O Palmeiras abriu uma vantagem de 3 a 0 sobre o Santos nas quartas de final da Copa do Brasil, lidera o Campeonato Brasileiro e está entre os oito melhores da Libertadores. Um cenário que poderia abrir espaço para contas, rodízio de jogadores e escolha de prioridades. Abel Ferreira, porém, afirma que não será assim. Depois da vitória no clássico, no Nubank Parque, o treinador deixou claro que pretende atacar as três frentes até onde o elenco conseguir suportar.
“Não vamos descansar ninguém”, afirmou o português, ao comentar a maratona que o time ainda terá pela frente. Abel explicou que a comissão técnica terá de administrar o desgaste sem abrir mão da competitividade. “Vamos apostar tudo em todas as competições. Não vamos escolher uma ou outra. Vamos tentar chegar o mais longe possível em todas, sabendo que o calendário é difícil e que os jogadores vão precisar estar preparados”, disse. Na sequência, reforçou que o Palmeiras não pretende tratar nenhuma disputa como secundária: “Enquanto tivermos condições, vamos lutar pelo Brasileiro, pela Libertadores e pela Copa do Brasil”.

Palmeiras insaciável
O discurso encontra respaldo no momento do Palmeiras. No Brasileiro, o time ocupa a liderança com 51 pontos, seis à frente do Flamengo, que disputou uma partida a menos. Na Copa do Brasil, Flaco López, duas vezes, e Andreas Pereira construíram os 3 a 0 sobre o Santos e deixaram a equipe em situação que pode perder por dois gols de diferença e ainda assim chegar à semifinal, na próxima quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), na Vila Belmiro.
Na Libertadores, o adversário das quartas de final será a LDU. O primeiro jogo acontece em casa, no próximo dia 9 de setembro, às 19h (horário de Brasília), enquanto a decisão será na altitude de Quito, no dia 16 de setembro, às 19h (horário de Brasília). Portanto, Abel sabe que o calendário obrigará o Palmeiras a colocar em prática a promessa feita depois do clássico.
Antes de reencontrar o Santos, por exemplo, o Verdão ainda visita o Mirassol, domingo, às 18h30 (horário de Brasília), pelo Brasileiro. A sequência exige administração física, mas o treinador não pretende transformar isso em escolha de competição.
Abel reconheceu o desgaste provocado pelo futebol brasileiro, que envolve partidas consecutivas, viagens e pouco tempo de recuperação. Ainda assim, seu recado foi de que todos dentro do clube terão de conviver com esse cenário enquanto houver objetivos importantes em jogo.
Força do grupo acima do desenho tático
A vitória sobre o Santos também serviu para Abel reforçar uma ideia repetida durante sua passagem pelo Palmeiras: mais importante do que discutir um desenho fixo é entender as funções exercidas pelos jogadores. “O sistema é estático, mas o jogo é dinâmico. Vocês olham no começo e depois as coisas mudam. Me custa discutir sistemas. O sistema dá o que você pede a ele. Gosto de jogar com três zagueiros porque tenho sete atacando e sempre três defendendo. Todos os momentos são importantes”, detalhou o treinador.
Contra o Santos, ele voltou à linha de quatro defensores depois de utilizar três zagueiros em partidas recentes. Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez formaram a defesa, enquanto Marlon Freitas e Andreas Pereira atuaram pelo meio, com Arias, Maurício, Vitor Roque e Flaco López compondo um time bastante ofensivo.
Deu certo, apesar de alguns sustos no primeiro tempo. O Palmeiras criou as melhores oportunidades e encaminhou a classificação sem precisar abrir mão da agressividade. Abel também fez questão de individualizar alguns elogios. Destacou a dedicação de Giay, que, após 94 jogos, deu a primeira assistência para um gol, o segundo gol de Flaco López, e valorizou especialmente Gustavo Gómez. Recuperado de lesão, o capitão voltou ao time contra o Cerro Porteño, no Paraguai e anotou o gol da classificação às quartas de final da Libertadores. Segundo o treinador, o capitão exerce papel fundamental na formação dos jogadores mais jovens.

Abel exalta seu legado
A discussão levou Abel a falar sobre algo maior do que a vitória no clássico. O português voltou a abordar o trabalho construído desde sua chegada, em 2020, passando pela formação na base, recrutamento de jogadores, comissão técnica e participação da diretoria. O treinador afirmou ainda acreditar que a dimensão de seu legado somente será compreendida no futuro.
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Abel já soma 11 títulos no comando alviverde, marca que o colocou como o técnico mais vencedor da história do clube. “Acho que meu legado só vai ser visto quando eu tiver uns 70 anos, mas será visto que eu deixei o clube muito melhor do que eu encontrei. Mas ainda não sei quando vai ser. Isso pra mim é o suficiente.”





