Com dois gols de Harry Kane, a Inglaterra venceu de virada a surpreendente República Democrática do Congo. A partida acabou 2 a 1 para os ingleses no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Os britânicos agora vão encarar o México no próximo sábado no lendário Estádio Azteca, na Cidade do México, pelas oitavas de final da Copa. Dessa maneira, o time inglês evitou a “zebra” de ser superado por um adversário de menor tradição, como aconteceu com a própria Inglaterra no primeiro Mundial disputado no Brasil, em 1950.
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Durante muito tempo, a The Football Association, a federação inglesa de futebol, se julgou superior às demais. A entidade foi fundada em outubro de 1863, décadas antes da própria Fifa, criada oficialmente apenas em 1904. Os britânicos acreditavam que eram os “donos do jogo” e consideravam a Copa do Mundo como um torneio sem expressão.
Copa só depois da Segunda Guerra
Assim sendo, os ingleses não quiseram disputar os primeiros três Mundiais na década de 1930, portanto antes da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Mas depois do conflito armado liderado pelo alemão Adolf Hitler, os ingleses aceitaram o convite da Fifa e se filiaram à entidade.

Para garantir a vaga no torneio disputado no Brasil, o English Team venceu a British Home Championship contra Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. O atacante Jack Rowley foi o artilheiro dos ingleses nas Eliminatórias, com quatro gols. Aos 32 anos, o jogador era ídolo do Manchester United, equipe com a qual conquistou três títulos. Até hoje, o centroavante é o quarto maior goleador de todos os tempos da equipe de Old Trafford, com 211 gols.
Campanha vexatória
A Inglaterra estreou na Copa de 1950 como uma das favoritas ao título. A seleção inglesa trouxe para a América do Sul nomes como o lendário ponta-direita Stanley Matthews e o zagueiro Billy Wright. A estreia foi bastante promissora. Os ingleses venceram o Chile por 2 a 0, com gols de Stan Mortensen e Wilf Mannon. A partida foi realizada no recém-inaugurado Maracanã, no Rio de Janeiro. Os ingleses sofreram com o calor e umidade do local, precisando recorrer a cilindros de oxigênio no vestiário durante o intervalo. Bastava uma vitória simples contra os Estados Unidos na segunda rodada para os europeus avançarem para a segunda fase.

A partida foi realizada no Estádio Independência, em Belo Horizonte. A seleção norte-americana era composta por atletas semiprofissionais – um era carteiro, um segundo lavador de tintas e até mesmo um motorista de funerário. A confiança dos ingleses era tão grande que o técnico Walter Winterbottom preferiu poupar alguns titulares. Contudo, a situação mudou no fim da primeira etapa. Numa bola cruzada, Joe Gaetjens mergulhou e marcou de cabeça para os americanos.
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A seleção inglesa foi para o ataque e tentou a todo custo fazer o gol de empate. Mas os americanos venceram numa das maiores zebras da história das Copas do Mundo. Os jogadores do time dos Estados Unidos saíram de campo carregados pelos torcedores brasileiros. No jogo final da primeira fase, os ingleses voltaram a perder, desta vez para a Espanha, no Maracanã também, por 1 a 0, e foram desclassificados na primeira fase.

Lateral-direito da seleção inglesa naquele Mundial, Alf Ramsey foi o técnico campeão da Copa do Mundo de 1966. Sobre aquela partida contra os Estados Unidos ele declarou: “Para nós, foi humilhante. Aquela tarde em Belo Horizonte jamais sairá da minha cabeça. Toda vez que ouço falar no Brasil, não me lembro daquele grande futebol e, sim, do que aconteceu nos gramados em 1950.”





