O Palmeiras se transformou nos últimos anos em uma das principais vitrines do futebol brasileiro para o mercado europeu. Endrick, Gabriel Jesus, Estêvão e Allan são exemplos recentes e alguns mais antigos de jogadores formados na Academia que chegaram a gigantes do continente por vendas milionárias e salários astronômicos. Hoje, porém, cada um enfrenta um momento diferente na tentativa de se firmar no mais alto nível em seus respectivos times. Nenhum deles tem vida fácil e o mais estabilizado é Gabriel Jesus, que deixou o Arsenal para assinar com o Barcelona e já até marcou um gol na Espanha.
Endrick voltou ao Real Madrid depois de um período de empréstimo ao Lyon e de uma Copa do Mundo mediana. Ele começou a temporada com um obstáculo importante: uma lesão muscular. O atacante ficou fora dos primeiros jogos oficiais do clube espanhol e só voltou a ser relacionado por José Mourinho para a estreia do clube na Champions League. O treinador português avisou que o retorno do brasileiro seria gradual e que o atleta ainda não tinha condições de atuar por muitos minutos.

A situação de Endrick, portanto, é de reconstrução de espaço. Ele tem confiança no seu futebol, goza de prestígio com o treinador português, mas terá de mostrar mais para continuar entre os 11 e não mais no banco. Aos 20 anos, ele recebeu a camisa 9 do Real Madrid e decidiu permanecer no time mesmo diante de possibilidades de um novo empréstimo, como ocorreu no semestre antes da Copa, quando foi para o Lyon. Mourinho, que assumiu a equipe nesta temporada, conta com Endrick como alternativa para o ataque e pretende utilizá-lo em diferentes posições, algumas delas ao lado de Mbappé e Vini Jr.
Camisa 9 do Barcelona
Quem vive um momento diferente e novo é Gabriel Jesus. Revelado pelo Palmeiras e vendido ao Manchester City em 2017, o atacante agora tenta recuperar protagonismo no Barcelona. E o início já ganhou um capítulo importante: na quarta-feira, marcou seu primeiro gol pelo clube catalão na goleada por 5 a 1 sobre o Feyenoord, pela primeira rodada da Champions League. Ele entrou aos 83 minutos e balançou a rede apenas dois minutos depois, mostrando seu faro de gol. Ele fez a pré-temporada no Arsenal, mas já sabendo do interesse do Barcelona.
10 milhões de euros
O clube pagou 10 milhões de euros pelo brasileiro. “A verdade é que eu estava treinando. Fiz toda a pré-temporada com o Arsenal normalmente. Obviamente, já sabia que provavelmente não ia jogar lá ou que não teria muitas oportunidades, mas ninguém tinha me dito nada ainda”, disse. Ele sempre sonhou em jogar no Barcelona.

Estêvão também deixou saudade no Palmeiras antes de atravessar o Atlântico. Ele também atravessa um período de adaptação. É reserva no Chelsea, com poucas chances de achar um lugar no time inglês neste momento. O atacante de 19 anos voltou de uma grave lesão e encontrou um Chelsea diferente, agora comandado por Xabi Alonso. Neste início de temporada, o brasileiro participou de três dos quatro jogos da equipe e soma 96 minutos em campo, média de apenas 32 por partida. O treinador, entretanto, fez questão de afirmar que confia no jogador e que ele terá importância ao longo da temporada. Ou seja: Estevão vai ficar no grupo e será usado se o treinador precisar dele.
Desafios de Estevão
O desafio de Estêvão é tático. Xabi Alonso utiliza uma estrutura que pode exigir do brasileiro uma função mais aberta ou até de ala, enquanto o jogador prefere atuar mais próximo do meio e do gol. No Palmeiras, ele corria pela direita e fechava pelo meio para bater ao gol. A disputa por espaço é grande no Chelsea, principalmente com Cole Palmer e Morgan Rogers, mas o treinador espanhol já conversou com Estêvão para reforçar que ele está nos planos. Ele terá de ser mais do que é nesse momento. Mudar de clube ou voltar ao Palmeiras está fora de cogitação.

O último capítulo dessa geração é Allan, que acaba de trocar o Palmeiras pelo Manchester City e ainda está deslumbrado com tudo o que envolve o clube que foi comandado por Pep Guardiola nos últimos anos. O atacante de 22 anos foi anunciado no fim de agosto em uma negociação de 40 milhões de euros, cerca de R$ 240 milhões, com contrato até 2031. São 37,5 milhões de euros fixos e outros 2,5 milhões em bônus. No Palmeiras, Allan ganhou a titularidade neste ano. Ficou na vitrine e foi vendido.
Allan acabou de chegar ao City
Allan deixou o Palmeiras depois de 96 jogos, nove gols e 12 assistências no profissional. A venda para o City se tornou a terceira maior da história do clube brasileiro, atrás apenas dos outros crias da Academia Estêvão e Endrick. Agora, o desafio para Allan é outro: conquistar espaço em um dos elencos mais fortes da Europa e provar que pode repetir no futebol inglês o impacto que teve em seus últimos meses no Palmeiras. Allan é um driblador, um provocador de zagueiros no um contra um. Foi dessa forma que ele fez as melhores jogadas pelo time de Abel Ferreira.
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A fotografia atual mostra quatro caminhos diferentes de quatro crias da Academia, todos craques e bons de bola. Gabriel Jesus começa a reencontrar protagonismo no Barcelona; Endrick tenta recuperar terreno no Real Madrid; Estêvão busca espaço no Chelsea; e Allan inicia sua aventura no Manchester City ainda assustado. Para o Palmeiras, além do orgulho de ver suas Crias em quatro gigantes europeus, existe uma consequência direta em tudo isso: a Academia continua funcionando como uma mina de receita e de projeção internacional do clube.





