 dias sem jogar, o Tricolor encarou o Grêmio e repetiu o roteiro: abriu o placar e sofreu nova virada pelo mesmo resultado. Dorival Júnior já havia admitido preocupação com a dificuldade de sua equipe em concluir partidas nas quais consegue inicialmente colocar-se em situação favorável.

O goleiro Rafael segura a bola
O goleiro Rafael segura a bola e é protegido pelo lateral esquerdo Iago diante da pressão de Dairon Asprilla / Reprodução

Na Bolívia não houve virada. E essa diferença é importante. O São Paulo suportou a pressão final e preservou um resultado que o deixa em boas condições para buscar a vaga. Só que a Sul-Americana não consegue esconder completamente aquilo que acontece ao redor dela. A última vitória são-paulina aconteceu em 26 de maio, justamente pela competição continental, quando bateu o Boston River por 2 a 0.

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Desde então, considerando os jogos oficiais disputados antes e depois da pausa para a Copa do Mundo, foram derrotas para Remo, Athletico-PR e Grêmio, empate com o Flamengo e, agora, nova igualdade diante do Bolívar. No Brasileiro, o incômodo é ainda maior: são oito partidas consecutivas sem vitória desde o triunfo sobre o Mirassol, em 25 de abril.

Por isso, o São Paulo desembarca da Bolívia trazendo duas verdades na bagagem. A primeira é animadora: atravessar uma noite no Hernando Siles sem perder e transferir a definição para o MorumBIS é um resultado que qualquer mata-mata permite valorizar.

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