Há três meses, o Corinthians não consegue colocar em campo aquilo que tem de melhor. A espera, enfim, pode estar chegando ao fim. Fernando Diniz vive a expectativa de escalar pela primeira vez o time titular com Garro, Yuri Alberto e Memphis Depay juntos no clássico com o Santos, domingo, na Neo Química Arena. É mais do que a volta de três jogadores importantes. É a possibilidade de o Corinthians voltar a ter os três jogadores que, individualmente e, sobretudo, no coletivo, representam o que existe de melhor no elenco.
Por ironia, a última vez em que o chamado trio GYM esteve junto foi em 27 de maio, na derrota por 2 a 0 para o Platense, da Argentina, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores. Os três começaram aquela partida como titulares, mas não terminaram juntos: Memphis saiu no intervalo, enquanto Garro e Yuri Alberto foram substituídos aos 37 minutos do segundo tempo. De lá para cá, o Corinthians precisou aprender a viver sem sua formação ofensiva mais poderosa.

E isso ajuda a dimensionar o tamanho da expectativa em torno do reencontro. O trio GYM não é apenas uma sigla criada pela torcida. É a representação de um Corinthians que, quando conseguiu reunir seus três principais jogadores, mostrou outra dimensão técnica e esportiva. Historicamente, a presença dos três em campo coincide com os melhores momentos da equipe, inclusive na campanha que terminou com os títulos conquistados no ano passado. Com Garro, Yuri Alberto e Memphis juntos, o Corinthians ganhou muito mais do que perdeu e passou a ser visto pelos adversários como uma equipe de maior qualidade, mais difícil de ser enfrentada e com recursos suficientes para decidir uma partida.
43 jogos juntos
Os números ajudam a explicar por quê. Nos 43 jogos em que estiveram juntos, o Corinthians venceu 25, empatou oito e perdeu dez. São 64,3% de aproveitamento dos pontos disputados. Além disso, o trio participou da construção ofensiva da equipe com 27 assistências e 40 gols. Não são números que garantam nada para o futuro, mas são expressivos para mostrar que existe uma diferença concreta quando os três estão à disposição.
É esse momento que Diniz espera encontrar. O técnico teve de lidar com uma espécie de azar em dobro ao perder Yuri e Memphis simultaneamente. Durante boa parte de sua trajetória no clube, foi obrigado a montar um ataque reserva, recorrendo a Gui Negão e Pedro Raul na posição de centroavante. Nenhum dos dois, por razões diferentes, conseguiu oferecer ao time uma produção sequer próxima daquela que Yuri é capaz de entregar.

Na vaga de Memphis, Diniz encontrou uma alternativa interessante com Kaio César atuando aberto pela direita. O jogador deu velocidade e alguma capacidade de desequilíbrio ao setor, mas não há como estabelecer comparação com Memphis. Não apenas pelo valor técnico, mas pela entrega, pela experiência e pela representatividade que o holandês adquiriu dentro do elenco. Memphis é referência para os próprios companheiros. Sua presença em campo modifica o comportamento do time e parece acrescentar uma dose extra de confiança.
Eles se completam
Isso ficou evidente nos minutos finais do duelo com o Rosário Central, na dramática classificação corintiana para as quartas de final da Libertadores. Quando Memphis voltou a participar do jogo e o Corinthians precisou encontrar forças para sobreviver à pressão argentina, o time ganhou outro peso ofensivo. Não se trata apenas daquilo que o atacante faz com a bola. Trata-se também daquilo que sua presença provoca em quem está ao seu lado e em quem está do outro lado.
Com Garro, Yuri Alberto e Memphis, o Corinthians recupera três peças que se complementam. Garro pensa o jogo, encontra espaços e oferece criatividade. Yuri ataca a área, movimenta a defesa e dá profundidade. Memphis acrescenta talento, personalidade e capacidade de decisão. São características diferentes que, juntas, tornam o ataque menos previsível e dão ao time alternativas que não apareceram com a mesma frequência durante o período de desfalques.

Por isso, o clássico com o Santos pode representar mais do que três pontos no Brasileirão. Pode ser o primeiro capítulo de uma nova tentativa de reconstrução do Corinthians. A volta do GYM chega num momento importante. O time precisa melhorar a sua posição no Campeonato Brasileiro, ganhar consistência e chegar mais forte aos confrontos decisivos da Libertadores. E, para Diniz, ter à disposição a formação que por tanto tempo esteve apenas no imaginário do torcedor significa poder trabalhar com uma matéria-prima que ainda não teve a oportunidade de explorar.
Trio GYM no Corinthians
É claro que três grandes jogadores não resolvem sozinhos os problemas de uma equipe. O futebol não funciona assim. O Corinthians continuará precisando corrigir defeitos, melhorar sua organização, recuperar jogadores e encontrar equilíbrio. Mas também é verdade que nenhum treinador trabalha da mesma maneira quando tem à disposição seus melhores jogadores. E talvez seja essa a maior esperança que o GYM traz. Depois de três meses separados, Garro, Yuri Alberto e Memphis podem voltar a se encontrar no mesmo campo. E, com eles, pode voltar um Corinthians que durante algum tempo pareceu ter desaparecido: mais agressivo, mais talentoso, mais respeitado e com maior capacidade de fazer o jogo acontecer.





