Por Leonardo de Sá

Bruno Samudio, conhecido como Bruninho, assinou o seu primeiro contrato profissional com o Botafogo. O nome do jogador, ao voltar a circular na mídia, levantou novamente o assunto sobre o seu pai, que foi visto em um jogo do Flamengo no Maracanã recentemente. A temática da relação do filho com o progenitor é assunto batido, usado muitas vezes como justificativa para ofensas em partidas. Porém, uma coisa é certa: Bruninho não deve carregar esse fardo, imposto pelos crimes de seu pai, por meio da hostilidade presente no futebol.

Siga The Football

Não é só ele que vive uma situação assim. Robinho Jr., do Santos, é outro que sustenta a “sombra” de seu pai. Em um jogo diante do Palmeiras, no ano passado, o jovem foi ofendido por torcedores rivais. Ele não é culpado pelo que o pai fez, muito menos deve ser, de alguma forma, responsabilizado ou comparado à sua figura paterna desta maneira. Tanto Bruno quanto Robinho têm o direito de viver a própria vida. Os erros dos pais não devem ser herdados pelos filhos.

Bruninho e Robinho Jr. estão no profissional de seus respectivos clubes: Santos e Botafogo / Montagem

Bruno Samudio

A assinatura do contrato profissional com o Botafogo é um passo enorme para Bruninho, mas a conquista vem acompanhada de um peso que ele não pediu para carregar. Aos 16 anos, com quase dois metros de altura e convocações para a seleção de base, o garoto mostra que tem talento para ser reconhecido pelo que faz debaixo das traves. É injusto que, em cada grande momento de sua carreira, o nome do pai surja como um empecilho, trazendo à tona um passado que ele, mais do que ninguém, sentiu na pele. Bruno foi preso, julgado e condenado porque mandou matar a mãe de Bruninho, Eliza Samudio, em 2010.

A situação fica ainda mais complicada quando o lado pessoal se mistura ao profissional. Bruninho já deixou claro o cansaço com as promessas não cumpridas do pai e a falta de suporte financeiro, expondo que a relação é marcada pela ausência. O futebol deveria ser o espaço onde ele é apenas o “Bruno do Botafogo”, um jovem em busca do sonho. Ele não deve nada a ninguém pelos erros de outra pessoa e merece construir sua história sem ser cobrado por um fardo que não é dele.

Robinho Jr

No caso de Robinho Jr, o cenário de hostilidade nas arquibancadas mostra como o tribunal do futebol não sabe separar as coisas. Ser xingado por torcedores rivais por causa dos crimes do pai (estupro na Itália e prisão no Brasil), como aconteceu no clássico com o Palmeiras, é uma crueldade gratuita. O garoto estava ali para jogar bola pelo Santos, mas acabou sendo alvo de ataques que não tinham nada a ver com o jogo. É um erro cobrar do filho uma conta que já está sendo acertada com a Justiça pelo pai.

SIGA THE FOOTBALL
Instagram
Facebook
Linkedin
TikTok
Facebook

Com 18 anos e o apoio de nomes como Neymar, o atacante tenta focar no que realmente importa: os gols e assistências que o levaram ao profissional. Ele usa a camisa 7, o mesmo número que o pai usou, mas isso deve ser lido apenas como uma escolha esportiva dentro do clube onde foi formado. A torcida do Santos recusou a contratação de Robinho por causa do crime que cometeu. Mas apoio o filho na Vila. Ele tem liberdade para crescer e errar como qualquer outro jovem, sem que cada passo seja manchado por uma sombra que ele nunca escolheu projetar.

A relação de Robinho com o filho é próxima, apesar de o ex-jogador cumprir pena na prisão de Tremembé. Foi o pai que autorizou a renovação do garoto no Santos. Robinho Jr. tem gratidão pelo apoio. Sempre que pode, ele enaltece o pai. “Sua história é maior que esse momento… seguimos glorificando a Deus e honrando quem você sempre foi”, já postou nas redes sociais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui