Na estratégia do primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil, Cuca imaginou um jogo, mas não funcionou e o resultado até foi comemorado tamanha a superioridade do Palmeiras. Uma semana depois, o comandante do Santos terá de redesenhar o planejamento tático. Se no Nubank Parque o treinador apostou em proteção, velocidade e transições para atacar os espaços deixados pelo rival, nesta quarta-feira, no confronto que começa às 21h30 (horário de Brasília), na Vila, o 3 a 0 da ida obriga sua equipe a assumir riscos, controlar o território e procurar gols desde cedo.

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O problema é que fazer isso sem se desorganizar talvez seja tão complicado quanto conseguir a própria virada. O Santos precisa vencer por três gols de diferença para levar a decisão aos pênaltis e por quatro para resolver durante o jogo a vaga à semifinal. A matemática empurra o time para a frente. Só que também cria o cenário ideal para aquilo que Cuca tentou explorar no primeiro confronto: espaço.

Santos Gabigol
Confirmado como titular, Gabigol chega para o último treino antes do duelo com o Palmeiras na Vila Belmiro / Santos FC

Santos com Neymar e Gabigol

Na ida, o treinador surpreendeu ao deixar Gabigol no banco de reservas e montar o ataque com jogadores mais velozes. Neymar nem viajou. Barreal e Caballero foram utilizados dentro de uma ideia específica diante da característica de marcação individual do Palmeiras. “Se eles marcam individualmente e eu tenho três jogadores rápidos no último terço contra três zagueiros deles, ia ter vantagem”, explicou Cuca depois da derrota. “Foi isso que planejei, mas infelizmente não conseguimos fazer.”

A intenção era atrair, escapar das perseguições e encontrar campo para jogadores capazes de atacar em velocidade. Por isso, Gabigol começou fora. Segundo o próprio técnico, tratou-se de uma decisão técnica. “Não deu certo, mas a ideia era boa”, sustentou Cuca.

O Santos até conseguiu manter o Palmeiras longe de situações claras nos primeiros minutos, mas só levou perigo em uma ação ofensiva, desperdiçada pelo lateral-direito Igor Vinicius cara a cara com o goleiro Carlos Miguel. Depois do primeiro gol, perdeu aquilo que sustentava sua estratégia. A equipe se abriu, deixou de controlar os espaços e terminou dominada. O Palmeiras chegou a dez finalizações no primeiro tempo e construiu uma vitória por 3 a 0 que poderia ter sido mais larga.

Cuca resumiu a quebra do roteiro em uma frase: “A estratégia estava dentro do script até tomar o primeiro gol, estávamos com o controle do jogo”. Agora, porém, não existe mais a possibilidade de esperar o primeiro gol.

Desenho tático mais letal

A escalação preparada para a Vila já deixa clara a transformação. Neymar, ausente da ida, está pronto para começar. Gabigol também deve ser titular. O provável Santos tem Gabriel Brazão; Igor Vinicius, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; Willian Arão, Oliva, Bontempo e Barreal; Gabigol e Neymar. Sai, portanto, a tentativa de montar um ataque voltado para atacar profundidade. Entram dois jogadores que pedem bola, que aproximam setores e aumentam a capacidade do Santos de permanecer no campo adversário.

É aí que começa outro problema para Cuca. O Santos precisa acelerar o jogo, mas não pode confundir velocidade com desespero. Se empilhar jogadores diante da área palmeirense sem proteção adequada para a perda da bola, entregará ao rival aquilo que procurava encontrar no primeiro confronto: campo para correr. O Palmeiras possui jogadores preparados para castigar esse tipo de cenário. Flaco marcou duas vezes na ida. Andreas também deixou o dele. Maurício vive fase goleadora, enquanto Abel dispõe de atacantes capazes de transformar uma recuperação de bola em chegada à área em poucos segundos.

Por isso, talvez o primeiro gol seja ainda mais importante para o Santos do que sugere a vantagem do rival. Se vier cedo, pode mudar o ambiente da Vila, aumentar a pressão das arquibancadas e colocar alguma dúvida em um Palmeiras que chega protegido por enorme vantagem. Mas um gol palmeirense terá efeito inverso: obrigará o Santos a marcar quatro para levar a decisão aos pênaltis. Cuca terá, portanto, de equilibrar duas necessidades incompatíveis: jogar como quem precisa fazer três gols e se defender como quem não pode sofrer nenhum.

Cuca Willian Arão
Willian Arão testa o domínio de bola no treino do Peixe; volante vai ser fundamental na proteção defensiva / Santos FC

Cuca, o estrategista

Essa é a grande inversão em relação à ida. No Nubank Parque, o treinador montou o Santos pensando primeiro em neutralizar o Palmeiras para depois encontrar o espaço. Na Vila, precisará criar o espaço por conta própria, ocupar o campo adversário e produzir volume ofensivo sem desmontar a estrutura atrás. Neymar aumenta a criatividade. Gabigol oferece presença na área. A Vila pode fornecer a atmosfera necessária para transformar um início forte em pressão.

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Mas nenhum desses elementos elimina o principal desafio. Uma semana depois de ver fracassar o plano elaborado para esperar o Palmeiras, Cuca precisa provar que consegue fazer o Santos atacar o rival sem dar brechas para que Abel Ferreira coloque o que mais gosta de enfrentar em equipes adversárias: aberto, ansioso e vulnerável.

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