A ausência de Allan colocava Abel Ferreira diante do primeiro grande teste da nova realidade do Palmeiras. Negociado com o Manchester City por um acordo que pode chegar a 40 milhões de euros, o jogador, que foi festejado pela torcida antes de bola rolar, havia se tornado o atleta capaz de dar velocidade, drible e agressividade ao lado direito. No primeiro compromisso sem ele, ainda por cima diante do Santos e em uma eliminatória de Copa do Brasil, o treinador mostrou que a solução não passa necessariamente pela busca de um substituto com as mesmas características. O Verdão mudou a distribuição tática, colocou Jhon Arias naquele corredor e terminou a noite com uma vitória por 3 a 0 que deixa a vaga na semifinal muito próxima.

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Na próxima quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), na Vila Belmiro, o Palmeiras pode perder por até dois gols de diferença e ainda assim avança. Uma derrota por três leva a decisão para os pênaltis. Para se classificar diretamente, o Santos precisa vencer por pelo menos quatro. Quem passar enfrenta Vasco ou Vitória.

Palmeiras Flaco López
Flaco López comemora o primeiro dos seus dois gols na vitória sobre o Santos no clássico pela Copa do Brasil / Palmeiras

Clássicos dos estrategistas

O placar, porém, conta apenas uma parte da história. Durante boa parte do primeiro tempo, o clássico foi muito mais equilibrado do que os três gols de diferença sugerem. Cuca abriu mão de Neymar, preservado por causa do gramado sintético, e começou também com Gabigol no banco de reservas. Ainda assim, montou um Santos competitivo, capaz de fechar espaços, impedir que o Palmeiras acelerasse pelo meio e procurar saídas quando recuperava a bola.

Foi o clássico das estratégias antes de virar o clássico do domínio palmeirense. Abel reposicionou Arias pela direita, manteve Mauricio com liberdade para circular mais pelo outro lado e apostou novamente na presença simultânea de Vitor Roque e Flaco López. Era uma maneira diferente de tentar produzir o que Allan entregava: em vez da ruptura individual de um jogador especialista em atacar o marcador, o Palmeiras passou a procurar movimentações, aproximações e trocas de posição para encontrar os espaços.

O Santos resistiu. Mais do que isso, teve a oportunidade que poderia ter mudado completamente a dinâmica da partida. Igor Vinícius apareceu em ótima condição para marcar, mas desperdiçou. Em um mata-mata contra um adversário do tamanho do Palmeiras atual, esse tipo de chance costuma ter um preço alto. O Peixe não aproveitou a sua. Pouco depois, começou a pagar.

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Palmeiras inicia o atropelo

Flaco López recebeu fora da área, arriscou e contou com a colaboração de Gabriel Brazão para abrir o placar. Foi o ponto de ruptura da partida. Até aquele momento, o Santos conseguia discutir o jogo. Depois dele, o Palmeiras encontrou espaços, cresceu em confiança e percebeu que poderia empurrar o rival para perto de sua própria área. Antes do intervalo, Andreas Pereira fez o segundo. O Verdão terminou a primeira etapa com dez finalizações, seis delas na direção do gol, números que já mostravam como o equilíbrio inicial havia desaparecido ao longo dos minutos.

Na volta do intervalo, não houve mais discussão estratégica. Houve um amasso. O Palmeiras passou a atacar como quem percebe a fragilidade do adversário e entende que uma eliminatória pode ser praticamente resolvida em poucos minutos. Giay perdeu uma oportunidade inacreditável. Mauricio desperdiçou outra. O terceiro parecia apenas uma questão de tempo. E veio numa combinação carregada de simbolismo para o argentino: Giay apareceu no ataque e deu a sua primeira assistência com a camisa palmeirense para Flaco López marcar novamente. O atacante chega a 21 gols em 44 jogos na temporada e consolida uma fase na qual deixa de ser apenas alternativa para assumir papel cada vez mais importante no sistema ofensivo.

Ainda poderia ter sido mais. Jhon Arias protagonizou uma das melhores jogadas da noite ao desmontar a defesa santista e, em vez de concluir, servir Vitor Roque. O atacante não aproveitou. No rebote, o próprio colombiano encontrou Piquerez, que também desperdiçou. O lance talvez seja a melhor síntese do que Abel procura para a vida depois de Allan: Arias não reproduz exatamente as características do jogador vendido ao Manchester City, mas oferece inteligência, associação e capacidade de criação.

Palmeiras Vitor Roque e Rollheiser
Vitor Roque, que perdeu a chance incrível para anotar o quarto gol, aposta corrida com o santista Rollheiser / Palmeiras

Capítulo decisivo

É cedo para concluir que a questão está resolvida. Allan fazia algo raro no atual elenco: recebia aberto, enfrentava o marcador e quebrava linhas no drible. Arias atua de outra maneira. Mas o primeiro grande teste mostra que o Palmeiras possui repertório para mudar sem perder força. E isso diz muito sobre a diferença entre ter apenas um bom time e possuir um elenco capaz de sobreviver à saída de uma peça importante.

Para o Palmeiras, existe também um peso histórico escondido nessa vantagem. A última vez em que o clube alcançou uma semifinal da Copa do Brasil foi justamente em 2020, edição encerrada com o título sobre o Grêmio. Depois disso, caiu para o CRB em 2021, São Paulo em 2022 e 2023, Flamengo em 2024 e Corinthians em 2025. São cinco temporadas consecutivas parando antes dessa fase.

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Além da Vila Belmiro, o Santos vai apostar no retorno de Neymar. O jogador disse em uma rede social que a decisão de não atuar no Nubank Parque foi da comissão técnica. Agora, mais do que nunca, os torcedores esperam que o camisa 10 conduza o Peixe a uma virada épica.

 

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