Nova York – Mais novo herói norte-americano, o argentino Mauricio Pochettino está mesmo chegando lá. Técnico da seleção dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026, ele tinha a missão de levar a equipe a tentar fazer uma campanha digna no torneio, organizado em casa. Terceiros colocados em 1930, quando o Mundial foi disputado no Uruguai, nunca mais repetiram este feito. Graças a “Poch”, como o treinador é carinhosamente apelidado, isso pode estar mudando.
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Apesar de atuar com um jogador a menos após a expulsão de Balogun, os Estados Unidos superaram a Bósnia por 2 a 0 e quebraram um tabu de 24 anos sem vencer jogos nos mata-matas. Pela primeira vez, desde que derrotaram o México nas oitavas de final, os anfitriões do Mundial de 2026 ainda podem sonhar em ir mais longe na competição.

“A maturidade da nossa equipe é incrível, assim como o modo que estamos evoluindo nas últimas semanas”, disse Pochettino em sua entrevista coletiva, em Seattle, logo após o triunfo. “Mesmo quando perdemos para Portugal e Bélgica em março, a equipe continuou evoluindo.”
Qualidade comprovada
Em setembro de 2024, quando o argentino foi contratado para ser o técnico dos Estados Unidos, a equipe vivia um momento de crise braba. Desorganizada e jogando um nível de futebol raquítico, o país tinha sido eliminado ainda na fase de grupos da Copa América. Apesar de seus três antecessores no cargo – Bob Bradley, Jurgen Klinsmann e Gregg Berhalter – terem prometido táticas de jogo mirabolantes para dar um padrão de jogo sólido para a seleção dos Estados Unidos, nenhum deles conseguiu chegar lá.
Experiente em levar equipes modestas, como o Espanyol, de Barcelona, e o Tottenham, da Inglaterra, a campanhas marcantes com recursos baixos, Pochettino é admirado por saber motivar e extrair o máximo de seus jogadores. Foi uma das lições que ele aprendeu com seu mentor Marcelo Bielsa, técnico do Uruguai na Copa, o homem que abriu-lhe as portas do futebol profissional.
A jornada do professor
Os dois se conheceram em 1987, quando Bielsa trabalhava nas divisões de base do Newell’s Old Boys, de Rosário, a maior cidade da província de Santa Fé, na Argentina. O treinador tinha ouvido falar maravilhas sobre o desempenho de Pochettino nos campos de futebol da região e queria vê-lo em ação com seus próprios olhos. Nessa altura, Pochettino era um garoto de 13 anos, que vivia em Murphy. Era uma cidade pequena, com cerca de quatro mil habitantes, localizada na província de Santa Fé, em uma região cercada por lavouras. Bielsa chegou à casa na qual Pochettino vivia com a sua família de manhã bem cedo quando o menino ainda estava dormindo: mas, de cara, achou que ele tinha “pinta de jogador”.

Chamado para ser testado como atacante no Newell’s, o novato logo convenceu o técnico que renderia mais na zaga. Era um jogador duro na marcação, por vezes violento se necessário. Mas é fato que ninguém se criava no seu pedaço. Ficou conhecido como “El Sheriff”. Esse seu estilo, digamos, voluntarioso, o levou à seleção argentina, que não por acaso era comandada pelo mesmo Marcelo Bielsa, o homem que o descobriu na sua pequena Murphy. E que conhecia suas qualidades como nenhum outro.
Juntos, Pochettino e Bielsa conquistaram o campeonato argentino e levaram o Newell’s Old Boys à final da Copa Libertadores. E fizeram duas partidas duríssimas contra o São Paulo de Telê Santana, que tinha um time recheado de craques da seleção brasileira, como Zetti, Cafu, Raí e Muller. Derrotado em Rosário, o Tricolor reverteu a vantagem no Morumbi e faturou o título continental nos pênaltis.
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No embalo do sucesso do Newell’s, a transferência de Pochettino para a Europa tornou-se inevitável. Vendido para o Espanyol, ele ganhou seu lugar no time titular. Conquistou o coração da torcida, e também títulos, como a Copa do Rei, em 2000. Jogou também na França, vestindo as camisas do Paris Saint-Germain e do Bordeaux. Encerrou a sua carreira no mesmo Espanyol, aos 34 anos – e meses depois, sua liderança dentro de campo (era o capitão), o tornou alternativa para ser o técnico que o clube procurava. Mais do que o bom estrategista que ele é, ficou célebre por ser um motivador de jogadores.
Motivador nato
“Digo a eles que devemos sonhar sem limites”, disse Pochettino em uma entrevista ao site norte-americano The Athletic. “Se eu sonho em tocar a Lua, em estar na Lua, talvez eu consiga chegar perto dela. Se eu apenas sonho em chegar perto, fico na Terra.”
Foi dessa forma que Pochettino conseguiu fazer a sua história no futebol. Ficou célebre quando levou o Tottenham a uma final da Liga dos Campeões. E, também, por saber se impor quando lidou com vestiários recheados de estrelas, como aconteceu quando treinou Lionel Messi, Neymar e Kylian Mbappé durante o seu período no PSG. Ao seu estilo pragmático, ele resistiu às pressões e está fazendo dos Estados Unidos uma equipe bastante competitiva. “Para nós, cada partida é como uma final de Copa do Mundo e sonhar sempre é possível”, diz. Se vencer seu próximo desafio, contra a Bélgica, nas oitavas de final, Mauricio Pochettino, definitivamente, marcará seu nome na história.





