O domínio brasileiro nas competições sul-americanas deixou de ser medido por taças, finais e número de classificados. Virou sinônimo de aumento do poder financeiro. Os cinco representantes do país que chegaram às semifinais das Copas Libertadores e Sul-Americana garantiram, juntos, R$ 181,9 milhões em premiações nesta temporada.  Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Vasco e Atlético-MG são os representantes em oito das vagas, uma demonstração de força esportiva que produz consequências importantes para os cofres dos clubes.

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Em função do maior apelo comercial, a maior fatia está na Libertadores. O Fla lidera a lista dos semifinalistas com US$ 9,6 milhões, cerca de R$ 50 milhões (na cotação atual), acumulados desde a fase de grupos. O Palmeiras aparece logo atrás, com US$ 9,2 milhões, cifra próxima a R$ 48 milhões, enquanto o Flu já recebeu US$ 8,9 milhões, ou R$ 46,3 milhões. Só o trio brasileiro, portanto, soma cerca de R$ 144,3 milhões. A diferença entre os valores é explicada pelo bônus de mérito pago a cada vitória durante a fase de grupos.

Títulos e premiações ajudam a explicar como o Rubro-Negro é dono do elenco mais valioso da América do Sul / Flamengo

Brasil domina fatias da grana

Mais do que engordar o caixa, os números ajudam a dimensionar o tamanho do ciclo construído pelos brasileiros na Libertadores. Desde 2019, o troféu não sai do país. Foram sete títulos consecutivos, com Fla, Palmeiras, Flu e Botafogo dividindo as conquistas, até o Rubro-Negro ampliar a sequência em 2025. Agora, o Brasil já sabe que estará novamente na final: Fluminense e Palmeiras se enfrentam em uma das semifinais. Na outra, o atual campeão Flamengo encara o Estudiantes. Caso passe pelos argentinos, haverá uma decisão brasileira, como aconteceu no ano passado, quando Fla e Palmeiras fizeram a final.

É muito dinheiro

E a Libertadores passou a recompensar cada vez melhor quem consegue sobreviver até novembro. Em 2026, cada participante da fase de grupos recebeu US$ 1 milhão, ou R$ 5,1 milhões, além de US$ 340 mil (R$ 1,7 milhão) por vitória. A classificação às oitavas valeu US$ 1,2 milhão; às quartas, US$ 1,7 milhão (R$ 10 milhões); e às semifinais, outros US$ 2,3 milhões (R$ 11,9 milhões). O verdadeiro salto, porém, está na decisão: o vice ficará com mais US$ 7 milhões, enquanto o campeão acrescentará US$ 25 milhões (R$ 129 milhões) à conta. A Conmebol prevê distribuir US$ 211,5 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) ao longo da Libertadores deste ano, fazendo do desempenho esportivo uma fonte de receita cada vez mais relevante para quem frequenta as fases decisivas.

É importante ressaltar que o sucesso continental começa a produzir um efeito que vai além de uma temporada. Chegar às quartas, semifinais e finais significa acrescentar dezenas de milhões de reais ao orçamento, dinheiro que pode ser reinvestido em elenco, estrutura e manutenção dos principais jogadores.

Dinheiro gera mais dinheiro

Por outro lado, não é apenas a premiação da Libertadores que explica a distância financeira entre os clubes brasileiros mais poderosos e boa parte de seus adversários sul-americanos. Entretanto, é inegável que disputar as fases decisiva ano após ano alimenta um ciclo conhecido: equipes mais fortes chegam mais longe, recebem mais dinheiro e ganham novas condições para continuar competitivas. A recompensa deixa de ser apenas consequência do sucesso e passa a ajudar na sua continuidade.

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A Sul-Americana reforça esse cenário. O Vasco é o brasileiro que mais faturou no torneio até agora: US$ 3,8 milhões, aproximadamente R$ 20 milhões. O Atlético-MG soma US$ 3,3 milhões, cerca de R$ 17 milhões. Juntos, os dois acrescentam R$ 37,6 milhões à conta brasileira das semifinais. O Vasco enfrentará o Boca Juniors, primeiro na La Bombonera e depois no Rio, enquanto o Atlético mede forças com o Montevideo City Torque, abrindo a disputa na Arena MRV e decidindo a vaga no Uruguai. Também existe, portanto, a possibilidade de uma final brasileira na segunda competição mais importante da Conmebol.

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E ainda há muito dinheiro sobre a mesa. Na Sul-Americana, o campeão receberá mais US$ 10 milhões (cerca de 52 milhões), enquanto o vice ficará com US$ 2,5 milhões (cerca de 13 milhões). Se Flamengo superar o Estudiantes e Vasco e Atlético-MG também avançarem, o Brasil ocupará sozinho as quatro vagas das duas finais continentais.

R$ 412 milhões

Nesse cenário, independentemente de quem levasse as taças, os clubes brasileiros garantiriam mais US$ 44,5 milhões apenas com as premiações destinadas aos campeões e vices das duas competições — algo próximo de R$ 231 milhões pela cotação utilizada nos valores divulgados nesta semana. Somados ao que já foi acumulado pelos cinco semifinalistas, o montante poderia ultrapassar os R$ 412 milhões.

Abel Ferreira, treinador do Palmeiras
No comando do Palmeiras desde 2020, Abel Ferreira é um dos responsáveis pela valorização do clube / Palmeiras

Ainda faltam quatro confrontos de semifinal e, depois, duas decisões para saber até onde essa conta chegará. Mas uma conclusão já está consolidada antes mesmo de a bola voltar a rolar em outubro: a superioridade recente dos brasileiros na América também se tornou um negócio altamente lucrativo. Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Vasco e Atlético-MG não disputam apenas duas taças. Cada classificação adiciona milhões de reais ao caixa e reforça um círculo em que resultado esportivo e poder financeiro caminham cada vez mais próximos. Para os brasileiros, conquistar a América vale uma taça. E, cada vez mais, vale também uma fortuna.

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