Por Leonardo de Sá
Os protestos no Ninho do Urubu reforçam o que já é sabido na Gávea: o resultado importa acima de tudo. O elenco do Flamengo se reapresentou na manhã deste sábado sob forte pressão da torcida após o vice da Recopa Sul-Americana diante do Lanús. O clima hostil marca o início de uma crise inesperada no clube. Sobrou para todo mundo, mas principalmente para o técnico Filipe Luís. Tal cenário contrasta drasticamente com o histórico ano de 2025, quando o time empilhou troféus de peso, como a Libertadores e o Brasileirão. Mas a paciência das arquibancadas esgotou com os tropeços em decisões seguidas.
Nesse cenário, cerca de 50 torcedores recepcionaram os jogadores com faixas em tom de ironia na Gávea. As críticas diretas atingiram o peito de Filipe Luís e também do diretor executivo José Boto. A Polícia Militar precisou garantir a segurança física dos atletas na entrada principal do CT. O episódio evidencia o desgaste profundo entre a instituição e os torcedores após o tropeço no Maracanã. Consequentemente, o segundo vice-campeonato em 2026 amplificou a sensação de que o ano não será como foi em 2025.

Filipe Luís enfrenta o seu pior momento desde que assumiu o cargo em 2024. O treinador lida com a pressão externa e um nítido desgaste nos bastidores do Ninho. Suas declarações recentes não agradaram os líderes do futebol e a diretoria do Fla. Por exemplo, a afirmação de que o time “fez um grande jogo” gerou incômodo imediato. Em suma, o comandante precisa recuperar urgentemente a confiança do grupo e dos chefes para evitar uma demissão. Ele não está seguro. A diretoria do Flamengo faz questão de se manter imprevisível na relação com o treinador.
Filipe Luís na ‘berlinda’
Além disso, parte do elenco demonstra insatisfação silenciosa com os atuais métodos aplicados durante a semana. O técnico raramente fixa uma equipe titular durante as atividades táticas nos treinos fechados. Contra o Lanús, os jogadores souberam da escalação apenas no momento de iniciar o aquecimento, já no estádio. Além disso, a comunicação do treinador foca excessivamente em um grupo restrito de líderes experientes do time. Devido a esse distanciamento, o ambiente no centro de treinamento rubro-negro está estremecido.
Instabilidade no CT
O técnico ainda segura o vestiário através da boa relação com os jogadores mais influentes. Entretanto, a permanência no cargo convive com rusgas públicas entre ele e o presidente Bap. Essas divergências começaram durante o conturbado processo de renovação de seu contrato. Por outro lado, o diretor José Boto segue como homem de confiança da presidência. Desse modo, a estrutura do departamento de futebol se mantém intacta. Mas não se sabe até quando. Não há certezas na Gávea nesse momento.
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O Flamengo tenta agora juntar os cacos de uma temporada que começou de forma instável para um time que ganhou tudo no ano passado. O desafio imediato é transformar esse controle interno em vitórias práticas dentro das quatro linhas. A margem de erro para a comissão técnica tornou-se mínima após os fracassos recentes para Lanús e Corinthians. Após a hegemonia de 2025, a exigência por novas taças aumentou de forma considerável. Por fim, o clube busca soluções rápidas para acalmar os ânimos exaltados da sua torcida.





