Adversário do Brasil nesta sexta-feira, o Haiti está disputando seu segundo Mundial. O país caribenho é marcado por inúmeros contrastes sociais. A seleção haitiana se classificou de maneira pioneira para a Copa do Mundo de 1974, disputada na então Alemanha Ocidental. Contudo, a equipe conhecida como “Les Gradaniers”, em referência à independência da França em 1804, ficou numa chave difícil da competição. O representante da América Central caiu no Grupo 4, ao lado de Argentina, Polônia e Itália.
A estreia foi contra os italianos, no Estádio Olímpico de Berlim. O jogo permaneceu 0 a 0 no primeiro tempo. Na segunda etapa, o meio-campista haitiano Philippe Vorbe fez um lançamento longo em profundidade para o atacante Emmanuel Sanon. O centroavante arrancou em velocidade, superou o defensor e deu um corte seco no goleiro Dino Zoff. Mas a vantagem haitiana não durou muito tempo. Seis minutos depois, a Itália foi para cima e empatou com Gianni Rivera. Romeo Benetti e Pietro Anastasi completaram na vitória da Azzurra. Final: 3 a 1 para a Itália.

Mas o pior momento foi após a partida: o zagueiro haitiano Ernst Jean-Joseph testou positivo para estimulantes. O episódio se transformou no primeiro caso de doping da história das Copas. O defensor foi suspenso. Naquela época, o Haiti vivia uma ditadura pelo político Jean-Claude Chevalier, o Baby Doc, que comandou o país caribenho entre 1971 e 1986. Ele ordenou que o jogador retornasse imediatamente para a capital Porto Príncipe. O atleta ficou dois anos preso por envergonhar o país na Fifa.
Campanha pífia
Com a saída do zagueiro, o futebol do Haiti despencou naquele jogo. A Polônia massacrou o time haitiano na segunda rodada do torneio: 7 a 0. Com dois gols de Lato, três de Szamarch, um de Gordon e um de Deyna, a forte seleção europeia não tomou conhecimento do adversário. Já na terceira e última partida, o Haiti perdeu para a Argentina por 4 a 1. Sanon novamente marcou o gol dos “Gradaniers”. Na classificação final, o Haiti terminou na 15ª posição entre os dezesseis participantes.

Diferentemente do uniforme atual, os caribenhos usaram camisas vermelhas e calções pretos naquele Mundial de 1974. O ditador Baby Doc tinha mudado as cores da bandeira local, implantando o vermelho e o preto como oficiais da nação. Após a queda do autocrata, o uniforme da seleção passou por uma completa reformulação e adotou a combinação do azul e vermelho.
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Principal atleta da seleção haitiana na Copa da Alemanha, o atacante Emmanuel Sanon foi para o futebol, europeu. Ele se transferiu para o K. Beerschot VAC, da Bélgica, clube pelo qual atuou entre 1974 e 1980. Também jogou no futebol norte-americano antes de encerrar a carreira. Sanon continua sendo conhecido como o maior jogador nacional de todos os tempos do Haiti.





