Atlético-MG e Santos fizeram nesta quarta-feira, na Arena MRV, uma partida com todos os ingredientes de uma grande decisão. Foram gols, alternâncias, tensão, entrega e emoção até o último minuto. No fim, o Galo venceu nos pênaltis, por 3 a 1, depois de ganhar o jogo por 4 a 2 no tempo normal e devolver ao Santos a derrota de 2 a 0 na Vila Belmiro. Na semifinal, o clube brasileiro encara o vencedor do confronto entre Montevideo City Torque e Cienciano, que jogam nesta quinta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), em Montevidéu, no Uruguai. No primeiro confronto, o time peruano venceu por 2 a 0.
Foi um daqueles jogos para testar o coração das duas torcidas. O Atlético precisou de apenas 17 segundos para abrir o placar, com Bernard, após passe de Fred, e incendiar a Arena MRV. O Santos sentiu o golpe. O Galo, não. Seguiu pressionando, ocupando o campo de ataque e transformando a partida em um exercício permanente de pressão. Reinier fez o segundo, novamente com assistência de Fred, e deixou tudo igual no confronto.

Duelo eletrizante
O Santos encontrou o gol numa cobrança de falta lateral. A bola foi levantada para a área e Lyanco, tentando cortar, marcou contra. O gol não mudou o comportamento do Atlético nem da torcida. O time mineiro continuou mais agressivo, atacando com coragem e encontrando espaços. Reinier marcou novamente, desta vez depois de um belo lançamento de Lodi. O Santos pouco incomodava Gabriel Delfim, e a defesa atleticana fechava bem os caminhos.
Cuca voltou para o segundo tempo com duas mudanças. Artur entrou no lugar de Gustavo Melo e Lucas Veríssimo substituiu Luan Peres. O Santos melhorou a saída de bola, passou a controlar melhor as ações e encontrou mais espaços para atacar. Mas o jogo continuava aberto, com as duas equipes procurando o gol. Fred seguia comandando o meio-campo atleticano e encontrando os melhores caminhos. Pelo Santos, Gabigol incomodava a defesa mineira. E foi do camisa 9 o gol que parecia encaminhar a classificação santista.
Artur, que acabou de chegar à Vila, lançou Gabigol em profundidade. Lyanco tentou cortar de carrinho e furou. A bola ficou limpa para o atacante sair na cara de Delfim e tocar por baixo do goleiro. Era o segundo gol do Santos e o sexto de Gabigol na Sul-Americana, o vigésimo dele na temporada. O placar colocava o Peixe na frente no confronto e, com o relógio avançando, a semifinal começava a parecer uma realidade. Parecia.
Nos minutos finais, a torcida do Atlético voltou a buscar força na mística de um canto que já virou trilha sonora dos milagres recentes do Galo. “Eu acredito, eu acredito, eu acredito.” O coro que tantas vezes acompanhou momentos históricos do Galo ganhou novamente a Arena MRV. E, aos 47 minutos do segundo tempo, na base do desespero, entre tantas bolas levantadas na área, o Atlético encontrou o empate. Cuello apareceu entre os zagueiros santistas e cabeceou com precisão.
Peixe fracassa
Um castigo para o Santos, que tinha a classificação nas mãos e já entrava naquela fase da partida em que o jogador olha para o relógio mais do que para o adversário, esperando apenas o apito final. Vieram os pênaltis. Mais adrenalina para um jogo que já havia oferecido praticamente tudo. E não há como falar em injustiça quando duas equipes chegam àquele momento depois de 90 minutos de tanta entrega. O futebol, nessas circunstâncias, também é decidido pelo detalhe, pelo momento e, algumas vezes, pela mão de quem está debaixo das traves.
E ali apareceu a estrela de Gabriel Delfim. Substituto do ídolo Everson, o garoto de 20 anos pegou três cobranças e virou o personagem principal da noite. Gabigol e Artur, justamente dois dos melhores jogadores do Santos no segundo tempo, pararam nele. João Schmidt também desperdiçou. Não perderam; pararam nas mãos do anjo Gabriel, o goleiro iluminado pela noite mais importante de sua ainda curta carreira.

Para o Santos, a eliminação dói ainda mais porque a Sul-Americana representava um farol dentro de um processo de reconstrução que começa a ganhar forma. Com o aporte financeiro do grupo ligado a Neymar, o clube fez boas contratações na última janela, encorpou um elenco que passou boa parte da temporada cambaleando e começa a apresentar sinais de uma mudança de rumo. Há um mês, o Santos estava na zona de rebaixamento do Brasileirão. Agora, chega a três vitórias consecutivas no campeonato e mostrou, nesta noite, que já pode competir em outro nível.
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Mas a derrota também devolve ao Santos uma dose dura de realidade. O projeto ainda está em construção. O time melhorou, ganhou jogadores, recuperou confiança e voltou a fazer o torcedor sonhar. Só que ainda não está pronto para tratar o sonho de um título como algo assegurado.





