Depois de sofrer um ato de machismo na partida entre São Paulo e Red Bull Bragantino pelas quartas de final do Paulistão 2026, a árbitra Daiane Muniz voltará a apitar um jogo da competição neste domingo, dia 29. O confronto será o Choque-Rei entre Palmeiras e São Paulo, válido pela semifinal do torneio. Para este duelo, a equipe de campo será comandada exclusivamente por mulheres. A Federação Paulista de Futebol demorou um pouco mais para divulgar a sua escolha. Mas acertou na decisão.
Nesse contexto, Neusa Inês Back e Fabrini Bevilaqua Costa atuarão como assistentes, enquanto Marianna Nanni Batalha será a quarta árbitra e Izabele de Oliveira a quinta. Já na cabine de vídeo, Thiago Duarte Peixoto ficará responsável pelo VAR. O episódio que motivou a rede de apoio à árbitra ocorreu no último sábado, quando o zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, questionou a capacidade de Daiane conduzir um jogo de grande porte por ser mulher.

Repercussão e medidas disciplinares
A repercussão negativa gerou sanções imediatas, com o clube multando o atleta em 50% de seu salário e o afastando da rodada seguinte do Brasileirão. Além disso, instituições como o Ministério das Mulheres e o Ministério do Esporte emitiram notas de repúdio ao caso. Paralelamente, a Federação Paulista de Futebol encaminhou o episódio ao Tribunal de Justiça Desportiva para análise de punições cabíveis ao jogador. Se não desta edição, na próxima.
Daiane Muniz tem 37 anos. O seu currículo é consolidado no futebol mundial. Árbitra do quadro da Fifa desde 2018, ela participou de eventos de elite do futebol, como a Copa do Mundo Feminina de 2023 e os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. A profissional do apito iniciou sua atuação em competições masculinas em 2020, acumulando experiência em torneios nacionais e estaduais da elite do esporte.
Trajetória técnica e reconhecimento
Vale destacar ainda que Daiane foi a primeira mulher a atuar como oficial de VAR em um torneio de clubes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Sua carreira é marcada pela condução de decisões sob pressão, incluindo finais de Mundiais juvenis. De modo que o histórico técnico da árbitra é o critério principal que sustenta sua presença constante nas escalas da elite da arbitragem brasileira e internacional.
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A decisão de escalar uma equipe feminina de arbitragem para uma semifinal de Estadual num Choque-Rei sinaliza um movimento de representatividade no esporte — tardio, mas que acontece. Mais do que uma resposta ao incidente recente com o jogador do Red Bull Bragantino, a escolha da federação foca no reconhecimento da carreira de Daiane e de suas companheiras.
Contra o preconceito
Em última análise, a manutenção de Daiane no quadro de elite da FPF destaca a necessidade de um ambiente esportivo pautado exclusivamente pela competência técnica e pelo respeito profissional dentro de campo. The Football escreve no dia do jogo, mas não custa reforçar que é totalmente contrário a todo e qualquer tipo de preconceito no futebol e na sociedade, e jamais vai compactuar com atos e declarações como as do atleta do clube de Bragança Paulista.





