Leonardo de Sá

A divulgação do áudio do VAR pela CBF, na manhã seguinte à vitória do São Paulo por 2 a 1 sobre o Flamengo, reacendeu o debate sobre o possível pênalti em Arrascaeta no último lance da partida. A cabine de vídeo confirmou a decisão de campo, entendendo que o meia uruguaio iniciou o contato ao preparar a finalização. O material, que deveria encerrar a discussão, alimentou novas interpretações.

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No registro de áudio, o árbitro de vídeo sustenta que Arrascaeta “coloca a perna para trás e bate no jogador” e, mesmo com o toque, consegue concluir a jogada. A leitura é de lance interpretativo, sem erro claro e óbvio. A análise pública não encerra a divergência, apenas a expõe. A mudança de opinião de especialistas após novos ângulos mostra como o lance permanece aberto à interpretação.

Jogo foi alvo de polêmica após lance de “suposto” pênalti não marcado entre Alan Franco e Arrascaeta / Flamengo

O ponto central, porém, vai além do frame congelado. O Flamengo teve volume, posse e oportunidades. Faltou precisão. Carrascal desperdiçou chance clara cara a cara, enquanto outras finalizações saíram sem direção. Transferir o peso do resultado para um único lance simplifica uma derrota construída também em erros próprios.

Arbitragem em nova fase

O episódio ocorre justamente quando a arbitragem brasileira passa por reformulação estrutural. A CBF iniciou a profissionalização do quadro, com contratos formais e metas de desempenho. A promessa é elevar o nível técnico, reduzindo inconsistências recorrentes. Trata-se de uma resposta a uma cobrança histórica do futebol brasileiro.

O modelo prevê meritocracia e possibilidade de afastamento para árbitros mal avaliados. Há também programas de reciclagem para erros graves. A mudança cria mecanismos de responsabilidade, mas não elimina polêmicas. Profissionalizar é reduzir ruído, não zerar debate.

Partida foi marcada por falta de aproveitamento do Flamengo diante de um adversário mais “fraco” / Flamengo

Responsabilidade compartilhada

É legítimo discutir o lance e cobrar critérios. O que não se sustenta é usar a arbitragem como escudo, diante de um desempenho abaixo do esperado. O Flamengo produziu menos do que poderia e permitiu a reação adversária. O controle do jogo não se converteu em eficiência.

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O possível pênalti pode alterar a leitura de um momento, mas não do todo. Derrotas raramente nascem de um único lance, e sim de acúmulo de falhas. No Morumbi, os detalhes pesaram contra o Flamengo. No fim, o áudio do VAR explica a decisão, mas não reescreve a história da partida. A cabine oferece justificativa técnica, não um novo resultado. A análise mais incômoda para o Flamengo segue sendo a do próprio desempenho.

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