Havia todos os ingredientes para mais uma daquelas noites que entram para a história da Neo Química Arena. Jogo amarrado, tensão crescente, gol sofrido quando a disputa parecia caminhar para os pênaltis e, já no limite dos acréscimos, a oportunidade de ressuscitar. O Corinthians teve tudo isso. Teve até a bola colocada na marca da cal para sobreviver. Mas Memphis Depay, o jogador contratado para ser o diferencial nos momentos decisivos, mandou a cobrança para longe. Muito longe.
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O Estudiantes venceu por 1 a 0 nesta quarta-feira, depois do empate por 1 a 1 em La Plata, e eliminou o Corinthians nas quartas de final da Libertadores. Alexis Castro, também autor do gol argentino no primeiro confronto, decidiu outra vez. Aos 41 minutos do segundo tempo, Tomás Palacios foi ao limite da linha de fundo e rolou para trás. Castro acertou de primeira, com violência e precisão, sem chance para Hugo Souza.

Corinthians sem alma e garra
Foi um golpe ainda mais duro pela maneira como o jogo havia sido construído. O Corinthians não fez uma grande partida, mas também não permitiu que o Estudiantes transformasse o confronto em domínio argentino. Carrillo levou perigo de fora da área no primeiro tempo, Matheus Bidu obrigou Muslera a trabalhar na etapa final, no único chute de perigo. Porém, o time de Fernando Diniz passou longos períodos sem encontrar espaços e, assim, sem acelerar uma partida que precisava vencer diante de sua torcida.
O Estudiantes soube conviver com esse cenário. Esperou. Travou as ações na defesa, pressionou a saída quando encontrou condições e não demonstrou pressa. As tentativas argentinas anteriores ao gol passaram para fora. Quando apareceu a oportunidade mais limpa, Castro não perdoou. Na prática, o primeiro grande golpe na direção de Hugo Souza foi aquele que colocou o time de La Plata na semifinal.
A partir daí, o Corinthians perdeu qualquer possibilidade de administrar emoções. Virou ataque contra defesa, bola levantada na área e desespero. Até que González Pírez colocou a mão na bola dentro da área já aos 55 minutos do segundo tempo. Pênalti, que só foi confirmado após o juiz venezuelano Jesús Valenzuela consultar o VAR. Era a chance de apagar tudo o que havia sido ruim e transportar a decisão para as cobranças.
Memphis estraga tudo
O roteiro parecia preparado para Memphis Depay ser o herói de uma virada épica, afinal é o jogador tratado desde sua chegada como uma das figuras capazes de resolver partidas desse tamanho. Só que o holandês bateu por cima do gol. A bola voou para o lado onde fica o setor ocupado pela Gaviões da Fiel. Com ela, foi também a última esperança corintiana. Instantes depois, o árbitro encerrou a partida.
A frustração ganha peso quando se olha para a história. O Corinthians tentava voltar à semifinal da Libertadores depois de 14 anos. O clube chegou entre os quatro melhores apenas duas vezes: em 2000, quando foi eliminado pelo Palmeiras, e em 2012, na campanha invicta que terminou com o título sobre o Boca Juniors. Portanto, uma classificação diante do Estudiantes significaria a terceira semifinal de Libertadores da história alvinegra.
A Neo Química Arena, outra vez, não conseguiu ser a solução continental imaginada pelo corintiano. Antes deste confronto, o Corinthians havia disputado dez mata-matas de Libertadores com partidas em Itaquera: eram quatro classificações e seis eliminações. Com a queda diante do Estudiantes, o balanço passa a sete eliminações em 11 confrontos. Entre elas estão Guaraní-PAR, em 2015 e 2020, Nacional-URU, em 2016, Colo-Colo-CHI, em 2018, Flamengo, em 2022, Barcelona de Guayaquil-EQU, em 2025, e agora o Estudiantes.
Se ampliado o olhar para a Sul-Americana, o histórico recente também reúne frustrações. Racing-ARG, em 2017 e 2024, Independiente del Valle-EQU, em 2019, e Fortaleza, em 2023, eliminaram o Corinthians em mata-matas que tiveram partidas disputadas em Itaquera. São, portanto, 11 confrontos eliminatórios de competições da Conmebol com jogo na Arena que terminaram com o Corinthians eliminado.
Adeus ao recorde brasileiro
A queda também derruba um sonho que não era apenas corintiano. Fluminense e Palmeiras já estão classificados e se enfrentarão de um lado da chave. Caso Corinthians e Flamengo também avançassem, a Libertadores teria, pela primeira vez na história, quatro semifinalistas do mesmo país. O máximo até hoje havia sido três brasileiros, marca alcançada em 2021, 2022, 2023 e 2024.

Agora o Estudiantes espera. O adversário sairá de Flamengo x Independiente del Valle, nesta quinta-feira, no Maracanã. O Rubro-Negro venceu por 2 a 0 em Quito e pode até perder por um gol de diferença para avançar. Se confirmar a vantagem, haverá reencontro entre Flamengo e Estudiantes. Mas não uma repetição da semifinal passada. Em 2025, os dois se enfrentaram nas quartas de final: o Estudiantes venceu a volta por 1 a 0 em La Plata, igualou o confronto e levou a decisão aos pênaltis, quando Rossi defendeu duas cobranças e colocou o Flamengo na semifinal contra o Racing.
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Para o Corinthians, sobra uma imagem difícil de apagar: aos 55 minutos do segundo tempo, com quase 50 mil vozes esperando pelo empate, Memphis tinha nos pés a possibilidade de prolongar o sonho. Chutou para longe, e a semifinal também foi embora.





