O Palmeiras precisou de 45 minutos para entender o jogo. Depois, precisou de menos de dez para destruí-lo. Em uma tarde que começou desconfortável e terminou em festa no Nubank Parque, o time de Abel Ferreira goleou o Vasco por 4 a 1, neste domingo, e colocou o ponto de exclamação em uma semana de alívio para elenco e torcedores. Primeiro veio a classificação às quartas de final da Libertadores diante do Cerro Porteño. Depois, o presente do Cruzeiro, que derrotou o Flamengo. Faltava fazer a própria parte. E o líder fez com autoridade: chegou aos 51 pontos e voltou a abrir seis sobre o rival rubro-negro, que tem um jogo a menos.
Só que o placar elástico conta muito pouco sobre o que aconteceu antes do intervalo. O Vasco foi um pouco melhor durante boa parte do primeiro tempo. Marcou com intensidade, dificultou a saída palmeirense e encontrou espaços suficientes para deixar a partida incômoda para o dono da casa. O Palmeiras tinha dificuldade para acelerar, aproximava pouco seus homens de frente e encontrava um adversário que, apesar da penúltima colocação no Brasileiro, estava longe de parecer entregue. Carlos Miguel precisou trabalhar, e o 0 a 0 levado para o vestiário parecia até mais confortável ao Verdão diante do que havia produzido.

Palmeiras liga modo amasso
Foi como se outro Palmeiras voltasse para a segunda etapa. Antes dos dois minutos, Allan não conseguiu dominar uma bola na entrada da área vascaína. Flaco López agradeceu. O argentino ajeitou para a esquerda e mandou no ângulo de Léo Jardim. Um golaço para abrir a porteira e mudar completamente a temperatura do jogo. Quatro minutos depois, veio o segundo. Vitor Roque tentou o cabeceio, a bola tocou no braço de Cuesta e Bráulio da Silva Machado marcou pênalti. O próprio camisa 9 assumiu a cobrança e encerrou uma espera que já começava a incomodar. Foram 12 partidas e 168 dias sem marcar. O último gol havia sido em 8 de março, contra o Novorizontino, na final do Campeonato Paulista. Nesse intervalo, o atacante passou mais de três meses afastado após cirurgia no tornozelo esquerdo. Justamente diante do Vasco, adversário contra o qual fizera seu primeiro gol pelo Palmeiras em 2025, Vitor Roque voltou a comemorar.
O Vasco ainda tentava entender o que acontecia quando levou o terceiro. Andreas Pereira puxou o contra-ataque e encontrou Mauricio, que bateu da entrada da área. Aos dez minutos da etapa final, aquilo que havia sido um jogo duro já tinha virado 3 a 0. E havia uma simbologia especial no gol de Mauricio. Depois de perder espaço com a volta da dupla Flaco López e Vitor Roque, o meia retornou ao time titular e mostrou outra vez por que se tornou o jogador mais decisivo do Palmeiras depois da Copa do Mundo. Antes desta rodada, já era o artilheiro alviverde nesse recorte, com cinco gols. Agora são seis gols nas dez partidas disputadas pelo Palmeiras desde a retomada do calendário de clubes, uma produção que recoloca pressão sobre Abel na disputa por espaço entre os titulares.
Flaco sinônimo de golaço
Mas o dono da tarde ainda tinha outra obra para apresentar. Aos 44 minutos, Flaco recebeu na entrada da área, preparou o corpo e bateu colocado de esquerda. A bola procurou praticamente o mesmo endereço do primeiro gol: o ângulo de Léo Jardim. Outro golaço. O argentino chegou a 19 gols em 43 partidas na temporada e ampliou a condição de principal artilheiro palmeirense em 2026. Antes do duelo com o Fluminense, ele tinha 17 gols em 40 jogos; passou em branco contra o time carioca e diante do Cerro Porteño e, com os dois deste domingo, saltou para 19.
O 4 a 0 dava ao Palmeiras a chance de simplesmente esperar o relógio acabar. Menos para Abel Ferreira. Irritado com os acréscimos, o português passou os minutos finais gesticulando e reclamando à beira do campo. A irritação aumentou quando Colidio aproveitou uma sobra aos 48 minutos e marcou, de cabeça, o gol de honra vascaíno. Abel não esperou sequer o apito final: deixou o banco e tomou o caminho do vestiário antes do encerramento.

Um detalhe quase folclórico para uma tarde que terminou muito melhor do que começou. Em poucos dias, o Palmeiras saiu pressionado pela queda de rendimento no Brasileiro, sobreviveu a uma decisão de Libertadores no Paraguai, viu o Flamengo desperdiçar a chance de encostar de vez e respondeu com uma goleada. A vantagem volta a ser de seis pontos. A confiança também engorda. E, no centro dessa recuperação, Flaco López tratou de lembrar por que continua sendo o homem-gol do líder.
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Do outro lado, o Vasco da Gama fica um gosto amargo. A equipe carioca chegou confronto confiante após a vitória por 4 a 1 sobre o Olimpia, assim como o Palmeiras, também em Assunção, a classificação às quartas de final, mas pela Copa Sul-Americana. Porém, antes da partida em São Paulo, muitos torcedores disseram que não ficariam tão tristes no caso de uma eventual derrota. Caso vencesse, a torcida cruzmaltina, que tem relação de amor com a palmeirense, ajudaria o Flamengo. Por outro lado, com 22 pontos, o time da Colina é o vice-lanterna do Brasileirão, com 22 pontos, em 23 partidas.





