Abel Ferreira está acostumado a carregar o peso das decisões no Palmeiras. Pela sua personalidade, provocações e desgaste após cinco temporadas no clube. Quando o time ganha, é o treinador que recebe boa parte dos elogios. O time é tratado como “o Palmeiras, de Abel”. Quando perde ou joga mal, é natural que seja o primeiro a ser questionado. O problema é quando essa conta começa a ser colocada quase exclusivamente nas costas do técnico. O momento do Palmeiras exige uma divisão maior de responsabilidades. Tem a gestão de Anderson Barros que deixou a desejar e agora é hora de os jogadores responderem em campo. São todos bem pagos e pagos em dia. O elenco comprou a ideia do técnico de acelerar ao máximo nessa reta final, mesmo se lá na frente faltar gasolina. A tática do Abel é essa.
Não há dúvida de que Abel tem participação na fase atual do Palmeiras, segundo colocado e cobrado pelo torcedor. O treinador escolhe a escalação, define o modelo de jogo, faz as substituições e precisa encontrar soluções para um time que perdeu rendimento. Mas também é preciso olhar para dentro do campo. O Palmeiras desperdiçou pontos contra adversários inferiores porque jogou mal, perdeu gols e não foi “eficiente”. O gol parece grandão na frente dos atacantes. Há jogadores devendo, como Vitor Roque e Piquerez. Há explicações para tudo, mas o fato é que eles precisam jogar mais. A temporada chega numa hora de decisão.

Contra o Botafogo, por exemplo, o Palmeiras finalizou 17 vezes e acertou apenas cinco no gol. Isso depende do Abel? Não. O time teve uma chance clara com Maurício, mas o meia engrossou. Gustavo Gómez foi apontado como o melhor palmeirense em campo, enquanto o setor ofensivo voltou a apresentar dificuldades para criar e concluir. Até criou, mas não concluiu. Abel responde pelo elenco, mas o elenco tem de responder pelo rendimento durante os 90 minutos.
Barros e Leila também são cobrados
Portanto, os jogadores merecem as cobranças. Se não ganhar nada na temporada, a culpa é do tripé que une Leila, Abel e jogadores. A direção de futebol não “achou” jogador no mercado. A presidente segurou o dinheiro e vive com déficit. Vendeu Allan para salvar as contas. Abel está perdido e cheio de explicações estapafúrdias. Não admite o simples e o óbvio. Mas ele não entra em campo. Não é Abel quem precisa acertar o passe, ganhar o duelo individual, fazer o gol ou tomar a decisão correta dentro da área. Nem calibrar o pé, embora tenha dado chutes em microfones. O treinador pode organizar, orientar e substituir. Mas, quando a bola rola, existe uma parcela grande de responsabilidade que pertence aos atletas.
Quem está respondendo?
Gustavo Gómez continua sendo um dos jogadores que mais entregam. O zagueiro foi o destaque contra o Botafogo, com 97% de precisão nos passes e três desarmes. É um dos poucos que mantêm um nível de regularidade mesmo quando o time não funciona. Giay também merece ser colocado entre os que estão crescendo. O argentino teve boas atuações recentes, inclusive contra Santos e Botafogo. Contra o Santos, pela Copa do Brasil, fez três desarmes e foi considerado um dos melhores do Palmeiras.

Flaco López é outro nome que apresentou resposta. Contra o Santos, marcou dois gols e teve atuação de destaque, mostrando que pode ser uma alternativa importante para o ataque. Mas não se pode apostar tudo em um único jogador. Andreas Pereira tem mostrado disposição e participação. Contra o Botafogo, se arriscou na frente. Mas pode render mais. Suas bolas paradas são perigosas. E há Maurício, que vive uma situação curiosa. Tem participado, cria oportunidades e aparece no ataque, mas precisa melhorar no momento decisivo. É muito afobado. Sente a fase ruim do time. Contra Santos e Botafogo, teve chances e não conseguiu marcar.
E quem precisa reagir?
O caso mais evidente é de Vitor Roque. O atacante tem um gol nos últimos 16 jogos e foi publicamente cobrado por Abel, que questionou sua linguagem corporal. Ele está triste, disse o treinador. Mais do que isso, Vitor Roque joga mal. É evidente que o treinador precisa encontrar a melhor maneira de recuperar o jogador, mas também chegou a hora de Vitor Roque mostrar por que o Palmeiras investiu tanto dinheiro (R$ 150 milhões) nele. O atacante tem qualidade e já mostrou isso. São sete gols em 30 jogos no ano, mas a expectativa é maior. O Palmeiras precisa de um centroavante que decida jogos.

Felipe Anderson entrega pouco. O jogador teve momentos melhores recentemente, inclusive contra o Botafogo, quando participou da recomposição e criou algumas jogadas. Mas ainda existe uma distância entre aquilo que se esperava dele e aquilo que apresenta. Já deu para saber que ele é “jogador para compor elenco”. E isso não cabe mais. Andreas é outro que pode render mais. Ele tem qualidade técnica, participa da construção e oferece bola parada, mas ainda não assumiu o seu lugar. Tem ainda Maurício: que corre, mas nem sempre acerta. Não adianta ser um dos jogadores que mais finalizam se as chances claras continuam terminando fora do gol.
O problema é coletivo
Seria injusto também colocar toda a responsabilidade nos jogadores. O Palmeiras sofre com lesões, elenco curto e mudanças constantes no setor ofensivo. A gestão errou em 2026. Por isso que os jogadores mais experientes precisam aparecer agora, individualmente e como equipe.
Mas há uma discussão nos bastidores do clube: até onde Abel consegue chegar. Ele deve assumir a culpa pelos resultados? Ele tem muita responsabilidade. Algumas escolhas precisam ser questionadas. Mas existe um risco quando toda derrota termina em uma discussão sobre o treinador: os jogadores acabam protegidos. E deve ser assim. Se o Palmeiras pretende disputar três competições até o fim do ano, precisa de 11 jogadores comprometidos, reservas capazes de mudar partidas e atletas assumindo responsabilidade nos momentos decisivos. O Palmeiras não é apenas Abel. A fase ruim é de todos no clube. Abel precisa melhorar ou deixar o cargo. Mas os jogadores também têm de jogar mais.
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A torcida cobra o treinador, a diretoria pode avaliar o planejamento e a comissão técnica pode procurar soluções. Mas chegou a hora de os principais jogadores do elenco olharem para dentro e responderem à pergunta mais simples do futebol: quando o time precisa ganhar, quem vai colocar a bola no gol? Os caras precisam aparecer. Porque, no fim, não é Abel quem joga. São os jogadores. E agora é deles a responsabilidade de mostrar se o Palmeiras ainda tem força para ser campeão.





