A discussão sobre quem vai conquistar o Campeonato Brasileiro segue concentrada no desempenho de Palmeiras e Flamengo. Entretanto, na outra ponta da tabela, o cenário aponta para um campeonato tão apertado quanto — e talvez muito mais angustiante, pela maior concentração de equipes evolvidas. Encerrada a 25ª rodada, com a derrota do vice-lanterna Remo, por 3 a 2, para o Coritiba, no Mangueirão, nesta segunda-feira, apenas cinco pontos separam o São Paulo, 11º colocado, do Internacional, 18º e dentro da zona de rebaixamento. Entre eles estão outros seis clubes que sabem que uma vitória pode significar alívio e uma derrota, mergulho imediato no Z4.
Ao analisar a pontuação dos clubes é muito fácil dimensionar o problema. São Paulo e Botafogo somam 30 pontos; Vitória e Santos, 29; Grêmio, 28; Mirassol, Vasco e Internacional, 25. São oito equipes comprimidas em cinco pontos. Logo abaixo aparece o Remo, com 23. Isso significa que nove clubes estão separados por somente sete pontos na metade mais perigosa da classificação. E há ainda uma particularidade importante: São Paulo, Botafogo, Santos, Grêmio, Mirassol e Vasco possuem um jogo a menos.

Brasileirão dos desesperados
A linha que separa quem está fora da zona da degola e quem ocupa as quatro piores posições virou quase simbólica. O Mirassol fecha a zona de permanência com 25 pontos. Vasco e Internacional têm a mesma pontuação, mas aparecem dentro do Z4 pelos critérios de desempate. O Remo vem atrás, com 23, enquanto a Chapecoense, lanterna com 14, já se encontra em situação muito mais delicada.
O encerramento da rodada mostrou como alguns minutos podem mudar toda essa geografia. O Remo chegou a virar o jogo contra o Coritiba no Mangueirão e, naquele momento, saltava para 26 pontos, deixava a zona de rebaixamento e empurrava Mirassol, Vasco e Internacional uma posição para baixo. Não conseguiu sustentar a vantagem. Fabinho empatou e Pedro Rocha, justamente ex-jogador do clube paraense, marcou aos 48 minutos do segundo tempo para decretar a vitória do Coritiba por 3 a 2. O Coxa foi a 37 pontos e subiu para a sétima posição; o Remo continuou com 23 e viu escapar uma oportunidade enorme de virar o jogo também na classificação.
Alívio momentâneo
Se Remo e Internacional terminaram a rodada pressionados, quatro integrantes desse bloco conseguiram respirar. O São Paulo encerrou um longo jejum ao superar o Bragantino por 2 a 1 e chegou aos 30 pontos. O Santos venceu o Corinthians por 1 a 0, fora de casa, e alcançou 29. O Grêmio fez 3 a 1 na Chapecoense e foi a 28. E talvez o resultado mais simbólico tenha sido o do Vasco: depois de oito jogos sem vencer, bateu o Cruzeiro por 3 a 1 e chegou aos mesmos 25 pontos de Mirassol e Internacional.
O Inter é quem apresenta um dos sinais mais preocupantes. O Colorado soma nove rodadas sem vencer o Brasileiro. A última vitória foi em 16 de maio, 4 a 1 sobre o Vasco. A equipe gaúcha está em 18º, tem 25 pontos e, ao contrário de boa parte dos concorrentes diretos, já disputou 25 partidas. Ou seja, não possui o jogo pendente que oferece alguma margem a Vasco, Mirassol, Grêmio, Santos, Botafogo e São Paulo.

Próxima rodada aumenta a temperatura
A 26ª rodada tende a aumentar ainda mais a pressão porque colocará vários candidatos à sobrevivência frente a frente. O caso mais evidente será Internacional x Santos, domingo, no Beira-Rio: são quatro pontos separando duas equipes que vivem momentos completamente diferentes. Na segunda-feira, Vitória e Grêmio, separados por apenas um ponto, duelam no Barradão. O Mirassol, que nesta quarta-feira encara o Flamengo em jogo atrasado do primeiro turno, visita o Coritiba, enquanto o Vasco enfrenta o Fluminense no Maracanã. O Remo terá missão ainda mais dura diante do Flamengo, no Mangueirão.
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Com 13 rodadas ainda por disputar para quem já completou 25 jogos, ninguém do bloco intermediário pode se considerar protegido. O São Paulo aparece em 11º, oito posições acima do Internacional, mas a vantagem é de apenas cinco pontos. É aí que está a verdadeira dimensão da luta contra o rebaixamento neste momento do Brasileiro. O Z4 mostra apenas quatro nomes. O campeonato do desespero já envolve muito mais gente.





