O Palmeiras de Abel Ferreira precisa voltar a ser ‘amador’. Não na organização, na cobrança ou na ambição de conquistar títulos, mas na forma de encarar o jogo. Depois de um primeiro tempo complicado diante do Vasco e de uma segunda etapa avassaladora, o treinador explicou o que espera de seus jogadores nesta reta decisiva da temporada.“Jogar como se fôssemos amadores, com prazer, com paixão. É jogar livre, é jogar solto, é jogar leve, é arriscar, é falhar e tentar outra vez”, afirmou Abel.

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Segundo o treinador, a mudança após o intervalo não foi apresentar inovações na formação tática. “Não mudamos muito. Mudamos algumas posições, mas a estrutura foi a mesma. O que mudou foi a atitude, a coragem, a vontade de jogar e de assumir riscos.” Abel contou que tentou provocar os jogadores durante a conversa no vestiário. “Eu perguntei: ‘É isso que vocês têm para dar? É o máximo que vocês conseguem?’ E olhei para o Flaco, olhei para o Vitor Roque. Disse: ‘Vocês conseguem mais. Vocês têm que dar mais’.”

Palmeiras técnico Abel Ferreira
Abel Ferreira orienta posionamento do time contra o Vasco; treinador quer os seus jogadores mais leves e soltos / Palmeiras

Zona de desconforto

Para o técnico, o elenco precisa lidar com a pressão sem perder a espontaneidade. “Quando os jogadores são jovens, passam da formação para contratos importantes e começam a jogar para ganhar títulos, aparecem medos que antes não existiam. Medo de errar, medo de perder espaço, medo da crítica. E, quando jogamos com medo, não jogamos o nosso melhor futebol.” Abel explicou o que entende por jogar de maneira ‘amadora’. “Não é ser irresponsável. É jogar com prazer. É não ter medo de falhar. Porque quem não quer falhar também não arrisca. E, se não arrisca, não cria, não dribla, não finaliza, não faz aquilo que sabe fazer.”

O treinador também destacou a importância de os jogadores tentarem novamente depois de um erro. “É falhar e tentar outra vez. É perder uma bola e voltar a pedir a bola. É errar um passe e continuar disponível. É isso que eu quero dos meus jogadores: personalidade.” Flaco López, autor de dois gols contra o Vasco, falou sobre a necessidade de manter a tranquilidade durante a partida. “A gente está calmo, fica calmo e, quando tivermos que resolver, resolvemos”, afirmou o atacante.

Abel lembrou que o argentino já passou por momentos de muita cobrança no clube. “O Flaco foi muito criticado. Houve momentos em que diziam que ele tinha que sair, que não servia. Hoje ele está aqui, fazendo gols e ajudando a equipe. É preciso ter paciência com os jogadores.” O treinador reforçou que a evolução não acontece de uma hora para outra. “Os jogadores precisam de tempo, precisam errar, precisam aprender. Não podemos querer que um jogador jovem seja perfeito todos os dias. O que podemos exigir é compromisso, trabalho e coragem para continuar.”

Allan, o versátil

A possível saída de Allan também entrou na entrevista. Abel destacou a versatilidade do jogador e afirmou que o Palmeiras pode perder qualidade caso a negociação seja concretizada. “O Allan é um jogador que pode jogar aberto, pode jogar por dentro, pode jogar mais atrás. É um jogador muito completo, que entende o jogo e consegue fazer várias funções”, disse.

O treinador também comentou o interesse de clubes europeus. “Quem quiser levar o Allan vai ter que pagar muito. É um jogador que tem valor, que foi formado aqui e que tem características que não são fáceis de encontrar.” Abel evitou antecipar se o Palmeiras buscará uma reposição, mas afirmou que a equipe continuará competitiva. “Podemos perder qualidade, mas não vamos perder competitividade. Isso eu posso garantir.”

Palmeiras Allan deixa para trás a marcação de Cuiabano
Allan deixa para trás Cuibano; garoto está na mira do Manchester City e pode ser negociado nesta semana / Palmeiras

O interesse do Manchester City em Allan já ultrapassou o estágio de simples sondagem: os clubes estão em negociação e discutem uma operação na casa dos 35 milhões de euros (cerca de R$ 210 milhões), valor que o Palmeiras considera insuficiente. A diretoria alviverde sinaliza que só aceita avançar caso os ingleses cheguem a 40 milhões de euros fixos (aproximadamente R$ 240 milhões), e mais bônus ou percentual sobre uma futura venda. Antes disso, Aston Villa, Newcastle e Napoli também demonstraram interesse, mas nenhum deles avançou para uma negociação nos moldes da atual investida do City.

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Enquanto nenhuma transferência for definida, o treinador disse que conta com o jogador. “Enquanto ele for jogador do Palmeiras, conto com ele de manhã, à tarde e à noite.”

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