Chuva forte, clássico pegado, pênalti discutido, expulsão, escolhas dos treinadores e uma virada construída quando o Cruzeiro estava em vantagem. O Atlético-MG venceu o rival por 2 a 1, nesta terça-feira, na Arena MRV, e fechou o confronto em 3 a 2 no placar agregado para se tornar o primeiro semifinalista da Copa do Brasil de 2026. Uma classificação que passou menos pela superioridade durante os 90 minutos e muito mais pela maneira como cada equipe reagiu ao lance que transformou a partida: a expulsão de Villalba.
Mais sobre a Copa do Brasil 2026
Na semifinal, o Atlético-MG só vai conhecer o rival na próxima quinta-feira: sai do clássico Grêmio e Internacional, adversários que duelam a partir das 20h (horário de Brasília), na Arena do Grêmio. No primeiro jogo, o Gre-Nal terminou empatado, sem gols, na semana passada, no Beira-Rio.

Galo se agiganta com um a mais
Até o cruzeirense Villalba levar o segundo cartão amarelo e ser expulso com o vermelho, aos 16 minutos do segundo tempo, quem estava classificado era o visitante. O Cruzeiro abriu o placar aos 30 minutos do primeiro tempo. Kaio Jorge caiu após ser empurrado pelas costas na disputa com Vitão dentro da área, e Raphael Claus apontou o pênalti. O lance provocou discussão. Fred considerou que não houve infração, enquanto Lucas Romero defendeu a marcação. Kaio Jorge ignorou a polêmica e cobrou com categoria para colocar o Cruzeiro em vantagem.
O gol premiava uma equipe que conseguia levar o jogo para um terreno confortável. Em uma noite de muita chuva, o clássico era físico, truncado e com poucos espaços. Cenário perfeito para quem estava na frente e perigoso para um Atlético obrigado a se expor cada vez mais.
Artur Jorge recua, Domínguez ataca
A expulsão obrigava Artur Jorge a reorganizar o Cruzeiro. O treinador, porém, fez isso ao abrir mão dos jogadores que davam ao time capacidade para respirar com a bola. Matheus Pereira, Kaio Jorge e Gerson deixaram o campo de uma vez. Entraram Rojas, Matheus Henrique e Villarreal. Gerson já apresentava sinais claros de desgaste, mas a retirada simultânea das três principais referências técnicas teve um efeito profundo: o Cruzeiro recompôs sua estrutura defensiva, porém perdeu retenção de bola, criatividade e a ameaça que impedia o Atlético de avançar inteiro.
A partir daí, defender deixou de ser uma circunstância e virou o único plano. Do outro lado, Eduardo Domínguez fez o movimento contrário. No dia em que completou 48 anos, o argentino aumentou o peso ofensivo do Atlético e empurrou a equipe para o campo cruzeirense. O prêmio veio com dois personagens que ajudaram a transformar pressão em classificação.
Aos 32 minutos, Fred encontrou Victor Hugo livre na grande área. Com um giro rápido, o centroavante deixou tudo igual. Dez minutos depois, os papéis se inverteram: Victor Hugo participou da jogada e ajeitou para Fred, que anotou o gol da virada. Para um jogador que nunca escondeu ser torcedor do Atlético, não poderia existir roteiro mais simbólico: decidir um mata-mata contra o Cruzeiro, diante da torcida alvinegra, na Arena MRV.
E a reação prolongou a melhor sequência do Galo na temporada. O Atlético entrou no clássico com 13 partidas consecutivas sem perder e, com a vitória, chega agora a 14 jogos de invencibilidade.
Vantagem alvinegra nos mata-matas
A vitória mudou um número que ajudava a alimentar a confiança cruzeirense antes da partida. Nos sete clássicos anteriores disputados na Arena MRV, o Cruzeiro tinha três vitórias, contra duas do Atlético, além de dois empates. Com o 2 a 1 desta terça-feira, o retrospecto no estádio ficou equilibrado: oito jogos, três triunfos para cada lado e dois empates.
Nos confrontos eliminatórios nacionais, porém, a balança volta a pender para o lado alvinegro. Antes do jogo decisivo, eram 11 partidas em mata-matas nacionais, com cinco vitórias atleticanas, três cruzeirenses e três empates. O Atlético havia eliminado o rival ou conquistado o título três vezes, contra duas do Cruzeiro. A classificação desta noite amplia a conta: passam a ser quatro mata-matas vencidos pelo Atlético contra dois do Cruzeiro. Em 12 partidas desses confrontos nacionais, são agora seis vitórias do Galo, três da Raposa e três empates, com 16 gols atleticanos e 14 cruzeirenses. Entram nesse histórico o Brasileiro de 1986, o de 1999 e as Copas do Brasil de 2014, 2019, 2025 e agora 2026.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
No fim, um clássico que começou sendo decidido por Kaio Jorge terminou nas mãos de Domínguez, Fred e Victor Hugo. O Cruzeiro esteve com a vaga enquanto conseguiu controlar o jogo. Perdeu-a quando, com um homem a menos, perdeu também suas principais válvulas de escape. O Atlético percebeu a mudança, atacou sem hesitação e transformou a expulsão de Villalba no ponto de partida de uma virada que vale muito mais do que uma vitória sobre o maior rival: vale a presença entre os quatro últimos sobreviventes da Copa do Brasil.





