O Vasco já começa a desenhar o futebol de 2027 com o empresário Marcos Lamacchia no comando. Ele já traça os caminhos e acompanha o time nas partidas, mesmo antes da conclusão formal da venda da SAF. O futuro novo dono do clube, por meio da empresa Almirante Participações, é o único candidato a assumir 90% da sociedade e já avançou nas conversas com o presidente Pedrinho sobre o futuro do departamento de futebol. A ideia é trabalhar com diferentes cenários para fortalecer o elenco na próxima temporada, independentemente do desfecho das competições de 2026. O Vasco será mais forte e mais bem estruturado.

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A aproximação ganhou força porque Marcos Lamacchia já colocou dinheiro na operação do Vasco. Em julho, a Justiça autorizou um empréstimo de R$ 40 milhões da Almirante ao clube, no formato DIP, utilizado por empresas em recuperação judicial. O valor foi liberado para ajudar no fluxo de caixa e nos compromissos da recuperação judicial. Caso a Almirante seja confirmada como compradora da SAF, como se desenha, esse valor será descontado dos aportes previstos na operação. Portanto, trata-se de um financiamento antecipado, e não de um aporte definitivo já incorporado à nova SAF.

Marcos Lamacchia já trabalha no Vasco mesmo antes de ter a SAF sobre o seu comando / Vasco

A Crefisa, que pertence ao pai de Marcos, José Roberto Lamacchia, e a Leila Pereira, sua mulher e presidente do Palmeiras, também fez um empréstimo ao clube de R$ 80 milhões nos mesmos moldes em outubro de 2025. Esse valor, conforme reza o acordo, pode ser convertido em participação societária.

Novos jogadores neste ano

O movimento da família Lamacchia mostra uma situação particular: embora a operação ainda não esteja concluída, o futuro controlador já participa das conversas que envolvem o planejamento esportivo do clube. O representante jurídico de Marcos Lamacchia afirmou anteriormente que o investidor se responsabilizaria pelo impacto financeiro de eventuais gastos realizados na janela de transferência, caso a operação fosse concluída. O time se reforçou e começa a respirar fora da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. “Esperando a decisão da Justiça para liberar o leilão e transformar o Vasco”, disse o empresário recentemente.

A lógica é preparar o terreno para que a transição não comece apenas depois da assinatura final. Marcos é inteligente. Quando a papelada for liberada, o empresário já terá o Vasco forte em suas estruturas e também no futebol dentro de campo. O torcedor está com ele.

Investimento de R$ 500 milhões

O projeto apresentado ao Vasco prevê R$ 500 milhões destinados ao futebol ao longo de cinco anos, o que daria R$ 100 milhões por temporada. Isso pode representar três reforços médios. O dinheiro poderá ser utilizado para contratação de jogadores, salários e melhoria do elenco. O acordo também prevê R$ 120 milhões para o centro de treinamento profissional e outros R$ 30 milhões para a estrutura das categorias de base, o que eleva os investimentos para R$ 650 milhões. Na prática, o planejamento de 2027 já começa a ser construído sobre uma perspectiva de aumento gradual da capacidade de investimento. A receita bruta do Vasco em 2025 foi de R$ 628 milhões.

Contas para pagar

A proposta é ainda mais ampla porque o compromisso financeiro total ultrapassa R$ 3 bilhões quando são considerados os aportes esportivos, os investimentos em infraestrutura, o pagamento de dívidas e a cobertura do déficit de caixa projetado para os próximos cinco anos. Segundo os documentos apresentados, cerca de R$ 1,5 bilhão seria destinado a cobrir o déficit de caixa do período, enquanto R$ 1 bilhão seria utilizado para obrigações relacionadas a dívidas e recuperação judicial. Marcos Lamacchia sabe que o trabalho é lento e necessário. Mas ele está no caminho.

Pedrinho já negocia a transição da SAF do Vasco para o empresário Marcos Lamacchia / Vasco

O Vasco, porém, ainda não pode tratar a operação como concluída. A proposta da Almirante será submetida ao processo competitivo marcado para esta semana, dia 25, e Lamacchia terá direito de igualar uma eventual oferta superior. Depois dessa etapa, ainda existem outras condições para o fechamento do negócio, incluindo aprovação judicial, conclusão da auditoria e o cumprimento do rito interno do clube. A própria equipe jurídica do empresário já explicou que a operação precisa passar pelos órgãos internos antes do fechamento definitivo. São trâmites legais.

Transferência da SAF

O planejamento antecipado chama atenção. Lamacchia ainda não é formalmente o controlador da SAF, mas já discute com Pedrinho o tamanho e o perfil do elenco de 2027 e até nomes de jogadores. A diferença entre o que acontece hoje e o que poderá acontecer depois da conclusão da operação está no grau de autoridade: as conversas podem orientar decisões e investimentos, mas a transferência definitiva do controle depende do processo jurídico e societário.

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O Vasco, portanto, vive uma espécie de período de transição antes mesmo da troca oficial de comando da SAF. Enquanto o processo de venda entra em sua fase decisiva, Pedrinho e Lamacchia já olham para 2027, discutem cenários esportivos e trabalham com a possibilidade de um elenco mais competitivo. Lamacchia já tem um assento no ônibus do clube. O desafio agora será transformar o planejamento antecipado e sua presença em uma operação efetivamente concluída — e, a partir daí, fazer com que os milhões de reais previstos para o futebol se convertam em decisões capazes de mudar o patamar do Vasco dentro de campo.

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