A eliminação do São Paulo para o Boca Juniors, nas quartas de final da Copa Sul-Americana, terminou com Dorival Júnior com o peso de uma atuação que ficou muito abaixo do que o treinador esperava. Depois do empate por 1 a 1 no Morumbis, que confirmou a queda tricolor por 2 a 1 no placar agregado, o técnico foi direto ao apontar onde, em sua avaliação, a classificação começou a escapar: nos primeiros 45 minutos.
“Tivemos um primeiro tempo irreconhecível, em todos os aspectos”, resumiu Dorival. A avaliação reproduziu o que já havia sido possível perceber ainda durante a partida. Na parada para hidratação, quando o São Paulo acumulava erros de passe e encontrava enorme dificuldade para fazer o jogo avançar, o treinador reuniu os jogadores e cobrou calma: “Tudo que podíamos errar, já erramos”, completou o treinador.

Ao longo da entrevista coletiva, Dorival aprofundou a crítica. Segundo o comandante, a equipe esteve fora do jogo na primeira etapa, sem conseguir estabelecer posse, circulação de bola ou criação. O treinador afirmou que poderia ter realizado várias alterações ainda naquele momento sem que isso causasse surpresa, tamanho o desconforto com o rendimento coletivo.
São Paulo desgovernado
Para Dorival, o problema passou também pelo excesso de nervosismo. O treinador disse ter tentado transmitir tranquilidade aos jogadores, pedindo mais segurança com a bola e melhores opções de passe. Na avaliação do técnico, porém, o São Paulo não conseguiu executar o que havia sido planejado e foi perdendo confiança à medida que os erros se repetiam.
“Fiquei com a mesma sensação. Tentei pontuar isso, para termos mais tranquilidade, para fazer com mais segurança, para dar opções ao companheiro. Não foi o que vimos. O primeiro tempo foi muito complicado, com nervosismo excessivo, e isso comprometeu nosso rendimento”, lamentou o treinador, que tentou chacoalhar o elenco no vestiário.
Dorival não procurou transferir a responsabilidade. Questionado sobre os problemas financeiros do clube e os atrasos nos pagamentos aos jogadores, afastou qualquer tentativa de relacionar a situação administrativa ao desempenho diante do Boca. Para ele, esse cenário não poderia servir de argumento para explicar a eliminação.
O treinador reconheceu que os resultados não têm acompanhado aquilo que considera uma evolução da equipe. Ao mesmo tempo, admitiu que, em uma partida decisiva, a expectativa era por uma atuação diferente. “Perdemos a confiança de jogar em função dos nossos erros de passe, e isso aconteceu a todo momento. Não é que passamos apertado ou tivemos muitas dificuldades, mas a impressão é que perdemos 45 minutos sem a possibilidade de ter a bola, criarmos, e isso comprometeu nosso resultado”, lamentou.
Pressão da torcida
Essa cobrança ganhou um peso ainda maior quando Dorival falou sobre a torcida. O treinador voltou a elogiar o comportamento dos são-paulinos e reconheceu que a equipe não tem conseguido devolver dentro de campo o apoio recebido nas arquibancadas. Para ele, o torcedor vem sendo um diferencial em favor do time. O problema é que a resposta esportiva não acompanha esse movimento. “A torcida vem fazendo pelo clube algo impressionante, tem sido um diferencial. Estamos em uma obrigação com o torcedor, e cada dia aumenta mais essa dívida”, disse Dorival.

Não é a primeira vez que o treinador utiliza essa expressão. Em agosto, depois do empate com o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro, no Morumbis, Dorival já havia reconhecido que o São Paulo estava devendo ao torcedor e assumido a responsabilidade pela sequência ruim. Um mês depois, a cobrança reaparece em um momento ainda mais pesado: agora sem a Sul-Americana e, portanto, sem uma competição de mata-mata para mudar o rumo da temporada.
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A Sul-Americana acabou. A cobrança, não. O São Paulo volta agora todas as atenções para o Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso será contra o Internacional, no sábado, novamente no Morumbis. Sem possibilidade real de disputar o título nacional e ainda obrigado a manter distância da parte de baixo da tabela, o desafio passa a ser terminar a temporada dando alguma resposta ao torcedor. E, pelas palavras de Dorival, essa responsabilidade começa dentro do próprio São Paulo.





