A Argentina deu mais um passo sofrido e espetacular para chegar ao sonhado bicampeonato mundial ao derrotar a Suíça na noite deste sábado, em Kansas City, em nova prorrogação. Depois de um empate em 1 a 1 no tempo normal, Lionel Messi e Cia. foram buscar o resultado na raça mais uma vez no tempo extra. Placar final de 3 a 1, mais um prêmio à demonstração de garra e alma vencedora desse time.

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Antes de pensar no jogo da taça, no entanto, os argentinos terão que passar por um duelo que tem o valor de um acerto de contas com um histórico rival. Quis o destino que a partida semifinal, programada para a próxima quarta-feira, tenha pela frente, como adversária, a Inglaterra.

Argentina Lautaro Martínez
Lautaro Martínez volta a ser decisivo, faz o terceiro gol e define a classificação da Argentina para a semifinal / Afaseleccion

Argentina em mais do que um jogo

Assim, os deuses do futebol reservaram à Argentina um encontro com a própria memória, 40 anos depois. Em 22 de junho de 1986, no lendário Azteca, no México, sob a sombra ainda recente da Guerra das Malvinas, Diego Maradona escreveu uma das páginas mais célebres da história das Copas: primeiro, o gol que eternizou como ‘La Mano de Dios’; logo depois, a arrancada sublime em que deixou ingleses pelo caminho antes de tocar para as redes, lance que muitos consideram o gol mais belo já visto em um Mundial. “Lo marqué un poco con la cabeza y un poco con la mano de Dios”, disse o camisa 10 para explicar o lance que virou uma das maiores polêmicas do futebol.

Para que esse reencontro se tornasse realidade, a Argentina precisou atravessar mais uma noite de provação em Kansas City. Exausta após as longas batalhas contra Cabo Verde e Egito, a equipe de Lionel Messi derrotou a Suíça por 3 a 1, na prorrogação, e garantiu seu lugar entre os quatro melhores do mundo. O gol cedo, aos nove minutos da primeira etapa, parecia anunciar uma classificação tranquila: Messi cobrou escanteio com precisão e Mac Allister testou com categoria para abrir o placar. Mas os campeões diminuíram o ritmo e permitiram que a Suíça crescesse. Com mais posse de bola e ousadia, os europeus empurraram os argentinos para trás até que Ndoye, aos 22 minutos da etapa final, tabelou com Ricardo Rodríguez e empatou com um chute cruzado, sem chances para Dibu Martínez.

Suíça dá mole

A expulsão de Embolo após revisão do VAR por simulação, no entanto, mudou o cenário do jogo. A Argentina retomou a iniciativa, criou várias oportunidades para decidir o jogo no tempo normal, porém esbarrou na defesa suíça e viu a decisão avançar para mais uma prorrogação. Com a Suíça inteiramente fechada no velho esquema do ferrolho e apostando tudo na decisão por pênaltis, a Argentina sofreu até os 111 minutos, quando Julián Álvarez acertou um chute espetacular no ângulo e fez explodir a torcida. Como se não bastasse tanta emoção, ainda teve tempo para mais um gol, marcado por Lautaro Martínez aos 120 minutos.

Argentina Julián Alvarez
Com um golaço na prorrogação, Julián Álvarez coloca a Argentina no caminho para a vaga à semifinal / Afaseleccion

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Não foi uma exibição brilhante. Foi, antes de tudo, uma demonstração de resistência. Mais uma! A Argentina segue adiante amparada por uma virtude que atravessa gerações: a recusa obstinada em se render. O caminho do bicampeonato permanece aberto. E, antes da taça, que venha a Inglaterra, em um duelo que promete unir passado e presente sob o mesmo céu de Copa do Mundo.

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