O Fluminense alcança de novo a posição entre os quatro melhores do torneio mais badalado da América do Sul. A façanha ganha outra dimensão quando confrontada com a história: esta será apenas a terceira semifinal de Libertadores do clube das Laranjeiras. Nas duas edições anteriores, em 2008 e 2023, o time chegou à decisão. Na primeira, terminou como vice-campeão, na final contra a LDU, no Maracanã. Na segunda, também em casa, derrotou o Boca Juniors e conquistou o título. Agora, depois de sobreviver a uma noite de enorme tensão contra o Platense, volta ao lugar em que até hoje sempre encontrou passagem para a decisão.
A classificação, porém, veio acompanhada de um aviso. Depois de vencer por 2 a 0 no Maracanã, o Flu chegou a Buenos Aires com a vantagem de poder perder por até um gol de diferença. No primeiro tempo, a vantagem ruiu e virou um sufoco. Mainero abriu o placar aos 30 minutos e Sepúlveda marcou o segundo aos 47. Se o primeiro tempo mostrou tudo aquilo que o Flu não poderá repetir na semifinal, o segundo recuperou algumas das virtudes que explicam a transformação da equipe nas últimas semanas, desde a saída do técnico Luiz Zubeldia e a aposta em Marcão, como treinador interino.

Reação do incrível Hulk
O gol salvador saiu aos 11 minutos. Canobbio interceptou um passe, Martinelli acelerou a transição e Hulk encontrou o uruguaio do jeito que ele gosta. O atacante fez o gol que devolveu ao Fluminense a vantagem no confronto. Depois disso, Hulk ainda desperdiçou duas chances para acabar com a pressão. O goleiro Fábio apareceu quando foi necessário. Já havia feito grande defesa antes do primeiro gol argentino e voltou a salvar o time na etapa final. A derrota por 2 a 1 classificou o Tricolor por 3 a 2 no agregado.
O roteiro da classificação precisa ser colocado em outra perspectiva. O Fluminense estava diante de um Platense, estreante na Libertadores, e entrou protegido pela vantagem de dois gols construídos no Rio. Mesmo assim, permitiu que essa gordura desaparecesse em 45 minutos. Na semifinal, diante de Palmeiras ou LDU, que jogam em Quito, nesta quarta-feira, às 19h, o risco será maior, pois ambos possuem mais tradição e já foram campeões da Libertadores. Os duelos estão marcados para as semanas entre 13 e 22 de outubro.
O fator Marcão
Por outro lado, sobreviver também faz parte de uma competição como a Libertadores. E é impossível separar essa classificação do que Marcão produziu desde que voltou ao banco tricolor. A resposta do Flu mudou seu status. Depois das vitórias sobre Palmeiras e Remo pelo Brasileiro e da classificação diante do Independiente Rivadavia nas oitavas de final, nos pênaltis, na Argentina, a diretoria analisou o trabalho e deve efetivá-lo. Não há uma data de validade estabelecida para a discussão de um novo contrato: a avaliação será feita ao fim da temporada.
Chegar à semifinal continental aumenta o peso dessa avaliação. Marcão não é mais apenas o funcionário da comissão permanente chamado para atravessar uma crise. E poderá dar um final feliz a uma missão que começou como reconstrução em uma das campanhas mais importantes da história do clube. Se passar o Palmeiras, Marcão encontra o rival que derrotou em sua estreia nesta passagem pelo comando. Se avançar a LDU, surge um oponente ligado à história continental do Tricolor das Laranjeiras: algoz na final da Libertadores de 2008 e da Sul-Americana de 2009. No terceiro encontro, o clube equatoriano perdeu a decisão da Recopa de 2024.
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O Fluminense voltou ao grupo dos quatro melhores da América e mantém uma curiosa escrita: sempre que chegou à semifinal, alcançou a decisão. Para preservar esse roteiro em 2026, porém, precisa levar para outubro muito mais do segundo tempo na Argentina, e nunca mais aqueles primeiros 45 minutos.





