Julián Álvarez chegou a ser cogitado para atuar pelo Atlético de Madrid neste sábado, depois de retomar os treinos na sexta-feira. Mas, no momento em que o time entrou em campo neste sábado, no Ramón Sánchez-Pizjuán, o argentino estava longe de Sevilha. Diego Simeone decidiu não levá-lo para a partida. Sem seu principal atacante das duas últimas temporadas, o clube colchonero venceu por 3 a 1, com dois gols de Álex Baena e outro de Ademola Lookman, chegou aos sete pontos e dorme na liderança do Campeonato Espanhol.
A ausência aumenta ainda mais a sensação de que o caso entrou em sua reta decisiva. Depois de três treinamentos sem participar das atividades do grupo por uma ‘indisposição’, segundo a versão oficial do clube, Julián Álvarez trabalhou sozinho na sexta-feira e novamente neste sábado. Havia expectativa de que pudesse voltar a ser incorporado normalmente, mas Simeone preferiu deixá-lo em Madri. O clube espera que ele volte aos trabalhos coletivos na próxima sessão. Até lá, porém, seu futuro pode estar muito mais claro.

A direção do Atlético de Madrid estabeleceu este domingo como prazo para que Julián Álvarez indique qual caminho pretende seguir. Ou permanece em Madri e volta ao elenco de Simeone ou aceita analisar uma transferência para outro mercado, que pode ser a Inglaterra. A informação sobre o ultimato não foi anunciada oficialmente pelo clube, mas ganhou força às vésperas do encerramento da janela espanhola, marcado para terça-feira. O problema para Julián é que nenhuma das duas alternativas representa aquilo que ele imaginava quando decidiu tornar público, durante a Copa do Mundo, seu desejo de viver uma nova experiência.
Barcelona descartado
O destino desejado pelo argentino era o Barcelona. E o interesse era recíproco. O presidente do Barça, Joan Laporta, confirmou nesta semana que o clube catalão continuava interessado e gostaria que o Atlético aceitasse sua proposta. Segundo a ‘Cadena SER’, o Barça apresentou uma operação próxima dos 100 milhões de euros (cerca de R$ 600 milhões, na cotação atual), muito abaixo das condições estabelecidas anteriormente pelos madrilenhos.
O Atlético sustenta que havia dado ao próprio Julián uma possibilidade de deixar o clube. Para isso, deveria chegar uma proposta de 150 milhões de euros (R$ 900 milhões) até 20 de junho, antes da Copa do Mundo. A condição teria sido colocada por escrito. Nenhuma oferta nessas condições apareceu dentro do prazo. Quando o Barcelona entrou efetivamente em cena, a direção rojiblanca considerava aquela porta fechada.
A partir daí, o negócio deixou de ser tratado apenas pelo aspecto financeiro. Na quinta-feira, o Conselho de Administração do Atlético respaldou de maneira unânime a decisão de não negociar Julián com o Barcelona. Em comunicado oficial, o clube acusou os catalães de não respeitarem os padrões éticos e profissionais exigidos em uma negociação. Miguel Ángel Gil Marín endureceu ainda mais o discurso e deixou aberta a possibilidade de encontrar outro destino caso atacante e clube concluam que continuar juntos se tornou inviável. Para o Barça, porém, a resposta permanece negativa. É justamente aí que Julián fica encurralado.
Vitória muda o ambiente
O Arsenal aparece como principal possibilidade na Inglaterra e o técnico Mikel Arteta já teria se movimentado para tentar convencê-lo. O argentino, entretanto, não demonstrou até agora o mesmo entusiasmo por uma volta à Premier League. Seu objetivo era Barcelona. Sem essa alternativa, terá de escolher entre um destino que não estava no topo de sua lista e a permanência em um ambiente que precisará ser reconstruído.
E o 3 a 1 sobre o Sevilla adiciona um componente interessante à disputa. O Atlético não provou que não precisa de Julián por causa de uma partida. Seria exagero chegar a essa conclusão sobre um jogador que soma 49 gols e 17 assistências em 107 jogos pelo clube. Mas Simeone viu Baena, Lookman, Kang-in Lee e Giuliano formarem um ataque móvel, agressivo e capaz de decidir o confronto ainda no primeiro tempo. Pela primeira vez durante toda a turbulência, o time apresentou dentro de campo uma resposta concreta à ausência de seu camisa 19.

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Agora, a bola volta para Julián Álvarez. Se ficar, terá de recuperar espaço esportivo, reconquistar uma torcida que já o recebeu com vaias e recompor uma relação desgastada com o clube. Se sair, precisará abrir mão do destino que escolheu.





