O São Paulo caiu numa areia movediça que leva o clube para baixo a cada movimentação. Há muitas pontas soltas em todas essas supostas histórias de corrupção e enriquecimento ilícito e desvio de dinheiro de alguns de seus dirigentes sob a comunhão do presidente Julio Casares. Nada ainda está comprovado com eles. Mas há investigações em marcha que apontam para “uma gangue” dentro do Morumbi. A apuração cita dirigentes de futebol do clube. A trama é complexa e envolve a empresa Off Side, que cuida da logística de viagens dos clubes do Brasileirão, como divulgou o Estadão.

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Cada dia aparece uma coisa nova na gestão do clube do Morumbi. Já há um encaminhamento do processo de impeachment do presidente Julio Casares, mesmo sem que os conselheiros tenham certeza de nada. As investigações apontam para falcatruas com o dinheiro do clube. Tem ainda o caso dos ingressos vendidos para suposto benefício próprio da ex-mulher de Casares, Mara, que pediu para se afastar da diretoria. Dirigentes do futebol têm dado maus exemplos, como aconteceu com o então presidente do Corinthians, Augusto Melo, já afastado do clube por gestão temerária.

São Paulo tem acertos a fazer após supostas falcatruas contra seus dirigentes: aliás, o futebol precisa de fiscalização / SPFC

É difícil acreditar em cartolas que trabalham de graça, sem remuneração, que largam todos os seus afazeres profissionais, empresas e até a família para se dedicar de corpo e alma a um clube de futebol. Principalmente com tanto dinheiro voando de um lado para outro, sem muita contabilidade e notas fiscais, com balanços que se provam quase sempre negativos e sem quaisquer questionamentos por se tratar de entidade privada.

Dirigentes remunerados

Os clubes deveriam remunerar os seus dirigentes. O presidente Julio Casares tem salário. Ganha R$ 27 mil por mês. Mas não cola mais essa dedicação em tempo integral por amor ou apenas por poder. Vai na contramão da vida profissional. São três anos de dedicação. E mesmo sem ganhar, todos querem a reeleição. Os órgãos públicos que deveriam fiscalizar as contas do futebol estão quase sempre atrasados e não fiscalizam nada. O presidencialismo dos clubes precisa ser mais bem acompanhado. 

Julio Casares foi criticado pela torcida do São Paulo no ano passado: presidente promete explicações da gestão / SPFC

É preciso ressaltar que a oposição está morrendo ou enfraquecendo. Todos querem participar do jogo e se tornam “situação”, com poucas diferenças nos discursos. Isso acontece no São Paulo, no Palmeiras, no Santos e no Corinthians. Os conselheiros aprovam as contas do clube todo santo ano. Ou seja: legitimam tudo o que é feito pelo presidente e seus pares. Os clubes são geridos como uma entidade de amigos.

SAF é diferente

As SAF são diferentes porque elas têm um dono. Então, o dono da empresa faz o que bem entender dentro das leis estabelecidas. Se ele for roubado pelos seus colaboradores, é um problema dele. Causa e consequência. Se quiser tirar milhões de reais da conta do clube, também é uma questão pessoal do dono, assim como se quiser vender a empresa, como fez Ronaldo com o Cruzeiro. Pelo respeito ao torcedor, o futebol precisa ser mais bem gerido.

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