Ninguém sabe ao certo os riscos que a Copa do Mundo de 2026 corre com o começo de uma guerra dos Estados Unidos, um dos países-sede da competição, contra o Irã. As ofensivas militares estão sendo realizadas de lado a lado. A Fifa está preocupada com a sua competição e não com o conflito armado, porque ela se diz neutra para questões políticas e religiosas do globo. Ela zela pelo futebol, como gosta de repetir o presidente Gianni Infantino. Mas agora há uma guerra no meio do caminho de dois países classificados para a disputa esportiva.

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Em dezembro, Infantino entregou ao presidente Donald Trump o Primeiro Prêmio da Paz da entidade por ele ter intermediado com sucesso o cessar fogo entre Israel e Palestinos na região de Gaza. Menos de três meses depois, Trump dá o primeiro tiro para a guerra no Oriente Médio por motivos desconhecidos ou não justificáveis. O prêmio da paz, portanto, perdeu todo o seu sentido. A Fifa fará reuniões extraordinárias a partir deste domingo. A Fifa diz que a Copa vai ser realizada com segurança. Existe a possibilidade de esvaziar jogos nos EUA com realocamento no México e Canadá.

GIanni Infantino e Donald Trump: dirigentes da entidade esportiva estão preocupados com a guerra dos EUA e Irã / Fifa

Há uma semana, o México também enfrentou problemas ainda não resolvidos contra os narcotraficantes em uma das cidades-sede da Copa e de suas proximidades. É mais um problema para a Fifa. Um líder do “narco” foi morto pela polícia local e isso causou uma onda de retaliação nos bairros e lugares públicos. Infantino afirmou acompanhar toda a movimentação no México de perto e disse que a Copa no país não corria riscos. O presidente da Fifa acompanha agora o começo da guerra dos EUA contra o Irã, dois filiados da entidade.

Futebol deixou de ser importante

As informações que chegam de Teerã dão conta de que o governo iraniano reavalia sua participação na Copa do Mundo. É óbvio que em três meses, os iranianos não vão esquecer o que os Estados Unidos estão fazendo no país, com bombas e ataques sincronizados e todo o revide aos países vizinhos aliados a Trump. O futebol deixou de ser importante para os dois países e para a região. Há pessoas morrendo no Irã e no revide. O governo americano informou que há soldados americanos mortos também. Neste cenário, não há espaço para a alegria do futebol. A Fifa baniu a Rússia da Copa depois que ela começou a atacar a Ucrânia. O Comitê Olímpico Internacional (COI) fez o mesmo.

Seleção do Irã está no Grupo G da Copa do Mundo, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelância / Instagram

A Fifa terá de se posicionar em breve sobre Estados Unidos e Irã. O presidente tem garantias de Donald Trump de que a Copa vai acontecer nos EUA. Mas o dirigente esportivo quer acompanhar a escalada do conflito bélico para tomar uma decisão. Faltam três meses para a abertura do Mundial, marcado para 11 de junho. Infantino e Trump são fortes aliados. Mas o Irã tem sua cadeira na Fifa. O enrosco é grande. Assim, como os riscos de segurança para os torcedores, sobretudo os iranianos.

É bem provável também que a Defesa dos Estados Unidos aconselhe o presidente Trump a não permitir a entrada da delegação esportiva do Irã no país durante o Mundial ou mesmo restringir o acesso. A seleção do Irã está no Grupo G, com Bélgica, Egito e Nova Zelândia. O time joga a fase de grupos dentro dos Estados Unidos, em Los Angeles e Seattle. Uma desistência do Irã poderá deixar a chave com três times, eliminando apenas um deles na primeira fase. Seria o mais simples a ser feito do ponto de vista esportivo.

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A Fifa será pressionada pela comunidade internacional a forçar o fim da guerra se ela escalar nas próximas semanas. Analistas internacionais não vislumbram uma rendição do Irã facilmente, como aconteceu com a Venezuela, que não está na Copa.

Fifa está na Quinta Avenida em NY

Não está descartado também um boicote ao Mundial em represália ao governo de Donald Trump e ao alinhamento da Fifa com os Estados Unidos. Faz duas semanas que Infantino tenta desvincular sua imagem e a da Copa do Mundo com as decisões políticas do presidente americano. No ano passado, no entanto, a Fifa abriu um escritório na Quinta Avenida em Nova York, no Trump Tower. É dela que ela vai operar o Mundial. Ninguém fala em cancelar a Copa. Mas vale lembrar que as edições de 1942 e 1946 não foram disputadas por causa da Segunda Guerra Mundial.

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