João Martins saiu da Arena do Grêmio com uma mistura de frustração e confiança. Frustração pelo 0 a 0 que impediu o Palmeiras de assumir a liderança isolada do Brasileirão e confiança porque, mesmo sem marcar, o time criou o suficiente para vencer. O auxiliar de Abel Ferreira, suspenso pelo STJD, reconheceu a falta de eficácia diante de um Weverton inspirado, mas preferiu olhar para o que vem pela frente. Para ele, ainda há muito campeonato. “Faltam 16 finais”.
A declaração resume o momento do Palmeiras. O time chegou aos 57 pontos, igualando momentaneamente a pontuação do Flamengo, e continua na disputa pelo título. O rival ainda joga na rodada, mas João Martins evitou transformar o resultado em motivo para pessimismo. Na avaliação dele, o Palmeiras continua próximo da liderança e ainda terá o confronto direto com o Fla em casa. A ideia interna é tratar cada uma das partidas restantes como uma decisão. E continuar na cola do líder. “Faltam 16 finais. Jogo a jogo. Já colocamos esse objetivo internamente. Hoje, infelizmente, não conseguimos nossos objetivos. Mais vale um ponto do que nenhum. Se o primeiro colocado ganhar, ficamos a um jogo de distância, ainda temos o confronto direto, por isso tudo está em aberto.”

O principal ponto de cobrança, entretanto, foi a falta de eficiência. O Palmeiras finalizou 29 vezes, acertou a trave em duas e criou uma série de situações de gol. Weverton foi o grande responsável pelo empate do Grêmio, sem gols, com uma atuação de destaque, talvez a sua melhor do ano. João Martins fez questão de reconhecer a partida do goleiro, mas também colocou sobre o próprio Palmeiras a responsabilidade pelo resultado. Para ele, diante de tantas chances, faltou fazer aquilo que decide um jogo: colocar a bola para dentro.
Auxiliar defende o time
A postura do auxiliar mostra que o Palmeiras não pretende transformar o empate em justificativa para uma queda de rendimento. O discurso é o contrário. O Palmeiras produziu futebol, controlou boa parte do jogo e terminou com volume ofensivo superior ao rival. A preocupação está em transformar essa produção em gols, porque a margem de erro diminui à medida que o campeonato se aproxima das rodadas finais. O ponto conquistado em Porto Alegre foi considerado importante, mas ficou a sensação de que era possível voltar para São Paulo com a vitória.
João Martins também aproveitou a entrevista para falar sobre a pausa provocada pela Data-Fifa. O Palmeiras perderá jogadores para diferentes seleções e terá um período sem o elenco completo para trabalhar. Por isso, o planejamento será voltado para recuperação física e mental dos atletas. O segundo passo será retomar conceitos que a comissão técnica considera fundamentais para a reta decisiva, quando o time terá compromissos importantes no Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. É tudo ou nada para o Palmeiras agora.
Três competições
A preocupação com o desgaste não é pequena. O Palmeiras está envolvido nas três principais competições do calendário e chega à reta final após uma sequência pesada de jogos. Ao mesmo tempo em que precisa continuar competindo por títulos, a comissão técnica terá de administrar jogadores convocados e um calendário apertado. João Martins, por isso, tratou a parada não apenas como um intervalo, mas como uma oportunidade para reorganizar o grupo e recuperar os atletas para os últimos meses do ano. O próximo compromisso do Palmeiras será em 8 de outubro, contra o Bahia, no Nubank Parque. Até lá, a comissão terá de esperar o retorno dos convocados e avaliar as condições físicas do elenco. Abel tem de pagar mais um jogo de gancho.
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O recado de João Martins, portanto, foi menos sobre o empate com o Grêmio e mais sobre a maneira como o Palmeiras pretende encarar o que resta de 2026. O time deixou pontos pelo caminho, mas não perdeu a perspectiva da temporada. “Faltam 16 finais” significa que ainda não há espaço para conclusões definitivas: nem o 0 a 0 apaga a força demonstrada em Porto Alegre nem a falta de gols pode ser ignorada.





