O Fluminense troca de técnicos. Marcão fica. E quando a situação aperta, a solução quase sempre está dentro de casa. Foi assim novamente depois da demissão de Luis Zubeldía, na semana passada. Sem tempo para experiências antes de uma decisão de Libertadores, o clube entregou o time ao auxiliar permanente que há anos cumpre uma espécie de função não escrita nas Laranjeiras: assumir quando alguém vai embora e reorganizar a casa enquanto a diretoria decide o próximo passo.
Depois de comandar a vitória do Tricolor, por 3 a 2, sobre o Palmeiras, pelo Brasileirão, no último sábado, no Maracanã, e acabar com o jejum de oito partidas sem vitória, nesta terça-feira, às 19h (horário de Brasília), contra o Independiente Rivadavia, em Mendoza, Marcão viverá um capítulo inédito dessa longa história. Aos 54 anos, comandará pela primeira vez o Fluminense em uma partida de Libertadores. E justamente em um mata-mata no qual não existe margem para adaptação: depois do 0 a 0 no Maracanã, qualquer vitória coloca o Flu nas quartas de final. Outro empate leva a decisão aos pênaltis.

Marcão tem larga experiência
Será também seu 74º jogo como treinador do Fluminense. Marcão chegou ao atual período com 72 partidas e, na reestreia, alcançou a 73ª ao vencer o Palmeiras. Na contagem mais ampla das ocasiões em que ocupou interinamente o cargo, esta é sua 11ª passagem. É um número suficientemente grande para desafiar até o rótulo de interino. Marcão, afinal, já comandou o Fluminense mais vezes do que vários treinadores contratados especificamente para a função. E também já deixou de ser provisório.
Em 2019, foi efetivado durante o Brasileirão, ajudou a retirar o time da luta contra o rebaixamento e ainda conquistou vaga na Copa Sul-Americana. Em 2020, assumiu depois da saída de Odair Hellmann e conduziu a equipe à quinta colocação do Brasileiro e à Libertadores. Em agosto de 2021, o próprio clube anunciou novamente sua efetivação, desta vez até o fim da temporada.
Sua carreira como treinador também não se resume ao Fluminense. Depois de encerrar a trajetória dentro de campo, passou como técnico por Bangu, Bonsucesso e River-PI antes de retornar às Laranjeiras e se consolidar como integrante permanente da comissão técnica. A partir daí, sua história profissional praticamente se confundiu com a do clube. Antes de virar o homem chamado para administrar emergências, Marcão construiu uma relação com o Fluminense que poucos funcionários atuais conseguem igualar. Como volante, disputou 397 partidas entre 1999 e 2006 e marcou 22 gols. Foi campeão da Série C de 1999, dos Cariocas de 2002 e 2005 e da Taça Rio de 2005. O próprio clube o inclui oficialmente em sua galeria de ídolos.
Domínio do vestiário
Essa história ajuda a explicar por que Marcão consegue entrar em momentos de turbulência sem precisar de apresentação ao vestiário ou à arquibancada. Ele conhece o clube, conhece seus corredores e, principalmente, conhece o peso que uma crise pode adquirir rapidamente no Fluminense. A nova missão começou bem. Diante do líder Palmeiras, o Tricolor das Laranjeiras esteve duas vezes atrás do placar, buscou o empate nas duas oportunidades e virou nos acréscimos. Mais do que três pontos, a vitória devolveu alguma confiança ao elenco antes da viagem à Argentina.
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Isso não significa, porém, que Marcão esteja efetivado. Após a saída de Zubeldía, a diretoria iniciou a procura por outro treinador e informou que o auxiliar permaneceria interinamente até a definição do novo comandante. Até agora, não houve anúncio de mudança desse planejamento. Mas o futebol costuma alterar planejamentos rapidamente. Se Marcão eliminar um Independiente Rivadavia que ainda não perdeu para o Fluminense nos três encontros entre as equipes em 2026, colocar o clube nas quartas da Libertadores e prolongar a reação iniciada contra o Palmeiras, uma pergunta inevitavelmente ganhará força nas Laranjeiras: por que trocar novamente?

Marcão não faz campanha pelo cargo. Depois da vitória de sábado, resumiu sua relação com o Fluminense de maneira simples: “Se precisar até o fim do ano, eu vou estar à disposição.”Talvez seja justamente essa disponibilidade permanente que tenha feito dele o “eterno interino. Só que, desta vez, a Libertadores pode decidir por quanto tempo o provisório continuará sendo provisório.





