A pergunta que deveria orientar qualquer avaliação neste momento é simples, quase óbvia, mas raramente enfrentada com honestidade: o que o torcedor tem o direito de esperar de positivo no seu time depois de uma parada de pelo menos dez dias dedicada exclusivamente a treinamentos? Durante todo o ano, a principal justificativa para desempenhos ruins é sempre a mesma — falta de tempo para treinar.

E, convenhamos, não é totalmente descabida. O calendário do futebol brasileiro é espremido, impiedoso e por vezes cruel com atletas que mal conseguem recuperar as pernas entre um jogo e outro.

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Mas a data Fifa recém-encerrada ofereceu um luxo raro: quase duas semanas de trabalho limpo, contínuo, protegido da drenagem emocional das partidas. Tempo suficiente para curar lesionados, recompor energias e, sobretudo, lapidar ideias. Agora, enfim, saberemos quem soube aproveitar a pausa — e quem a desperdiçou em repetições vazias que não movem o ponteiro de nada.

Doirival teve o tempo que precisava para arrumar a casa no Parque São Jorge: duas semanas só de treino / Corinthians

Tomemos o Corinthians como exemplo de caso-limite. O time chega ao retorno do Brasileirão carregando duas derrotas catastróficas, para Bragantino e Ceará, e ainda atolado numa posição desconfortável da tabela, perigosamente exposto ao fantasma do rebaixamento.

O torcedor vai cobrar

Depois do desastre em Fortaleza, Dorival Júnior ganhou exatamente aquilo que dizia precisar: tempo. Só treinou. Treinou todos os dias. Treinou em silêncio, sem o barulho das partidas, sem a desculpa das viagens, sem a urgência opressiva de jogar a cada 72 horas.

Agora, resta saber o que ele fez com isso. Será que o Corinthians, enfim, apresentará uma jogada ensaiada de bola parada? Haverá algum esboço de transição que não seja aquela travessia arrastada e sofrível entre defesa e ataque? Alguma triangulação pelas laterais que pareça minimamente coordenada? Algum mecanismo funcional de ultrapassagens? Um meio-campo equilibrado, capaz de dividir com inteligência as tarefas de marcação e criação? Um time que finalize melhor, que cabeceie melhor, que passe melhor, que drible com menos hesitação?

Corinthians ainda não está totalmente tranquilo no Brasileirão: próximo jogo é um clássico com o São Paulo / Corinthians

Ou seja: fundamentos do jogo, essas pequenas grandezas que só evoluem com treino — justamente aquilo que o Corinthians teve.

Clássico com o São Paulo

As respostas começam a emergir na noite desta quinta-feira, no clássico com o São Paulo, na Neo Química Arena. E, considerando que o Corinthians não vence o rival em Itaquera há um bom tempo, o contexto não poderia ser mais explosivo. Um novo revés não será apenas mais uma derrota: será a comprovação de que nem mesmo o tempo, esse recurso tão raramente disponível, foi suficiente para recolocar o time no eixo.

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E, nesse cenário, a pressão sobre Dorival Júnior — que ainda luta para se firmar como o treinador ideal — tende a se multiplicar em volume, temperatura e consequências. Porque, no fim, a parada acabou. As desculpas também. O que resta agora é ver quem trabalhou — e quem só treinou.

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