A Liga dos Campeões começa nesta nesta terça-feira com 36 clubes, uma longa fase de liga, com oito rodadas, e alguns dos maiores candidatos ao título distribuídos pelo continente. Mas, até que alguém prove o contrário, existe um time acima dos demais. O Paris Saint-Germain entra na competição carregando nas costas não apenas a condição pelas duas conquistas consecutivas, mas também pela possibilidade de alcançar um território que, na era moderna da competição, pertence ao Real Madrid.
Mais sobre o Paris Saint-Germain
O PSG começa a sua jornada nesta quarta-feira, contra o Slovan Bratislava, da Eslováquia, às 16h (horário de Brasília), no Parque dos Príncipes, em Paris. À primeira vista, um adversário bastante acessível para quem acaba de levantar duas vezes seguidas a principal taça de clubes do planeta. O contexto, porém, transforma o jogo em algo mais interessante. O poderoso bicampeão europeu e da Supercopa da Europa e campeão do Mundial de Clubes da Fifa chega ao torneio em meio ao pior começo de Campeonato Francês do clube em 19 anos.

PSG sob desconfiança
São apenas dois pontos depois de três rodadas da Ligue 1. O time ainda não venceu e está sete pontos atrás dos primeiros colocados. Na sexta-feira, diante de sua torcida, abriu o placar contra o Monaco, do técnico brasileiro Filipe Luís, mas sofreu a virada e perdeu por 2 a 1. É o pior início do PSG no campeonato desde 2007/08, quando a equipe precisou esperar até a sexta rodada para vencer e terminou apenas três pontos acima da zona de rebaixamento. É preciso muita cautela nas análises, afinal são realidades incomparáveis em termos de elenco e poder financeiro, mas o dado dimensiona a largada ruim.
Luis Enrique, no entanto, não aceita tratar o momento como sinal de alarme. “Não há motivo para preocupação. Digo isso honestamente”, afirmou o espanhol depois da derrota para o Monaco. O treinador também pediu que a análise não se limite ao placar e destacou a intensidade da pressão exercida pelo PSG durante a partida. Na avaliação interna, o problema está mais relacionado à eficiência e às circunstâncias dos jogos do que a uma perda de identidade da equipe.
Ao canal oficial do clube, Luis Enrique reconheceu que há trabalho pela frente: “É preciso melhorar individual e coletivamente”. Mas também fez questão de reafirmar sua confiança no projeto e sua motivação para continuar em Paris. Poucas horas antes do tropeço, o clube havia anunciado a renovação de seu contrato até 2030, uma demonstração de respaldo incomum no futebol europeu e coerente com o que o espanhol construiu desde que chegou ao PSG, em 2023.
Da obsessão ao domínio europeu
O cenário muda completamente quando a Liga dos Campeões entra na conversa. Durante anos, ganhar a competição continental foi a obsessão do projeto comandado pelos proprietários do Catar. Neymar, Lionel Messi e Kylian Mbappé passaram pelo clube sem conseguir entregar a taça. Coube a um PSG menos dependente de superestrelas e muito mais baseado no coletivo acabar com a espera. Em maio de 2025, o time de Luis Enrique atropelou a Inter de Milão por 5 a 0 na decisão em Munique. Foi o primeiro título europeu e a maior diferença de gols já registrada em uma final da Copa dos Campeões/Champions League. Désiré Doué marcou duas vezes naquela noite que colocou definitivamente o PSG entre os campeões da Europa.
Um ano depois veio uma prova talvez ainda maior. Já como equipe a ser perseguida, o PSG passou pela fase de liga apenas na 11ª colocação, precisou disputar o playoff e atravessou um mata-mata pesado. Eliminou Monaco, Chelsea, Liverpool e Bayern de Munique antes de enfrentar o Arsenal na decisão, em Budapeste. Depois do empate por 1 a 1, venceu nos pênaltis por 4 a 3 e tornou-se somente o segundo clube a defender com sucesso o troféu desde que a competição passou a se chamar Champions League.
O outro foi o Real Madrid. Sob o comando de Zinedine Zidane, os espanhóis foram campeões em 2016, repetiram em 2017 e completaram a sequência em 2018. Nenhum outro clube conseguiu ganhar três edições consecutivas desde a mudança de nome e formato da competição em 1992. É esse pedaço da história que agora aparece diante do PSG.

O peso de continuar no topo
Na antiga Copa dos Campeões, sequências semelhantes não eram inéditas. Real Madrid, Ajax e Bayern de Munique, por exemplo, construíram dinastias. Na Champions moderna, entretanto, o aumento do número de grandes clubes, a circulação financeira e o grau de competitividade tornaram a manutenção do título muito mais difícil. Antes do Real de Zidane, nenhum campeão havia sequer conseguido defender a taça com sucesso na nova era.
Um ponto importante é que a temporada parisiense não começou apenas com decepções. Em agosto, o clube derrotou o Aston Villa por 2 a 1 e conquistou novamente a Supercopa da Europa. Portanto, chamar o atual momento simplesmente de “crise” seria precipitado. O contraste é mais interessante: o campeão europeu ainda conquista taças ao mesmo tempo em que apresenta inesperadas dificuldades no campeonato em que se acostumou a dominar.
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O Slovan Bratislava é apenas o primeiro obstáculo. Os eslovacos disputam a fase principal pela segunda vez e perderam os oito jogos de sua estreia, em 2024/25. O PSG, em contraste, não perde há 11 partidas nas competições europeias e marcou 45 gols na Champions passada, igualando o recorde do Barcelona de 1999/2000 para uma única edição.





