As novas regras adotadas pela CBF para combater o antijogo já produziram um primeiro efeito no Campeonato Brasileiro: a bola ficou mais tempo em campo. Ainda há muita confusão da arbitragem e também falta de entendimento de alguns jogadores. O processo é lento e de aprendizado. Mas começou dando certo, mesmo que timidamente. Na primeira rodada com o novo pacote de medidas, nove partidas foram disputadas entre sábado e domingo e apresentaram média de 55 minutos e 29 segundos de bola rolando. Antes da pausa para a Copa do Mundo, o número era de 52 minutos e 54 segundos. A meta da Fifa é chegar em 60 minutos. Ou seja: não está tão longe.
A diferença é de 2 minutos e 35 segundos por jogo. Excelente. Pode parecer pouco quando colocado no relógio de um jogo de 90 minutos, mas representa uma mudança importante quando multiplicada pelas partidas de uma competição inteira. O Brasileirão passou, neste primeiro levantamento, a ter mais tempo jogado do que algumas das principais ligas europeias: a Premier League registra média de 55min23s, a LaLiga tem 55min08s e o Campeonato Italiano sustenta a marca de 54min28s. Isso só vai valorizar o Brasileirão visto no país e fora dele.

A intenção da CBF é atacar os momentos em que o futebol fica parado sem necessidade. E todo torcedor sabe quando isso acontece: reposição demorada, atendimento médico, demora para cobranças de falta ou de laterais e escanteios, além do tiro-de-meta. Tudo serve para retardar o reinício do jogo e “beneficiar” o time que está ganhando ou passando sufoco. A arbitragem está de olho nisso. Mas a boa notícia é que os atletas começam a entender a necessidade de mudar. A CBF também cobra dos árbitros uma postura mais ativa para acelerar o jogo e tornar o acréscimo mais compatível com o tempo perdido.
Primeira rodada foi boa
“Esse primeiro fim de semana com a implementação das novas regras traz um balanço muito positivo”, afirmou Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF. O dirigente, porém, fez uma ressalva importante: ainda é cedo para falar em consolidação dos resultados. A mudança precisa sobreviver ao primeiro impacto e ser observada durante várias rodadas para que se possa medir seu efeito real.”
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Sandro Meira Ricci, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, também destacou que a alteração exige adaptação de jogadores, treinadores, clubes e árbitros. Além da tentativa de aumentar o tempo de bola rolando, a rodada teve ainda a aplicação do chamado “protocolo Vini Jr.”, utilizado em Vitória x Botafogo. A ideia é que a arbitragem passe a atuar de maneira mais firme diante de situações específicas previstas no novo conjunto de procedimentos. Há um procedimento de reeducação dos personagens do futebol dentro de campo.
Testes vão continuar
A experiência agora será ampliada. As novas regras chegam à Série B nesta semana e também serão utilizadas na Copa do Brasil masculina e feminina e no Campeonato Brasileiro Feminino A1. O primeiro resultado do Brasileirão é animador: mais bola em jogo e uma média que já supera a de três grandes ligas europeias. O verdadeiro teste, no entanto, começa agora. Se os 55 minutos e 29 segundos deixarem de ser exceção e virarem padrão, a CBF terá conseguido mexer em um dos problemas mais antigos do futebol brasileiro: o jogo que dura 90 minutos no relógio, mas muito menos dentro de campo. Quem ganha? O torcedor, que paga ingresso para ver o seu time jogar, ganhando ou perdendo.
Tempo de bola rolando
Athletico-PR 1 x 1 Bragantino – 60min18s
São Paulo 1 x 1 Coritiba – 58min30s
Atlético-MG 3 x 0 Grêmio – 57min04s
Corinthians 1 x 2 Cruzeiro – 56min57s
Chapecoense 3 x 3 Bahia – 56min39s
Mirassol 1 x 5 Flamengo – 55min43s
Vitória 1 x 0 Botafogo – 52min45s
Fluminense 3 x 2 Palmeiras – 52min12s
Vasco 0 x 3 Santos – 49min20s





