A tensão política dentro do Palmeiras ganhou um novo capítulo às vésperas do confronto com o Vasco pela Copa do Brasil. Um grupo no WhatsApp formado por mais de 90 conselheiros do clube defende que José Roberto Lamacchia renuncie ao Conselho Deliberativo antes da partida contra o rival do Rio, em novembro, pela semifinal da competição. Dentro desse grupo, cerca de 20 conselheiros passaram a adotar uma postura mais dura e pressionam pela saída imediata do empresário.
A movimentação, segundo conselheiros ouvidos pelo The Football, tem um alvo específico: Lamacchia. A pressão não é direcionada à presidente Leila Pereira. O entendimento desses integrantes do Conselho é de que a situação criada pela negociação envolvendo a família Lamacchia e a SAF do Vasco tornou a permanência de José Roberto no órgão político do Palmeiras um problema. Lamacchia não se pronunciou.

O principal argumento apresentado pelos conselheiros é o possível conflito de interesses. Marcos Lamacchia, filho de José Roberto e enteado de Leila, negocia a compra de 90% da SAF do Vasco. José Roberto confirmou publicamente que participa da operação como avalista e afirmou que o acordo está firmado, embora a aquisição ainda dependa das etapas necessárias para a sua conclusão.
Renúncia até o jogo do Vasco
É nesse ponto que parte dos conselheiros palmeirenses endureceu o discurso. Para os membros do grupo, Lamacchia não deveria permanecer simultaneamente como conselheiro do Palmeiras enquanto participa de uma operação que pode colocá-lo, ainda que por meio do filho, no comando de um clube que agora está no caminho do Palmeiras na Copa do Brasil. A avaliação é de que a situação gera uma zona de desconforto político e institucional. Por isso, esses conselheiros, que não são necessariamente oposição ao mandato de Leila, querem o afastamento do dirigente. Há uma crítica de que Lamacchia não interage com os seus pares há mais de quatro meses. “Sentimos que ele é um intruso agora”, disse um dos conselheiros palmeirenses.
O termo “jogo duplo” passou a ser usado por alguns conselheiros para definir o que consideram uma postura incompatível com a posição ocupada por Lamacchia no clube. A interpretação desse grupo é de que o empresário estaria dividido entre interesses relacionados ao Palmeiras e à operação de aquisição do futebol do Vasco. Trata-se, porém, de uma avaliação política dos conselheiros e não de uma conclusão oficial de que Lamacchia tenha atuado contra os interesses do Palmeiras.

A pressão ganhou força no momento em que Palmeiras e Vasco se encontram em uma situação incomum. Os clubes vão disputar uma vaga na final da Copa do Brasil, enquanto a família Lamacchia está ligada aos dois lados da história: José Roberto é conselheiro do Palmeiras e seu filho Marcos negocia a compra da SAF vascaína. A situação já levou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), ligada à CBF, a abrir um procedimento para investigar possível conflito de propriedade e a estabelecer medidas cautelares envolvendo relações entre Vasco, Palmeiras e Crefisa.
Pressão não é com Leila
Apesar da pressão, não há, neste momento, indicação de que Leila esteja no centro desse movimento. Pelo contrário: os conselheiros que defendem a renúncia fazem questão de separar a posição da presidente da atuação de seu marido. Em entrevistas anteriores, Lamacchia também afirmou que Leila não participa da negociação da SAF do Vasco.
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O movimento, portanto, representa uma nova frente de pressão política dentro do Palmeiras. Mais do que discutir a eventual compra do Vasco, os conselheiros querem que Roberto Lamacchia escolha, neste momento, de que lado estará institucionalmente. A cobrança é para que ele deixe o Conselho antes do jogo com o Vasco e, assim, elimine pelo menos parte do desconforto provocado por uma negociação que colocou a família do empresário no centro de uma das principais disputas do futebol brasileiro. Lamachhia, dono da Crefisa, foi patrocinador do Palmeiras por dez anos.





