Neymar mandou a real para o torcedor do Santos na Vila. “Se vier para o estádio com pensamento negativo, acho que é melhor ficar em casa.” O atacante não saiu da Vila Belmiro apenas como o melhor jogador do Santos na vitória por 2 a 1 sobre o Macará, do Equador, mas ele comprou uma briga grande com o torcedor do time. Neymar saiu como porta-voz da equipe e deu uma bronca pública na torcida santista, ainda ferida por anos de frustração, sofrimento, rebaixamento, dívidas, promessas quebradas e futebol pequeno demais para a história do clube que já teve Pelé e o próprio Neymar no auge.

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O Santos venceu, largou em vantagem nas oitavas de final da Copa Sul-Americana e levou para o Equador um resultado que poderia ter sido melhor, mas que ainda o coloca na frente do confronto. O problema é que, no Santos atual, nem vitória simples consegue ser uma vitória fácil. Tudo vem acompanhado de tensão, vaia, cobrança e uma sensação permanente de desconfiança. Mas não por acaso. O time deve nesta temporada. O Santos bateu o Macará por 2 a 1, de virada, com gols de Gabigol e Willian Arão, depois de sair atrás logo no começo da partida.

Neymar e Gabigol resolvem para o Santos contra o Maracá pelas oitavas da Sul-Americana / Santos

Neymar foi decisivo com duas assistências. Deu o passe para Gabigol empatar no fim do primeiro tempo e cobrou o escanteio que terminou no gol de Willian Arão na etapa final. Ainda assim, Neymar saiu incomodado. A frase contra parte da torcida tem peso porque veio em uma noite em que ele entregou futebol. Não foi uma reclamação de quem se escondeu. Foi a cobrança de quem participou diretamente dos dois gols da virada. E talvez por isso ela faça barulho. E não aceitou as vaias. Neymar entende que o Santos precisa da Vila pulsando e não vaiando.

A torcida ficou chata com razão

É claro que o santista tem direito de reclamar. Ele paga pelo ingresso. E sofreu demais nos últimos anos. Viu o clube perder tamanho, cair, se endividar, errar nas contratações, trocar técnicos, depender de soluções improvisadas e transformar cada jogo em teste de resistência emocional. A torcida não ficou negativa por capricho. Ela foi empurrada para esse lugar pela própria incompetência do Santos: da diretoria ao elenco.

Mas Neymar também tem razão em um ponto. Um estádio que entra em campo com medo contamina o time. A Vila sempre foi mais forte quando jogou junto, quando apertou o adversário, quando fez o rival sentir que estava em um lugar diferente. Já foi chamada de “caldeirão”. Não é mais, pelo menos para os adversários. Contra o Macará, o Santos levou um gol aos quatro minutos, de Franco Posse, e teve de reconstruir o jogo no grito e na bola. Foi nesse momento que o torcedor já demonstrou a sua impaciência. Como disse Neymar, “se é para fazer isso, que fique em casa”.

Gabigol faz gols 100

Gabigol empatou aos 43 minutos do primeiro tempo, depois de passe de Neymar. Foi o centésimo gol dele pelo Santos, marca simbólica em uma noite que precisava de algum alívio. E de um salvador. Depois, no segundo tempo, Willian Arão virou aos 30 minutos, após cobrança de escanteio do camisa 10. O Santos venceu, mas ainda não convenceu. Mas isso agora pouco importa. O time está no módulo sobrevivência.

A vantagem mínima é uma vantagem, mas sempre perigosa. No Equador, qualquer erro pode custar caro. A Sul-Americana não costuma perdoar time que acha que resolveu confronto em casa com placar curto. O empate é do Santos. Vitória simples do rival leva a decisão para os pênaltis. O Macará mostrou logo no início que não entrou na Vila para passear. Fez o gol, baixou linhas, travou o jogo e obrigou o Santos a jogar contra o relógio e contra a própria ansiedade. Fez o que se esperava dele.

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Neymar entregou passe decisivo, bola parada e leitura de jogo. Participou dos dois gols e ainda teve postura importante em um momento de confusão após o gol de Arão, quando tirou Gabigol do tumulto e tentou esfriar o ambiente. O atacante poderia ter sido expulso. Essa talvez seja a versão de Neymar que o Santos mais precisa até o fim do ano: jogando bem, dando passes e evitando confusão.

A frase foi forte

A frase contra a torcida, porém, abre outra discussão. Neymar pode cobrar energia positiva, mas também precisa entender que o torcedor santista não está em paz. O clube não oferece paz há muito tempo. A arquibancada desconfia porque aprendeu a desconfiar. Mas o melhor para o Santos é que Neymar continue bravo, desde que transforme essa bronca em futebol.

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