Foram 858 dias entre a despedida do Liverpool e o momento em que Jürgen Klopp voltou a comandar um time em uma partida oficial. Tempo suficiente para mudar de emprego, experimentar uma rotina longe da pressão diária e aceitar o desafio de dirigir a seleção alemã. Mas bastaram alguns minutos do empate por 1 a 1 com a Holanda, nesta quinta-feira, em Amsterdã, para reaparecer o Klopp conhecido dos tempos de Anfield, na Inglaterra.
Inquieto na área técnica, gesticulando, comemorando cada disputa e sofrendo até o último lance. O problema é que a primeira noite terminou com uma sensação que ele também conheceu muitas vezes na carreira: a vitória estava nas mãos até Cody Gakpo empatar aos 47 minutos do segundo tempo.

Futuro promissor
Houve frustração pela maneira como os dois pontos escaparam. Mas Klopp não permitiu que o gol sofrido nos acréscimos apagasse aquilo que procurava nesta primeira apresentação. A palavra utilizada por ele foi paixão. Mais do que uma Alemanha pronta, o treinador queria enxergar disposição para competir enquanto suas ideias ainda começam a ser assimiladas.
E foi esse o ponto que destacou ao analisar os primeiros 90 minutos de sua passagem pela seleção. “Fiquei muito satisfeito com muitas atuações individuais e, de modo geral, com a paixão demonstrada. Podemos jogar melhor e jogar mais futebol”, afirmou Klopp.
A declaração ajuda a explicar o que houve de mais significativo na estreia. A Alemanha ainda esteve distante de apresentar mecanismos consolidados, errou bastante com a bola e sofreu quando recuou demais na reta final. O próprio Klopp reconheceu que os movimentos ainda não estão assimilados e que, enquanto isso não acontece, a equipe precisa compensar vencendo duelos e competindo em cada lance. O que ficou da primeira apresentação é que ainda está longe de uma equipe com a cara do treinador, mas já tentou jogar com a intensidade que ele exige.
Klopp em casa
É certo que também havia algo diferente naquela área técnica. A última vez que Klopp comandou oficialmente uma equipe tinha sido em 19 de maio de 2024, quando o Liverpool venceu o Wolverhampton por 2 a 0 em Anfield. Foi o 491º e último jogo de uma passagem de quase nove anos pelo clube inglês. Naquela tarde, cercado por uma atmosfera de despedida, deixou o estádio como um treinador que precisava interromper uma rotina de desgaste permanente. Agora, reapareceu como tantas vezes havia sido visto na Inglaterra e anteriormente na Alemanha: participativo, emocional e incapaz de assistir ao jogo como mero espectador.

E a próxima experiência promete ser ainda mais carregada de simbolismo. No domingo, a Alemanha enfrenta a Grécia, às 15h45 (de Brasília), em Augsburg, no primeiro jogo de Klopp como técnico da seleção em solo alemão. Será também o retorno em um jogo na cidade depois de mais de uma década. A última partida da equipe principal na WWK Arena aconteceu em maio de 2016 e terminou com derrota por 3 a 1 para a Eslováquia, em um amistoso marcado por uma forte tempestade. Naquele dia, como curiosidade, Joshua Kimmich fez sua estreia pela seleção. Dez anos depois, voltará ao estádio como capitão de uma Alemanha que inicia outro ciclo.
Em Augsburg
Por isso, Augsburg representa uma espécie de segunda estreia. Amsterdã serviu para Klopp recuperar aquilo que permaneceu guardado durante 858 dias: a tensão da área técnica, a comemoração de um gol, a cobrança por um posicionamento, a expectativa de proteger uma vantagem e, por fim, a irritação de vê-la desaparecer quase no último chute.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Neste domingo será diferente. Não haverá apenas a atração de observar Klopp sentado — ou quase nunca sentado — em um banco de reservas. Pela primeira vez, o público alemão estará diante do treinador que recebeu a missão de reconstruir sua seleção. O empate na Holanda mostrou que ainda há muito a fazer. Mas mostrou algo que talvez fosse a primeira dúvida dessa nova história: Klopp voltou a viver o jogo como Klopp.





