Leonardo de Sá
Você conhece o Pyramids, adversário do Flamengo deste sábado, no Catar, pela Challenger Cup, a semifinal da Copa Intercontinental? O time do Cairo chega após ter ganho, na primeira fase do torneio, do Auckland City, da Austrália, e também do Al-Ahli, da Arábia Saudita. O rubro-negro iniciou na competição diretamente da segunda etapa, triunfando sobre o Cruz Azul, do México, por 2 a 1, com dois gols de Arrascaeta. Se passar pelo Pyramids, enfrenta o PSG na grande final. O vencedor será campeão mundial.
A partida será a primeira na história entre as duas equipes. Não somente por nunca terem se encontrado em competições internacionais anteriormente, mas também pela tardia fundação do clube egípcio, que carrega em sua história laços curiosos com o Brasil e com o time do Rio.

Fundado em 2008, com o nome de Al Assiouty Sport, em Beni Suef, no “Alto Egito”, o clube se inseriu no cenário do futebol africano como um time longe do eixo central no país. Sem expressão nacional, a equipe foi galgando espaços e escalando as divisões do esporte até chegar à elite nacional em 2014. A felicidade durou pouco, porque o Al Assiouty Sport acabou sendo rebaixado no ano de seu acesso.
Os donos do Pyramids
Depois de três anos longe do topo, a equipe suou a camisa para retornar à primeira divisão do Egito. Em 2018, o clube foi comprado pelo saudita Turki Al-Sheikh, ex-presidente da Autoridade Esportiva da Arábia Saudita. Então, ele rebatizou o clube para Pyramids FC, mudou a sede para Novo Cairo — região mais desenvolvida e rica da capital — e iniciou uma reconstrução profunda. Mudanças de nome, escudo, da própria localização do clube, investimento pesado em jogadores e a criação de um CT moderno foram as maiores alterações da equipe. Foi uma renovação completa.
A ambição de Turki era de que o Pyramids “fosse o time a ser batido”, uma potência no futebol egípcio. Mas, mesmo com todas as mudanças estruturais, a passagem do investidor foi recheada de polêmicas e crises internas, o que o fez vender o clube em 2019 para Salem Saeed Al Shamsi, dos Emirados Árabes.
Primeiras conquistas
Após a segunda mudança de dono, o Pyramids só foi ter sua primeira conquista na temporada 2023/2024, quando levantou a taça da Copa do Egito. Além do triunfo, o time ainda se tornou o primeiro clube sem ser o Al-Ahly e Zamalek a vencer o torneio desde 2011. Mas o Pyramids não parou por aí e, nesse ano, foi campeão da Champions League da África. O time bateu o Mamelodi Sundowns por 3 a 2 no agregado, garantindo sua vaga para o Intercontinental da Fifa. Com isso, o clube se tornou o 4º representante egípcio a conquistar a competição (junto de Al-Ahly, Zamalek e Ismaily).
Zico, Brasil e relação curiosa
Mesmo com 16.000 quilômetros de distância, o Pyramids possui fortes relações com o Brasil. Durante a reformulação em 2018, o clube apostou em vários jogadores do Brasil. Alguns dos nomes que passaram pela equipe foram: Keno, Ribamar, Carlos Eduardo, Arthur Caike e Rodriguinho. Até mesmo Alberto Valentim, ex-técnico de Vasco, Botafogo e Avaí, esteve no comando do time naquele ano — foram apenas quatro jogos. Atualmente, o elenco ainda tem um representante brasileiro: o atacante Ewerton Silva, contratado em 2025.

Além dessa presença recente, o principal nome dessa relação curiosa entre o Pyramids e o Brasil é Mostafa Mohamed Zaki Abdelraouf — o “Zico”. Camisa 30 do time egípcio, ele ganhou o apelido pela idolatria ao maior ídolo da história rubro-negra. A admiração começou em casa, ouvindo o pai contar histórias sobre o Galinho de Quintino, e continuou no YouTube, onde passou a ver seus lances, gols e conquistas. Em entrevista ao ge, Mostafa contou ainda que sonha em trocar camisas com Arrascaeta justamente por ser “a 10 que foi de Zico”.
Elenco e destaques
O Pyramids é treinado pelo croata Krunoslav Jurcic e provavelmente vai a campo com o seguinte time titular: El-Shenawy; Samy, Galal, Hafez, Hamdy; Blati Touré, Lasheen, Hamdi; Atef, Ewerton e Fiston Mayele. É o elenco que costuma iniciar os jogos. Dentre esses nomes, o maior destaque é Fiston Mayele, congolês que marcou o gol do título da Copa do Egito 2023/24 e que também foi o grande nome da partida diante do Al-Ahli. Até mesmo Filipe Luís reconheceu isso em coletiva realizada nesta sexta. O treinador chegou a responder uma pergunta do repórter Fernando Valeika de Barros, do The Football.
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“Mayele foi o jogador determinante do jogo do Al-Ahli, talvez seja o atleta mais decisivo do Pyramids”, disse o treinador do Flamengo. Além disso, o comandante rubro-negro ainda destacou a força defensiva da equipe e a capacidade competitiva que ela possui. “Pelo que eu pude analisar, é um time que se defende muito bem e entende muito bem coberturas e compactação das linhas.”





