Acabou a maldição! Finalmente, depois de quatro meses, o São Paulo conseguiu vencer no Campeonato Brasileiro sob o comando de Dorival Júnior. Um sentimento de alívio tomou conta do técnico, jogadores e especialmente torcedores são-paulinos, que comemoraram o fim do jejum como se fosse um título. A vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, na noite deste sábado, no Morumbis, representa muita coisa para o grupo. Não foi uma atuação para entrar na galeria das grandes exibições tricolores. Tampouco significa, por si só, a solução para todos os problemas que atormentam o clube dentro e fora de campo. Mas interrompeu uma agonia que já começava a ganhar contornos de pesadelo: dez jogos sem vencer no Campeonato Brasileiro.
É tempo demais para um clube da grandeza do São Paulo. Tempo suficiente para transformar qualquer vitória em uma espécie de acontecimento extraordinário. E foi exatamente assim que a torcida recebeu o resultado no Morumbis. Na saída do campo, jogadores como Luciano agradeciam o apoio da torcida e admitiam que estavam tirando um peso das costas. Faz sentido. Depois de tanto sofrimento, finalmente conseguiu recuperar aquilo que parecia ter perdido pelo caminho: um pouco de esperança.

A base vem forte
Para Dorival Júnior, então, o significado é ainda maior. É inacreditável que, em praticamente quatro meses de trabalho à frente do São Paulo, esta tenha sido apenas sua primeira vitória no Brasileirão. O treinador já havia chegado ao clube carregando uma sequência de seis partidas sem vencer no comando do Corinthians. A má fase, portanto, parecia ter criado raízes ao redor dele. Nesta noite, enfim, ela foi interrompida.
E talvez não por acaso o personagem escolhido para simbolizar esse pequeno recomeço tenha sido alguém tão improvável quanto o próprio resultado: Gustavo Santana. Aos 20 anos, promovido do sub-20 para substituir o artilheiro Calleri, o garoto entrou em campo com a responsabilidade que normalmente pesa sobre os jogadores mais experientes. E respondeu como um centroavante de ofício: com oportunismo, presença de área e a capacidade de estar no lugar certo quando a bola sobrou no seu pé dentro da área.
O gol nasceu aos 49 minutos. Iago cobrou o escanteio muito aberto. A bola atravessou a área, encontrou Sabino e, na tentativa de cortar, Juninho Capixaba acabou jogando a sobra para o meio. Santana não pensou duas vezes. Bateu de primeira e fez 2 a 0. Um gol de centroavante. Toda vez que um garoto da base vive seu momento de glória, o São Paulo renasce, porque há algo de simbólico nisso.
Olhar para Cotia
O São Paulo construiu parte importante de sua história revelando jogadores. Cotia tornou-se sinônimo de formação, de joias, de talentos que chegam ao profissional e ajudam o clube a conquistar títulos. Gustavo Santana não é exatamente um produto puro de Cotia. Sua formação começou no Santos, rival histórico, onde permaneceu até a categoria sub-17. Depois, passou pelo EC São Bernardo, chegou rapidamente ao profissional, disputou a Copa Paulista e marcou dois gols em seis partidas. O desempenho chamou a atenção do Cuiabá, que o levou para as categorias de base e para o time B. No ano seguinte, ele foi emprestado ao São Paulo. E foi aí que a história começou a ganhar novas cores.
No ano passado, Santana foi titular na maior parte da temporada do sub-20 e marcou 13 gols em 45 jogos. Neste ano, foi titular na Copinha, marcou quatro vezes e ainda deu assistência na final, embora o São Paulo tenha terminado derrotado pelo Cruzeiro. Agora, diante da necessidade do time principal, o garoto recebeu a oportunidade. E não desperdiçou. Talvez seja cedo demais para falar em revelação. Talvez seja precipitado colocar sobre seus ombros a expectativa que tantas vezes destruiu jovens jogadores antes mesmo que eles tivessem tempo para amadurecer. Mas também seria impossível ignorar o simbolismo. Porque, em uma noite em que o São Paulo precisava desesperadamente de uma resposta, ela veio dos pés de um menino.
São Paulo valente
O jogo, aliás, foi muito mais difícil do que o placar pode sugerir.
Pressionado pela sequência negativa, o São Paulo conseguiu encontrar o gol logo aos 12 minutos. Luciano recebeu pela esquerda, entrou na área e dividiu com Pedro Henrique. O defensor tentou afastar a bola, mas acabou derrubando o atacante. Daronco foi chamado pelo VAR, reviu o lance e marcou o pênalti. Luciano bateu rasteiro, firme, no canto direito de Tiago Volpi.
O Bragantino passou a controlar a posse de bola e teve mais iniciativa. O problema do time visitante era transformar domínio territorial em perigo real. O São Paulo, por sua vez, foi pragmático e aproveitou os detalhes para vencer. Um pênalti. Um escanteio. Dois gols.
O segundo gol, já nos acréscimos do primeiro tempo, nasceu de uma bola parada mal afastada pela defesa visitante. Juninho Capixaba cortou mal e colocou a bola onde não deveria. Gustavo Santana estava lá. E, na comemoração, ainda atacou de Homem-Aranha, repetindo um gesto de Raphinha na comemoração do jogador do Barcelona que havia visto na tarde anterior.
“Vi o jogo do Barcelona ontem, vi o Raphinha fazendo e pensei: ‘Ah, vou fazer essa, gostei’”, explicou, cheio de marra.

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Da metade para o final do segundo tempo, o São Paulo recuou. Aceitou a pressão do Bragantino e transformou os minutos finais em um exercício de sofrimento. E, mais uma vez, quase pagou caro por isso. Aos 44 minutos, Mosquera tabelou com Juninho Capixaba, chegou à linha de fundo e cruzou rasteiro. Fernando apareceu dentro da área e completou para o gol. O árbitro marcou impedimento, mas o VAR revisou o lance e confirmou o gol. 2 a 1. O alívio, que parecia estar chegando tranquilamente, voltou a ficar preso na garganta. O São Paulo, porém, resistiu. E acabou com a maldição.





