Os números de Messi na Argentina poderiam dimensionar o que foi o jogador nos 21 anos em que serviu a seleção nacional. Sua última partida foi a final da Copa do Mundo de 2026, contra a Espanha, em New Jersey, nos Estados Unidos. Messi não foi bem. Não tinha mais pernas para a oitava apresentação na competição. A Espanha ganhou por 1 a 1. Messi foi novamente vice-campeão do mundo, como no Mundial de 2014, no Brasil, diante da campeã Alemanha.

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Messi disputou seis Copas do Mundo. Ele encerrou sua carreira no time aos 39 anos, mas não com o futebol. O jogador continua no Inter Miami. Vai ficando até decidir também parar. Por ora, essa possibilidade está descartada. Mas os argentinos não o terão mais na seleção. O desafio é sobreviver se ele, como ocorreu décadas atrás, quando a Argentina perdeu Maradona. É incrível pensar na estreia de Messi na seleção. O primeiro jogo foi em 17 de agosto de 2005, em um amistoso contra a Hungria. Messi entrou no segundo tempo, aos 18 minutos, substituindo Lisandro López. Também usava a camisa 18 e tinha 18 anos. Mas ele ficou em campo por 47 segundos, antes de ser expulso por deixar o braço no rosto do marcador ao tentar se desvencilhar.

Mas Messi foi muito mais do que os números mostram, até porque o começo de sua carreira na seleção não foi dos melhores. Ele sempre encontrou resistência porque não fazia na Argentina o que fazia no Barcelona. E ninguém sabia explicar isso. Nem mesmo Messi, que, por vezes, perdeu a ilusão em sua própria geração. Pelé passou por isso após a Copa do Mundo de 1966, mas voltou em 70. 

Messi foi o coração da Argentina

Quem viu Messi jogar (e tive a sorte de vê-lo em ação no estádio algumas vezes, como nos Jogos Olímpicos de Pequim (2008) e nas finais da Copa do Mundo de 2014 e 2026, entre outras ocasiões) sabe que ele foi muito mais do que números. Messi foi o coração da seleção argentina e o suspeito do torcedor. Ele sempre entendeu o que é torcer pela equipe nacional. Por isso deixava tudo em campo. Messi chorava e sorria com o povo argentino. Nunca reclamou de carregar a equipe nas costas nos fracassos e dividir o peso nas conquistas.

Messi puxa a fila da Argentina na premiação em segundo lugar na Copa do Mundo de 2026 / Fifa

Messi não reclamou o reconhecimento. Ele veio naturalmente. E transformou isso num amor sem fim, uma idolatria que o faz ser do tamanho de Maradona dentro da Argentina, e isso não é para qualquer um. Não há comparações e ela nunca deveria haver. Messi e Maradona foram jogadores de gerações diferentes e de estilos diferentes. E quem acha que Messi era menos “humano” do que Maradona se surpreendeu nos últimos anos. Messi é de carne e osso, como qualquer argentino. E descobrir isso o aproximou do seu povo.

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Ele foi sinônimo de gênio no futebol por anos, sem nunca ter admitido isso uma única vez. Sempre foi líder. Começou com uma liderança técnica que passou para uma de fato entre os companheiros do vestiário. Aquela foto de Messi deixando o vestiário em direção ao campo na Copa do Mundo de 2026, na frente dos outros jogadores, centralizado e de peito aberto, é eterna. Suas jogadas sempre envolveram talento, alegria, malícia e paixão. O que mais o argentino poderia querer? Messi vai deixar saudades nas próximas Copas e nas Eliminatórias. A Argentina não tem outro como ele. E talvez nunca mais tenha.

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