A Espanha entrou em campo com as duas estrelas de campeã mundial estampadas pela primeira vez na camisa e uma questão que costuma acompanhar qualquer seleção que acaba de conquistar uma Copa: e agora? Pouco mais de dois meses depois de chegar ao topo do planeta bola, a resposta começou a ser dada no Estádio de Wembley. Diante da Inglaterra, terceira colocada na competição disputada na América do Norte, os espanhóis venceram por 3 a 2, neste sábado, na estreia da Liga das Nações, e mostraram que o título conquistado em julho não diminuiu a fome de uma geração que já começa a flertar com a ideia de hegemonia.

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Não foi apenas a vitória significativa. Foi a maneira como ela aconteceu. Lamine Yamal precisou de apenas dois minutos para colocar a Espanha em vantagem. A Inglaterra reagiu, virou ainda no primeiro tempo, com Anthony Gordon, aos 36 minutos, e Harry Kane, aos 40 minutos, e colocou diante da campeã mundial um problema que não existia no roteiro inicial. A resposta veio depois do intervalo: Álex Baena empatou aos 15 minutos e Oyarzabal, que havia começado no banco de reservas, completou a virada espanhola aos 29 mnutos.

Espanha Yamal (à esq.) e Oyarzabal
Autores de dois dos três gols, Lamine Yamal (esq.) e Oyarzabal comemoram a vitória sobre a Inglaterra / Sefutbol

Espanha segue insaciável

Portanto, a Fúria se mantém com apetite voraz e talvez esteja aí o principal recado deixado em Wembley. A Espanha não precisou dominar a partida do começo ao fim para vencer. Precisou reagir. Em território inglês, depois de permitir que uma vantagem se transformasse em derrota parcial em apenas quatro minutos, encontrou recursos para recuperar o controle emocional e o placar. É esse tipo de resposta que interessava depois da Copa.

A seleção comandada por Luis de la Fuente havia terminado o Mundial com sete vitórias consecutivas. Na decisão, derrotou a Argentina na prorrogação e conquistou o segundo título mundial de sua história. Além disso, tornou-se apenas a segunda seleção a conseguir sete triunfos seguidos em Copas, atrás somente do Brasil, que chegou a 11 entre 2002 e 2006. Agora, a primeira apresentação depois da conquista mostrou que não haverá espaço para acomodação.

Na véspera da partida, Rodri já havia antecipado qual seria o espírito da equipe. O capitão falou sobre a responsabilidade de carregar duas estrelas no peito e foi ainda mais claro ao tratar das ambições espanholas: “Este time não para por aqui. Temos mais fome e não nos conformamos”, contou o jogador do Barcelona.

Wembley tratou de transformar as palavras em resultado. O simbolismo também estava no adversário. Não se tratava apenas de começar uma nova Liga das Nações. Espanha e Inglaterra decidiram a Eurocopa de 2024, em Berlim, com vitória espanhola por 2 a 1. Depois daquele título continental, a equipe de De la Fuente avançou mais uma casa e conquistou também a Copa do Mundo. Os ingleses, por sua vez, chegaram à semifinal do Mundial e terminaram na terceira colocação. Era, portanto, um encontro entre duas seleções que atravessaram o último ciclo entre as protagonistas do futebol mundial.

Lamine Yamal tem estrela

Pela Espanha, Lamine Yamal segue sendo o presente e o futuro. Aos 19 anos, o atacante abriu o placar no primeiro ataque com uma das imagens de uma seleção que conseguiu acumular títulos sem depender do envelhecimento de uma geração. Rodri, Dani Olmo, Nico Williams, Cubarsí, Cucurella e outros nomes mantêm uma espinha dorsal experiente para sustentar o presente e jovem o bastante para imaginar um ciclo ainda longo.

O próprio histórico recente ajuda a dimensionar o momento. Antes da partida, a Uefa registrava cinco vitórias consecutivas da Espanha, enquanto a seleção chegava a Londres em primeiro lugar do ranking mundial. O desafio agora é transformar essa superioridade circunstancial em permanência no topo.

A competição oferece o primeiro laboratório. A Espanha já conhece bem a competição: foi campeã em 2023 e vice na edição seguinte. Agora divide o Grupo A3 com Inglaterra, Croácia e República Tcheca. Depois de Wembley, volta a campo já na terça-feira, contra os croatas, em Sevilha.

Alex Baena (dir.) e Dani Olmo celebram o segundo gol da Espanha no duelo com a Inglaterra em Wembley / Sefutbol
Alex Baena (dir.) e Dani Olmo celebram o segundo gol da Espanha no confronto contra a Inglaterra em Wembley / Sefutbol

É exagerado pensar que uma vitória em setembro garante domínio pelos próximos anos. Muito menos permite antecipar o que acontecerá na próxima Eurocopa ou no próximo Mundial. Mas há momentos em que uma partida serve para revelar a disposição de uma equipe depois de atingir o objetivo máximo.

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A Espanha chegou a Wembley como campeã do mundo. Saiu de lá lembrando aos concorrentes que pretende continuar se comportando como tal. As duas estrelas já estavam na camisa. A novidade da noite foi perceber que, para esta Espanha, elas aparentemente não representam um ponto de chegada.

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