Em vídeos que estão correndo nas redes sociais, um grupo de torcedores brasileiros, entre eles fãs dos arquirrivais gaúchos Internacional e Grêmio, comemora a façanha de um time… paraguaio. O motivo é a conquista alcançada pelo 2 de Mayo, de Pedro Juan Caballero, cidade a poucos metros do território de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, que jogará a segunda fase da Pré-Libertadores 2026. Uma avenida separa as duas cidades.

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Apesar de decidir a classificação jogando fora de seu país pela primeira vez em seus 96 anos, o clube paraguaio foi valente e conseguiu um empate de 1 a 1 contra o Alianza Lima, no estádio do oponente. Como tinha vencido a partida de ida por 1 a 0 na semana anterior, o modesto clube da fronteira seguiu adiante na competição sul-americana.

2 de Mayo luta por uma vaga na fase de grupos da Libertadores de 2026 e começa a ganhar torcedores / 2 de Mayo

Na próxima fase, o clube enfrentará outro time tradicional da capital do Peru, o Sporting Cristal. Se aprontar nova zebra na competição, poderá decidir uma vaga para a fase de grupos da Libertadores contra o vencedor do jogo entre o Carabobo, da Venezuela, e Huachipato, do Chile. Difícil é, mas não impossível.

Trajetória

Para chegar até aqui, o 2 de Mayo teve de contar com um bocado de sorte e saber como superar as dificuldades que foram surgindo. Finalista derrotado na Copa do Paraguai, o clube de Pedro Juan Caballero só conseguiu estrear na pré-Libertadores por conta de uma particularidade nas regras de distribuição das vagas do país, definidas pela Federação Paraguaia. Esta posição deveria ter sido do General Caballero, que sagrou-se campeão na edição 2025 da Copa do Paraguai. Contudo, o clube se complicou no campeonato nacional e acabou rebaixado para a Segunda Divisão – por conta disso, não pode jogar o torneio sul-americano. E a missão de representar o país sobrou para o clube de Pedro Juan Caballero.

Mesmo sem contar com um único jogador na seleção paraguaia e com um elenco esforçado, mas sem muita fama, o 2 de Mayo tornou-se a primeira sensação da Copa Libertadores deste ano. Criou uma surpresa no jogo de de ida, em seu estádio, o Rio Parapití – um alçapão com capacidade para 25 mil pessoas, a menos de 2 quilômetros do Brasil –, e derrotou o Alianza Lima, mais tradicional e reforçado por jogadores badalados, como o atacante Paolo Guerrero e o lateral Luis Advíncula.

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Na partida de volta, os paraguaios foram raçudos. Mesmo sofrendo uma pressão intensa e saindo atrás no marcador, o time paraguaio foi à luta e conquistou um empate heroico, por 1 a 1, na casa do adversário. E isso só aconteceu graças ao seu goleiro, Ángel Martínez, que fechou o gol e,ainda por cima, defendeu um pênalti cobrado pelo peruano Eric Castillo. Depois, o 2 de Mayo se arriscou e foi recompensado: na cobrança de um outro pênalti, o ponta-esquerda Brahian Ayala mandou uma bomba, no meio do gol, e deixou tudo igual.
Fora das quatro linhas, a equipe paraguaia também teve que superar percalços.

Na segunda-feira, no caminho de ida de Pedro Juan Caballero e Assunção, onde a equipe embarcou em um voo fretado para a Lima, o ônibus que transportava a delegação quebrou, em um trecho isolado: até que outro veículo chegasse, os jogadores do 2 de Mayo tiveram que esperar durante horas à beira da estrada. Batizado com o nome de um regimento militar de Pedro Juan Caballero, que enviou soldados para a sangrenta Guerra do Chaco, entre o Paraguai e a Bolívia, no início dos anos 1930, se tem algo que este time da fronteira aprendeu a ter é espírito de luta.

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