O Vasco chegou à semifinal da Sul-Americana, mas a classificação diante do Independiente Santa Fe representa algo maior do que uma simples vaga entre os quatro melhores do torneio. A vitória por 2 a 0 em São Januário mostrou um time que começa a ganhar uma nova cara, e respeito, no momento em que o clube vive uma profunda transformação fora de campo. Os reforços da janela e o projeto de SAF apresentado por Marcos Lamacchia começam a formar um novo capítulo do futebol vascaíno.
A mudança mais visível está no elenco. O Vasco encerrou a janela com seis novos jogadores: Paulinho, Santiago Sosa, Alan Lescano, Facundo Colidio, Bruno Duarte e Gabriel Pereira. A estratégia foi combinar contratações em definitivo, empréstimo e jogadores que chegaram sem custos, numa tentativa de aumentar a qualidade do grupo sem depender da conclusão da venda da SAF. Mas a verdade é que o herdeiro dos Lamacchia já comanda o clube e até viaja com a delegação nos jogos.

Dois desses reforços foram protagonistas contra o Santa Fe nesta terça. Bruno Duarte marcou o primeiro gol, enquanto David fez o segundo, em uma partida na qual o Vasco teve controle durante boa parte do confronto. A classificação, portanto, não veio apenas como consequência da reformulação, mas já apresenta alguns dos novos jogadores participando diretamente de um resultado que coloca o clube em uma semifinal continental pela primeira vez desde 2011. Há, portanto, um avanço no trabalho de gestão.
Elenco competitivo
O movimento no mercado, porém, precisa ser observado dentro de uma realidade financeira ainda delicada. Não há dinheiro para nada e há dívidas para pagar. O Vasco conseguiu montar o novo elenco utilizando diferentes formatos de pagamento e compromissos futuros. A operação mostra que o clube encontrou maneiras de reforçar o time mesmo antes da definição definitiva sobre o controle da SAF, mas também deixa claro que investimento em futebol e capacidade de pagamento precisam caminhar juntos.
Aporte de R$ 500 milhões
É nesse ponto que entra Marcos Lamacchia. A proposta apresentada pelo empresário prevê R$ 500 milhões em aportes destinados ao futebol, incluindo elenco, comissão técnica e contratações. O projeto ainda prevê recursos para o centro de treinamento e para as categorias de base, além do compromisso com dívidas e com o déficit de caixa projetado para os próximos anos. O pacote total do acordo supera R$ 3 bilhões, segundo os valores apresentados na proposta.
A ideia, portanto, é mudar a lógica do Vasco. Em vez de montar elencos a partir de oportunidades pontuais e limitações imediatas de caixa, o projeto de Lamacchia prevê uma estrutura de investimento de longo prazo. A contratação de seis jogadores nesta janela pode ser vista como um movimento inicial, mas não representa, por si só, o tamanho do projeto apresentado para a SAF. A eventual conclusão da operação é que definirá a capacidade de transformar esse plano em investimento recorrente.
Dentro de campo, o técnico Pedro Emanuel começa a colher os primeiros resultados dessa mudança de perfil. O Vasco venceu o Grêmio em Porto Alegre pelo Campeonato Brasileiro e, poucos dias depois, eliminou o Santa Fe com uma atuação segura em São Januário. O time ainda tem uma situação delicada no Brasileirão e precisa dividir a atenção entre a luta contra a parte de baixo da tabela e a disputa continental, mas a Sul-Americana passou a oferecer uma perspectiva diferente para o ano: título e dinheiro.
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A semifinal é, portanto, uma espécie de fotografia do novo momento do Vasco: um clube ainda em transição, mas com um elenco mais encorpado e um projeto financeiro que pode alterar sua realidade nos próximos anos. A classificação contra o Santa Fe não significa que a transformação esteja concluída — muito pelo contrário. Mas mostra que, antes mesmo de a nova SAF de Lamacchia estar consolidada, o Vasco já tenta construir a imagem do clube que pretende ser fora dele: mais competitivo, estruturado e capaz de disputar decisões continentais.





