A Copa do Mundo de 2026 corre riscos de sofrer consequências por causa da ação militar dos Estados Unidos, um dos três países-sedes, contra a Venezuela no último domingo? Há muitos discursos contrários ao presidente Donald Trump das 42 nações já classificadas para o Mundial em junho. A própria Fifa mexeu num vespeiro e foi contra as suas próprias determinações ao indicar Donald Trump para receber o seu primeiro Prêmio da Paz. Gianni Infantino, presidente da entidade, fez isso para agraciar o político dos EUA por ele ter interrompido a guerra entre Israel e Palestinos na Faixa de Gaza.

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Mas a Fifa sempre se negou a governar o futebol pelos olhos da política. Agora, ela espera que nenhum país abandone a Copa do Mundo por causa da ofensiva militar dos Estados Unidos na América do Sul, como não deve abandonar. Talvez o Irã.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, ao lado de Donald Trump: parceria para sediar a Copa nos Estados Unidos / Fifa

A Copa tem os Estados Unidos como a principal sede, ao lado de Canadá e México. No mês passado, seus líderes se reuniram em Washington DC para a definição dos grupos da competição. O Brasil foi cabeça-de-chave do Grupo C e vai enfrentar Marrocos, Haiti e Escócia. Um mês depois, no entanto, o presidente Donald Trump autorizou a ação militar para invadir a Venezuela e sequestrar o líder do país sul-americano Nicolás Maduro e sua mulher sob a acusação, entre outras, de tráfico de drogas.

Rússia banida da Copa de 2022/26

O casal foi levado para Nova York para julgamento e condenação iminente numa das ações militares mais extraordinárias lideradas pelo novo governo americano. No evento da Fifa de dezembro, Trump foi aplaudido após receber o Prêmio da Paz. Muitos chefes de Estado que estavam naquele sorteio condenam agora o presidente após a invasão à Venezuela, como a mexicana Claudia Sheinbaum, com quem Donald Trump esteve reunido.

A Fifa já sentiu isso na pele em 2022. A Copa da Rússia abriu o país para outros povos até que o presidente Vladimir Putin entrasse em guerra com a Ucrânia depois daquele Mundial. Num dia a Rússia foi ovacionada e no outro o país foi condenado pela opinião pública. Em meio a essas guerras, o futebol tenta sobreviver sem arranhões. A Rússia foi punida esportivamente pela Fifa e COI.

A entidade esportiva ainda não se manifestou sobre o ocorrido na Venezuela, país que não está classificado para a competição deste ano. Mas muitos outros que condenaram os EUA estão. A pergunta que se faz é se alguma dessas nações terá coragem de boicotar a Copa do Mundo dos Estados Unidos e se a Fifa vai tolerar tal recusa de seus filiados se acontecer. São dúvidas sem respostas.

Gianni Infantino e Donald Trump estiveram juntos na cerimônia do sorteio dos grupos da Copa em dezembro / Fifa

Uma seleção classificada pode desistir de disputar a Copa do Mundo? A resposta é “sim”, com punições esportivas ao país classificado. Por exemplo, a Fifa não obriga nenhuma seleção a entrar em campo, já que a participação depende da confirmação formal da federação nacional de cada associado. Na prática, porém, a desistência de um Mundial é quase uma declaração de guerra à entidade.

Punição para quem boicotar

Os custos de um boicote são altos: multas, sanções esportivas, perda de repasses financeiros, desgaste político internacional e forte pressão interna de torcedores, patrocinadores e jogadores. Por isso, seleções só ficam fora do Mundial por decisão da Fifa — como suspensões — e não por escolha própria.

Mas há várias histórias de países que foram impedidos de participar das Copas na fase de Eliminatórias ou mesmo na própria competição. Os motivos? Questões financeiras e logísticas, sanções políticas e até por estarem envolvidos em guerras. Na primeira Copa do Mundo, em 1930, alguns países na Europa se recusaram a viajar até o Uruguai porque a sede era “do outro lado do Oceano Atlântico” e esse percurso só se fazia de navio. De modo que Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda abriram mão de disputar o evento.

Quem já desistiu da Copa

Copa do Mundo de 1930 (Uruguai)
Apenas 13 seleções participaram. Muitas equipes europeias recusaram o convite por causa do alto custo e da longa viagem de navio até a América do Sul.

Copa do Mundo de 1938 (França)
Boicotes políticos e a tensão pré–Segunda Guerra afetaram o torneio. A Áustria se classificou, mas foi anexada pela Alemanha; a Escócia desistiu em protesto.

Copa do Mundo de 1950 (Brasil)
Alemanha e Japão foram proibidos de participar por sanções da Segunda Guerra. Os países estavam arrasados. Índia, Escócia e Turquia desistiram após se classificar; a Índia alegou divergências com a Fifa.

Copa do Mundo de 1958 (Suécia)
O Egito desistiu das Eliminatórias como forma de protesto político durante a Crise de Suez.

Mundial de 1966 (Inglaterra)
Boicote de 31 países africanos e asiáticos, insatisfeitos com a Fifa por oferecer apenas uma vaga conjunta para as duas confederações.

Mundial de 1994 (Estados Unidos)
O Chile foi banido após o “Caso Rojas”, fraude nas Eliminatórias contra o Brasil.

Copa do Mundo de 2022 (Catar) / Eliminatórias
A Coreia do Norte desistiu das Eliminatórias por causa da pandemia de COVID-19. Mas a Rússia foi banida pela Fifa e pela Uefa em razão da invasão da Ucrânia.

Representantes da Fifa, EUA, México e Canadá: os três países serão sede da Copa do Mundo de 2026 / Fifa

A Fifa pode impedir que uma seleção dispute a Copa do Mundo, principalmente por questões políticas internas de seu país. Os motivos vão desde violações disciplinares e má conduta até sanções políticas e interferência governamental. Portanto, a Fifa tem autoridade para suspender e punir seleções nacionais filiadas a ela. A entidade sempre exigiu que as federações de futebol fossem independentes de influências políticas ou religiosas.

Japão e Alemanha banidos em 50

A Fifa pune países cujos governos também interferem na gestão da federação local de futebol. Aconteceu isso com o Congo e o Paquistão. A Fifa e o COI também puniram a Rússia por causa da guerra contra a Ucrânia. De modo que os russos não puderam jogar a Copa do Mundo de 2022 e também foram impedidos de tentar se classificar para o Mundial deste ano.

No passado, Japão e Alemanha não estiveram na Copa de 1950 devido à Segunda Guerra Mundial. O torneio foi disputado no Brasil. Assim como a África do Sul passou anos sem permissão de jogar por causa do Apartheid, o regime de segregação racial. Por isso, aos países que estejam pensando em boicotar a Copa do Mundo de 2026 por causa da invasão dos Estados Unidos à Venezuela, é preciso informar que a Fifa reza em sua cartilha punições pesadas esportivamente.

Punições

1 – Multas pesadas
2 – Sanções esportivas (suspensão)
3 – Perda de repasses financeiros
4 – Desgaste político internacional
5 – Pressão interna (torcida, patrocinadores, atletas)

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