Não havia muito o que esperar do Corinthians diante do Flamengo neste domingo no Maracanã. A quinta derrota seguida no Brasileirão começou a ser desenhada antes mesmo de a bola rolar, pela opção de Fernando Diniz de enfrentar o líder do campeonato com uma equipe reserva, recheada de jogadores que já demonstraram não ter condições de vestir a camisa do time. Se com os 11 titulares a chance de vencer o Flamengo no Maracanã já seria pequena, com o time que entrou em campo a possibilidade era zero. O 2 a 1 acabou sendo até um resultado generoso. Pela enorme superioridade rubro-negra, poderia ter sido uma goleada histórica.

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Com sete minutos, três bolas já haviam sido recuadas para Hugo Souza, que, pressionado, precisou estourá-las em chutões para fora. Era o Corinthians se livrando da bola e dando a senha de que seria difícil resistir ao melhor futebol do inimigo. Sempre que o Flamengo tinha a posse, os 11 corintianos estavam atrás da linha da bola. Apesar da luta, do empenho, era aquele tipo de partida em que não havia dúvida sobre quem iria vencer. A única questão era saber de quanto.

Paquetá, agora camisa 11 do Flamengo, marca o primeiro gol da vitória de 2 a 1 sobre o Corinthians / Flamengo

O Flamengo transformou o primeiro tempo em um treino de ataque contra defesa, com o Corinthians proibido de passar do meio de campo. Aos 15 minutos, a posse de bola era de 72% para os cariocas. O gol parecia uma questão de tempo. Aos 21, ele só não saiu porque Hugo Souza fez um milagre: Pedro desviou de peito e o goleiro salvou. No rebote, Ayrton Lucas chutou e Tchoca, deitado sobre a linha do gol, salvou de cabeça. Mais um milagre de São Jorge. Aos 29, outra defesa espetacular de Hugo, após boa combinação pelo meio e passe de Arrascaeta para Pedro, que bateu à queima-roupa.

Corinthians constrangedor

O retrato do primeiro tempo era constrangedor: 18 finalizações a zero, 11 escanteios a zero para o Flamengo contra um Corinthians atordoado. Não era propriamente uma partida de futebol. Era um time tentando jogar e outro tentando sobreviver. Deu até dó. Veio o segundo tempo e, logo no primeiro chute, fez-se justiça ao que o jogo mostrava. Aos três minutos, cobrança de escanteio no segundo pau, Hugo Souza afastou mal e Paquetá, mesmo sem muito ângulo, aproveitou de esquerda para colocar o Flamengo em vantagem. Era o placar que a partida anunciava desde o início.

Aos 20 minutos, Diniz percebeu que alguma coisa precisava mudar e colocou quatro titulares em campo: Bidon, Matheuzinho, Bidu e Kaio César, nos lugares de Milans, Charles, Dieguinho e Angileri, que ficaram devendo. Pouco depois, Garro entrou no lugar do péssimo Matheus Pereira. E foi a entrada de jogadores que deveriam ter começado a partida que mudou a cara do Corinthians. Aos 32 minutos, as alterações produziram efeito. Garro enfiou a bola para Kaio César, que foi ao fundo e cruzou para a área. Gui Negão apareceu para concluir e empatar o jogo, quebrando um jejum de sete meses sem marcar. De repente, o Corinthians mostrava que era capaz de competir. Não porque tivesse encontrado uma fórmula mágica, mas porque tinha em campo jogadores capazes de jogar futebol.

Flamengo tem de onde tirar

Só que o Flamengo continuava sendo muito superior e, aos 43 minutos, Bruno Henrique fez justiça ao que havia acontecido no Maracanã. De cabeça, no contrapé de Hugo, marcou o gol da vitória. Foi 2 a 1, mas a diferença entre as equipes ficou muito maior durante a maior parte do jogo: mais de 30 finalizações do Flamengo contra apenas duas do Corinthians, 20 escanteios a zero e mais de 70% de posse de bola para os cariocas.

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Se serve como consolo para a quinta derrota seguida no Brasileirão, há dois aspectos potencialmente positivos. A decisão de poupar os titulares preserva a equipe para o confronto decisivo com o Estudiantes, na quarta-feira, pela Libertadores, e ainda permite que o Fla reassuma a liderança do campeonato, deixando para trás o Palmeiras. Quem diria que, a essa altura, o maior rival teria de torcer por uma improvável vitória corintiana para ficar na primeira colocação. Mas aí já seria querer demais!

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