Por Leonardo de Sá

O são-paulino tem motivos para sorrir em dobro. Além da classificação para o mata-mata do Paulista no último domingo, os torcedores do Tricolor receberam a notícia da aquisição de Cauly. O meia de 30 anos, que veio do Bahia por empréstimo com opção de compra, chega como aposta para ser o tão esperado camisa 10 do time. Ele se junta a dois outros bons meio-campistas da equipe: Danielzinho e Marcos Antônio.

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Dessa forma, passes que quebram linhas, chutes de fora da área e lançamentos precisos são algumas das características que o atleta pode agregar ao elenco do Morumbi. Durante sua passagem pelo Nordeste, o jogador acumulou 47 participações diretas em gols em 174 partidas — 131 como titular —, tendo uma média de nota 7,02 no Sofascore, um site esportivo de avaliação de jogadores.

Cauly comemora gol no Bahia marcado contra o Paysandu na partida de ida da Copa do Brasil de 2025 / Bahia

O desafio do equilíbrio tático

A missão do novo reforço é clara: ser o elo qualificado entre os volantes Danielzinho e Marcos Antônio e o trio de ataque formado por Luciano, Lucas e Calleri. Contudo, a entrada de um jogador com esse perfil criativo exige escolhas difíceis por parte de Crespo. Nesse sentido, para encaixar Cauly no “time ideal” do São Paulo, o treinador teria que sacar Bobadilla da equipe, montando uma linha extremamente ofensiva de meias.

Consequentemente, esse esquema exigiria um esforço dobrado de Luciano e Lucas na recomposição defensiva, para não deixar o setor de marcação sobrecarregado. Eles teriam de voltar até o meio de campo ajudando na marcação.

Versatilidade

Crespo tem predileção por esquemas com três zagueiros e alas. Nesse cenário, Cauly poderia atuar como o meia clássico, flutuando à frente de Marcos Antônio e Danielzinho para quebrar as linhas defensivas adversárias. Por outro lado, a mesma lógica se aplica caso o treinador opte por uma linha de quatro defensores. O São Paulo não teve um elenco qualificado dessa forma no ano passado. Se der certo, o time muda o seu patamar nas competições que preferir “jogar”.

Em ambas as situações, a grande dificuldade reside no fato de o time se tornar muito exposto pela falta de um volante com características de marcação. Portanto, o próprio Cauly precisaria participar ativamente da recomposição, ou o treinador poderá utilizá-lo como uma peça de rotação vindo do banco.

Flutuação

Diferentemente de um jogador que atua preso pelos lados, Cauly brilhou no Bahia sob o comando de Rogério Ceni justamente pela liberdade para flutuar pelo corredor central. Essa movimentação permitiu que ele ditasse o ritmo da equipe e potencializasse sua visão de jogo ao se aproximar dos atacantes. Crespo vai querer o mesmo dele.

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Nesse contexto, ele poderia funcionar como um articulador móvel, conectando o meio ao ataque de forma mais dinâmica. Marcos Antônio já faz essa função, mas está sobrecarregado. Além disso, a presença de André Silva no elenco oferece outra alternativa: o centroavante abre espaços que permitem a Cauly chegar de trás como um elemento surpresa para finalizar.

A chegada de Cauly dá a Crespo uma opção que faltava ao setor de criação. Resta saber, no entanto, como o comandante argentino irá dosar essa ofensividade para que o São Paulo não perca a solidez defensiva. Com a bola nos pés, o novo camisa 10 tem tudo para ser o diferencial técnico que o torcedor esperava para a temporada.

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