O Brasil piorou depois da Copa do Mundo: empata no sufoco com a Austrália por 1 a 1 e não apresenta absolutamente nada sob o comando de Carlo Ancelotti no seu primeiro jogo após o fracasso nas oitavas de final no Mundial diante da Noruega. Tudo errado nesta primeira apresentação, a ponto de o zagueiro Marquinho comentar após a partida que “se Deus quiser” o time vai melhorar. Ou seja: o capitão entregou para Deus. O Brasil fez um gol com Estêvão, mas o árbitro japonês revisou após pedido do VAR e anulou por falta na origem da jogada. Uma falta leve, diga-se. Mas não foi isso que atrapalhou o Brasil. O time ficou com a bola, mas não soube o que fazer com ela.
A seleção continua mal distribuída no meio de campo. Os volantes, Danilo e Bruno Guimarães, são os responsáveis pela armação das jogadas. Raphinha, que voa no Barcelona neste começo de temporada, foi o mesmo da Copa do Mundo. Vini Jr, de quem se espera muito, jogou em fogo baixo. Endrick foi mal. Estevão foi melhor, mas longe de encantar também. Mas o atacante do Chelsea foi o melhor do ataque brasileiro. Ocorre que tudo para os quatro atletas de frente parece uma dificuldade tremenda. Nada acontece em campo com naturalidade. Ancelotti precisa dar a eles essa condição. Os jogadores precisam guardar posição em campo. Mas até isso está bagunçado.

O treinador tem de entender que o seu trabalho já não é mais procurar jogadores. É encontrar um jeito de jogar e dar aos atletas uma condição mais tranquila. O Brasil está afobado e cobrado, mesmo em amistosos. O time atual carrega os fracassos do passado. A escuridão tomou conta da seleção. Não há mais paciência, como pediu o treinador após o empate. O torcedor precisa encontrar um motivo apenas para torcer para a seleção. Mas ele não acha. Está cansado dos fracassos. A Austrália é uma boa equipe. O Brasil é pentacampeão e tem alguns dos melhores jogadores do mundo.
Por que não dá certo?
Mas por que não dá certo? Essa é a pergunta do torcedor. O trabalho é ruim, ele já entendeu, mas como melhorar isso? O que fazem Abel no Palmeiras e Leonardo Jardim no Flamengo é mais produtivo do que Ancelotti na seleção. Para continuar no exemplo de Raphinha, o atacante, agora dono da camisa 10, brilha na Espanha, mas não consegue ser 10% no Brasil. Péssimo. Burocrático. Sem brilho. O mesmo pode se dizer de Vini. São dois extraordinários jogadores que poderiam ajudar muito, mas eles não rendem com a camisa da seleção.
Ancelotti comentou muito sobre a continuação de um ciclo. Ele tem razão. O Brasil não mudou de comando técnico, portanto, não interrompeu um trabalho feito para a Copa do Mundo. Mas o que se viu foi um passo atrás, ou mais, do jogo com a Noruega nos Estados Unidos para o amistoso diante da Austrália. O torcedor quer ganhar e que o time jogue bem. O Brasil não conseguiu nem uma coisa nem outra. E diante de um rival, apesar de Ancelotti falar o contrário, que não está na mesma prateleira da seleção.
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O Brasil segue na Austrália para um segundo amistoso na terça-feira diante do mesmo adversário antes de viajar para Calcutá a fim de encarar a Índia. Os testes estão apenas começando, mas a seleção está longe do que o torcedor espera dela. Como disse Marquinhos, “se Deus quiser” o time vai melhorar.





