De Washington, DC

Poucos dias antes do início da cerimônia do sorteio dos grupos do Mundial da Fifa de 2026, surgiu a possibilidade de a Copa América de 2028 ser realizada novamente nos Estados Unidos. A exemplo do que ocorreu no ano passado, quando o país já tinha organizado o principal campeonato de seleções do continente, além de países sul-americanos, o torneio voltaria a contar com equipes da América do Norte, Central e do Caribe.

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Embora Argentina e Equador ainda correm por fora como candidatos a anfitriões da Copa América de 2028, com o interesse demonstrado pela Federação Norte-Americana, não tem para ninguém. Há um notório interesse dos cartolas da Conmebol em continuar a popularizar as seleções e jogadores sul-americanos no maior mercado consumidor do planeta. E, claro, faturar bem mais dinheiro com este campeonato do que se ele fosse realizado em estádios argentinos e equatorianos.

Gianni Infantino: presidente da Fifa não tem qualquer objeção de a Copa América voltar para os Estados Unidos / Fifa

Em 2024, quando a Copa América foi disputada nos EUA, ela gerou receitas de R$ 1,8 bilhão, aproximadamente. Só para efeito de comparação, quatro anos antes, quando o torneio foi sediado no Brasil, ele gerou um faturamento de cerca de um terço deste montante: R$ 670 milhões. Como tornou-se um chavão nos filmes de Hollywood, a Conmebol está simplesmente seguindo o dinheiro.

11 estádios prontos

Como onze dos principais estádios americanos utilizados na Copa América tiveram de passar por reformas para se adequarem aos requisitos da Fifa, é de se esperar que não aconteçam problemas similares aos que foram vistos em estádios do país em 2024, desde a partida inaugural, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. “Foi muito complicado jogar em um gramado tão irregular, no qual era preciso muito mais tempo para dominar a bola”, disse o argentino Lionel Messi, logo após aquele jogo.

Campos menores

Outro desafio enfrentado pelos jogadores em 2024 – e que deverá estar resolvido – foi os campos com dimensões menores comparados às arenas normais das principais ligas de futebol do planeta. Nos Estados Unidos, esses estádios também recebem partidas de futebol americano – e isso faz muita diferença. Na Copa do Catar, por exemplo, os campos tinham 105 metros por 68 metros. O SoFi Stadium mede 100 metros de comprimento por 64 metros de largura. Ou seja, os espaços ficaram menores e mais congestionados, facilitando a vida de times que atuam na retranca.

“Enfrentar uma seleção que só se defende em dimensões tão reduzidas, acaba prejudicando equipes mais técnicas, que querem atacar”, disse Vini Jr., após o empate da seleção brasileira contra a Costa Rica.

Cartaz da Copa América de 2024, disputada nos Estados Unidos: torneio enfrentou muitos problemas de jogo / Conmebol

Outro problema já solucionado foram os camarotes de torcedores, próximos demais do campo, como os do MetLife Stadium, nos arredores de Nova York. Justamente por estarem próximos aos gramados, eram os lugares mais caros nas arenas. Por pressão da Fifa, os donos dos camarotes toparam que fossem removidos nos estádios da Copa do Mundo, o que aumentou a superfície de jogo.

Final entre Colômbia e Argentina

Também serviu como uma valiosa lição para os organizadores o caos ocorrido pouco antes da final entre Argentina e Colômbia, no estádio Hard Rock, em Miami. Houve muita confusão e pessoas machucadas quando torcedores sem ingressos romperam as barreiras de segurança e invadiram a arena. Para tentar retomar o controle da situação, que poderia degenerar, a equipe do estádio decidiu fechar os acessos à arena. E isso criou muita confusão, já que torcedores com ingressos ficaram do lado de fora, ao mesmo tempo que cada vez mais pessoas estavam chegando para assistir ao evento.

Formou-se um tumulto e, no empurra-empurra, muitos torcedores caíram ou foram espremidos contra os portões do estádio. Segundo dados da Polícia e do Corpo de Bombeiros de Miami, naquele dia, houve 27 prisões e 116 atendimentos relacionados a pessoas machucadas.

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Os organizadores da Copa América de 2024 enfrentaram ações judiciais e foi definido pelos tribunais que terão de pagar indenizações. Ou seja, para colocar um ponto final nos processos foi preciso que a Conmebol, a Concacaf, a Best Security, empresa que era encarregada de organizar o esquema de segurança, em Miami, e a South Florida Stadium LLC, proprietária e administradora do Hard Rock Stadium, fizessem um acordo.

Aprender com as lições

Elas toparam disponibilizar o equivalente a R$ 75 milhões para um fundo a fim de reembolsar torcedores prejudicados. Espera-se que quando aconteça a Copa do Mundo de 2026 e Copa América de 2028, os organizadores de eventos dos Estados Unidos tenham aprendido como fazer as coisas direito no futebol.

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